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O Apocalipse dos Anjos.

27 set

Ultimamente tenho lido muita fantasia. Talvez por tentar procurar um modo de escapar um pouco da vida ou porque enchi o saco de clássicos da literatura… O fato é que ultimamente tenho lido muitas histórias fantásticas. Quem sabe um dia eu volte a ler outras coisas, como Crime e Castigo, aquele livro que eu sempre quis ler mas nunca tive oportunidade… Enfim, isso não importa.Vamos ao que interessa.

Hoje resolvi falar de um livro que há muito tempo tem sido colocado no alto pela turma do Jovem Nerd. Pra quem conheçe o site, já devem saber do que estou falando; A Batalha do Apocalipse.

Sim, negada, eu também fui pego pela onda e comprei o meu. Estava curiosíssimo para saber do que exatamente tratava a história que era vendida como algo inédito na literatura brasileira. Mas será que o livro faz juz ao que diz? É o que vou tentar escrever neste humilde blogue.

A Batalha do Apocalispe fala, é claro, do apocalipse. Mas não só isso. No começo é mencionada uma rebelião de anjos que não deu certo e que, por isso, foram condenados a vagar na Terra até o dia do juízo final.  Tudo muito certo e bonitinho.

Mas não, estes anjos não são Lúcifer e cambada! São o grupo do herói da história, Ablon! Conheçam ele!

Sério, quando ele foi descrito fisicamente não consegui tirar da cabeça que o sujeito era a cara do Humberto Gessinger! O que não é ruim, considerando que eu sou um velho adorador de Engenheiros do Havaí e mais um monte de tralha oitentista… Acontece também que o tempo todo durante a história fiquei imaginando um anjo com asas e tudo tocando um contrabaixo e cantando “pra ser sincero”.

Puta que pariu, minha imaginação é uma merda mesmo!

Mas o livro não é só o Humberto, digo, Ablon. Existem muitos outros personagens que eu não pretendo mencionar porque não vejo motivo pra isso. Acrescentarei apenas que nosso anjo salvador tem a ajuda de uma bela feiticeira na sua caminhada através da história do mundo. Sim, o livro não é só a tal história do apocalipse, mas da própria vida desse Ablon na Terra se preparando para o tal embate que decididamente um dia acontecerá.

Aliás, a feiticeira é o par romântico do nosso cabeludo herói por toda a história. Ele, como anjo, é naturalmente imortal e ela, por meio das artes do Exu Trigueleta, também.

E justiça seja gostei muito mais dessas partes falando do passado do que o relato do apocalipse propriamente dito. Este é bem pequeno comparado com as aventuras que Ablon passa no decorrer da história.

Uma parte que eu gostei bastante foi quando ele viajou da China até Roma na época do nascimento de Jesus. Tal viajem certamente não era um mar de rosas com passarinhos cantando e brisa refrescante ao longo do caminho. Fiquei bem preso acompanhando os passos do herói tentando sair de um buraco na China até Roma junto com os mais diversos tipos que andavam por ali na época.

Eu adoro histórias de viagens a lugares exóticos e seus caminhos inóspitos, podem me chamar de bobo alegre!

Pra finalizar a história acaba numa grande batalha.

Todos os méritos para a descrição da batalha que o autor fez. Foi muito emocionante mesmo. Fiquei tenso nas partes mais dramáticas da coisa toda. Foi um desfecho muito legal para a caminhada de Ablon. Só tenho uma pequena resalva: Achei os poderes dos caras nas lutas final coisas dignas de desenho japonês como Dragon Ball. Tudo bem, são entidades super fortes, mas não consegui deixar de pensar isso. Mas é minha opinião.

Em vista disso, agora posso dizer que A Batalha do Apocalipse fez juz a todo hype criado em cima dele. É uma história bem amarrada, com bons personagens e reviravoltas muito fodas. Vale a pena se você está procurando algo interessante pra ler.

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A história em prosa e telas.

3 set

Eu sempre gostei de história. Sim, aquela disciplina que muita gente achava um saco na escola porque tinha que decorar um monte de nomes, datas e lugares. Pra mim era o momento onde eu poderia me redimir de todas as notas baixas tiradas em matemática e do desastre que eu era em educação física. Certo, ninguém dava bola para as minhas altíssimas notas em história… Mas eu gostava de esfregar na cara dos outros o fato de saber bem mais que eles usando um centésimo do mesmo esforço dispendido por meus colegas para simplesmente não aprender nada.

Admito, sempre fui um desgraçado vaidoso. E como na época não podia ser muito vaidoso com aparência – gordinhos sofrem – eu aproveitava a minha capacidade esponjosa de absorção de conhecimentos para tal.

Não é necessário dizer que, na qualidade de comedor de livros incasciável, acabei esbarrando também no que chamam de romances históricos. Sabe, aqueles livros que contam histórias de gente que já morreu e coisas que aconteceram há muito, muito tempo, quando sua bisavó era uma garotinha virgem e inocente, brincando pelo quintal… Muitas vezes bem mais tempo que isso, é verdade.

Romances históricos também servem para filmes com bonitas atrizes!

Romances históricos também servem para filmes com bonitas atrizes!

Acho realmente interessantes essas histórias.  Principalmente as que se passam na Idade Média ou Antiguidade. Claro, onde podem ser descritas as batalhas mais fodas da humanidade. Esparta e seus 300 malucos estão nessa enorme fatia de tempo.

Creio que grande parte do sucesso desse gênero – sim, eles fazer muito sucesso, continue lendo que falarei disso – deve-se ao fato das pessoas terem uma enorme curiosidade sobre o passado. Todo mundo quer saber, mesmo em pequeno grau, o que aconteceu no lugar onde mora há sei lá quantos anos. Todos gostam de olhar fotos antigas e imaginar como era sua rua, cidade e país na época em que foram tiradas. É um brincadeira divertida!

O que os romances históricos fazem é potencializar isso de maneira a pessoa se imaginar em lugares e épocas nos quais nenhuma nenhum conhecido seu esteve antes. Afinal, não conheci ninguém por aí com mais de 10 mil anos ainda. E se conhecer, certamente serei decapitado por sua enorme e afiada espada em questão de segundos, pois só pode haver um!…

Pra este cara, romances históricos são contos de comadre.

Pra este cara, romances históricos são contos de comadre.

Não resisti a piada pronta, me processem…

Enfim, é curiso ouvir falar sobre coisas que não existem mais. As pessoas até parecem gostar mais desse filão literário em detrimento de outros. Bernard Cornwell que o diga. O velho faz um sucesso desgraçado com seus livros históricos. E parece que ninguém ainda se satisfez. Mesmo eu ando lendo umas coisas dele e devo dizer, o cara é muito bom.

Pois livros como “Stonehenge” e as “Crônica Saxônicas” tem me divertido muito nos últimos tempos.

Eu nunca fui de ler esses livros da moda e super vendidos estou achando sensacional.

Confeso meu profundo preconceito contra quem está no topo das paradas dos cadernos literários. Não tenho problema com a pessoa ganhar dinheiro, longe disso. Ainda espero algum dia conseguir escrever um best seller de fama internacional. Entretanto, muitos deles são de péssima qualidade – outro assunto no qual vou entrar outro dia…

Na minha descartável opinião, eu poria as histórias do velho em pé de iqualdade com Quo Vadis e Guerra e Paz. E olha que rivalizar com o Tolstoi e suas descrições das guerras napoleônicas não é pouca coisa!

Claro, se o sujeito levar tudo escrito no livro ao pé da letra e imaginar as coisas terem sido realmente daquele jeito precisa reaver seus conceitos sobre fontes. Ou ler um livro de história de verdade, com marco teórico, objetivo e legitimidade acadêmica e tudo mais de pede o figurino. Mas aí voltamos às chatíssimas aulas de história. Além do que, livros de história acadêmicos não trazem contos de amor, ódio, esperança, intriga e tudo adoramos!

Parece que nosso amigo vai continuar pensando que Artur era um oficial romano na Britânia e outras coisas.

Deixa o povo pensar que a Cleopatra era assim...

Deixa o povo pensar que a Cleopatra era assim...

Afinal, os filmes sempre nos presenteiam com representações de figuras históricas. Muitas delas ficam realmente impregnadas na nossa mente, como a da moça aí de cima. Certo, não é mais moça há muito tempo, porém, felizmente suas fotos da juventude – e de seus belos “atributos artísticos” – continuarão para sempre entre nós.

Salve a internet e seus gordos desocupados maravilhosos!

Já que começamos a falar de cinema…

Queria uma bárbara dessas pra mim...

Queria uma bárbara dessas pra mim...

O cinemão adora esses temas, a verdade é essa. Do mesmo modo que livros, filmes históricos também atraem público. Ainda que sejam grandes hemorróidas purulentas de fedor sempre tem muita gente querendo assistir.

Um bom exemplo recente é Arthur. Aparentemente pegaram a saga que Cornwell escreveu e resolveram filmar. O que se configurou num atentado nojento ao cinema e a inteligência dos espectadores.

No fim, o que prestou lá foi a Keira Knihtley de top de couro pelos campos britânicos!…

Sim, eu gosto dela. Algum problema?

Vão se punhetar pra Mulher Melancia!

Mas sempre existem os filmes bons! Mel Gibson dirigiu “Coração Valente”, a melhor coisa que ele fez antes de despirocar e sentir tesão por torturas extremas e nojeira sanguinolenta. A despeito disso, ele continuou com temas relativamente históricos. O que vale uma olhada em produções dele como “Jesus” e “Apocalipto”. O segundo eu não vi, mas o primeiro assisti no cinema e posso dizer que é uma aula de tortura… Quer dizer, de como as pessoas viviam na palestina dominadas pelos romanos!

Bem, por hoje é só. Tenho que deixar registrado que hoje foi extremamente difícil escrever este texto. Preguiça e dispersividade altas estão entre meus motivos. Então, até mais!

O fantástico mundo do realismo fantástico!

21 ago

Todo mundo gosta de Tolkien, suponho. Na verdade não se encontra ninguém atualmente que nunca tenha ouvido falar ao menos, de leve, de alguns desses livros da moda como é hoje. Sim, Harry Potter e Senhor dos Anéis são praticamente obrigatórios pra qualquer pré-adolescente metido a intelectual e leitor tem que ver.

Todos gostam de fantasia. Até seu tio chato.

Todos gostam de fantasia. Até seu tio chato.

E porque essas histórias fazem tanto sucesso? Ora, as pessoas amam uma forma de escapar da realidade, serem transportados para mundos alternativos onde o impossível acontece. Sim, a fantasia é uma forma de não sucumbirmos à insanidade da vida quotidiana. Um jeito de nos conectarmos a algo dentro de cada um de nós acessível apenas durante os sonhos. Podemos dizer que fantasias são como sonhar acordado. Eu digo que é o que nos torna humanos.

Sim, humanos. Pois formigas criam estruturas e macacos ferramentas, mas só nós sonhamos com o que não existe…

Mas estava aqui pensando. A fantasia somente serve pra nos transportar ao sonho? Bem, alguns malucos aqui da América do Sul pensaram um pouco diferente. A grande maioria deles já eram jornalistas experimentados da rua e das cervejas e outras substâncias do boteco perto da redação. De onde mais vocês acham que eles tirariam sua inspiração primordial?

Grande parte deles eu considero também simpatizantes das tendências do New Journalism, que andava muito famoso na década de 60, pois muitos de seus trabalhos estão cheios dos conceitos que Tom Wolf e sua turma nos Estados Unidos propuseram. Relato de um Náufrago de Gabriel Garcia Marquez, na minha opinião, é um grande exemplo desse tipo de jornalismo por essas bandas latinas.

"Baseado numa história real", mas muito mais interessante!

"Baseado numa história real", mas muito mais interessante!

Não vou perder o meu tempo descrevendo o livro, até porque quero que vocês o leiam também. O que posso dizer é que fala de um náufrago (dãh) que se perdeu do seu navio no meio do Golfo do México e foi encontrado no litoral colombiano a sei lá quando porrilhões de quilômetros. Tudo real e devidamente noticiado com o alarido exagerado que os jornais gostam de fazer nessas histórias. Afinal o sujeito era um herói que sobreviveu a condições terríveis. E a tubarões!

UMA MERDA DE UM CARDUME DE TUBARÕES!!!

O cara era foda, enfim. Mas o livro diz que ele não era tão foda.

Contudo, isso não é realismo mágico, mas só jornalismo bem feito – coisa que anda em falta hoje em dia.

Bons exemplos do gênero podem ser encontrados nas obras de Garcia Marquez também. Eu cito dois; O Amor nos Tempos do Cólera e o onipresente Cem Anos de Solidão.

Contudo, devo ser sincero e dizer que foi o primeiro que me marcou mais. As cenas onde o protagonista toca violino a noite para adormeçer a cidade está entre as mais lindas que eu já li até hoje.

Vargas Llosa também é um outro ícone do gênero, embora a produção dele tenha caído ultimamente. Ou você acredita que escritor de Batismo de Fogo é o mesmo de Travessuras da Menina Má? Sério, o cara teve uma queda de rendimento brutal. Acho que devido a candidatura a presidência do Peru, mas nunca saberemos…

Certas pessoas não deveriam entrar pra política.

Certas pessoas não deveriam entrar pra política.

Agora, voltando ao papo conceitual. Porque cargas d’água chamam esse tipo de literatura de realismo mágico ou fantástico? Se você teve um professor mediano na escola certamente ele te disse que porque eles misturam elementos de fantasia com realidade.

Bem, em parte é verdade. Mas como explicar as obras do senhor da foto ali em cima? Lá não tem coisas muito mágicas aparentes, ao contrário do seu coleaga colombiano. Então, o que ele seria?

A turma das faculdades de letras certamente discordará de mim. Mas como este é meu blogue e não dou a mínima pra o que eles pensam, vou dizer assim mesmo.

O que chamam de realismo fantástico, ou mágico pra mim não passa de uma vontade desses escritores de transcederem a uma realidade política na qual eles viviam. Sim, senhoras e senhores. Essas pessoas escreviam porque era moda bancar o super intelectual nas esquerdas latino-americanas da segunda metade do século XX. De vez em quando até dava pra descolar um sexozinho sem compromisso…

Por isso é difícil encontrar esse tipo de escritor atualmente. Quase ninguém quer escrever e muito menos gente ler. É triste, mas é um fato. O realismo mágico perdeu-se entre golpes de estado e milicos da década de 60. Precisou desesperadamente deles para viver e morreu com eles.

Hoje não é mais moda e sim os livros de auto-ajuda de como ganhar dinheiro e fazer amigos com um peido cheiroso…

Talvez as pessoas não precisem mais de um sonho que as incomode. Ou talvez tenha sido uma coisa extremamente datada mesmo. Fazer o que?

Alguma sugestão?

Até a próxima!

Nota: Este texto foi composto ao som da trilha sonora de O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel 🙂