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Os mais estranhos escritores do mundo.

22 maio

Todo mundo imagina que o ofício, ou seja lá como definem, de escritor é uma coisa chata. Imaginem, não é lá muito emocionante ficar o dia inteiro sentado em frente a uma folha de papel pensando num modo de encher a desgraçada numa primeira análise. Em muitos casos é até doloroso tentar fazer algo minimamente decente. Por isso escritores em sua maioria, precisam de ambientes calmos e quietos para poderem pensar com propriedade na história que se pretende criar…

Sim, eu também preciso disso, sou uma fraude!

Contudo, existem seres que ultrapassam essa necessidade mundana e trivial de tranquilidade. Pessoas para quem uma vida comum passa longe e seria muito provavelmente uma forma de lhes estragar as habilidades artísticas.

Eles não são simplesmente escritores, são personagens de si mesmos. Gente que viveu como poucos teriam coragem de viver, inclusive eu. Vamos então dar uma olhada na vida dessas pesssoas tão diferentes dos chatos humanos comuns que todo mundo é obrigado a conviver durante a vida.

Dostoyevsky

Nosso barbudão aí é um dos mais icônicos escritores do mundo. Aos 24 anos começou a publicar uma história num jornal cujo nome esqueci, alcançando o estrelato das letras. Pena que não durou muito… Sim, pouco tempo depois todo mundo já tinha esquecido dele. É, gente, essa vida de escritor é amaldiçoada mesmo.

Mas pensam que isso fez com que nosso amigo de nome dificílimo vacilasse? … Na verdade esse fato não tem a menor importância na vida dele. Sério, só estou enchendo linguiça aqui.

O negócio é o seguinte. Certo dia Dostoyevsky estava participando de um grupo que discutia novos caminhos para a Rússia, que implicavam mesmo a saída do imperador. O tal grupo não passava de nada além de uma roda de boteco para românticos idiotas. Dali não iria sair nada além de bêbados numa noite fria. Mas a polícia não achou isso. E prendeu a galera toda numa de suas reuniões.

Todos foram condenados ao pelotão de fuzilamento por alta traição ou coisa que o valha. Contudo, o máximo que conseguiram disso, foi ficar em pé num pátio gelado servindo de piada pros soldados. Não seriam mesmo fuzilados, mas mandados para uma agradável estada de quatro anos na Sibéria, com todas as despesas pagas!

Acho que muita gente não se incomodaria em ir pra lá ao invés de morrer. Bem, dependendo das circunstâncias. Lá, nosso colega passou por agradáveis sessões de exercícios que os preguiçosos chamam de trabalhos forçados. Depois da sua pena, foi ser soldado no exército, servindo ainda na Sibéria.

Ele deve ter gostado de lá… Pelo menos ele gostava das mulheres de lá, tanto que casou com uma.

De volta à São Petersburgo, o cara voltou a escrever. Não deu muita coisa, e ele se afundou em dívidas. Pouco tempo depois a mulher e o irmão que lhe ajudava morreram também. O que o deixou pior ainda.

O homem tornou-se um jogador compulsivo. Gastando tudo que podia nos cassinos da europa e comendo as vagabundas mais caras que podia encontrar. Uma vez tentou até casar com uma delas, mas a dita deve ter rido deslavadamente na sua cara. Enfim, se ferrara na vida.

No fim, morreu com uma montanha de dívidas em cima dele. Vida ruim, não?

Dante Alighieri


Dante não era um jogador inveterado, nem mesmo um amante de prisões, embora tenha se metido em muita confusão na vida. Ele era poeta, e além de poeta, político de florença. E um cara bem safado, se me permitem.

Ele em certo momento da sua vida, apaixonou-se por uma adolescente de nome Beatriz. A menina morreu, sabe-se lá de que. Mas o cara continuou falando sobre ela nos seus poemas até não se sabe quando.

Mas voltemos as intrigas políticas. Dante participou muito da vida política de Florença, até a cidade ser ocupada por opositores e ele ser expulso de lá. Digo, o Papa estava envolvido na bagunça e foi um dos caras que mandou chutar o Dante da cidade. Pra vocês verem como ele era um poeta querido de todo mundo.

Então, Dante passou o resto da vida no exílio, nunca podendo chegar perto de Florença. Viveu sua vida fazendo servicinhos para os nobres de outras cidades e pensando no seu poema cheio de inflexões sexuais dedicadas a infante Beatriz. E assim morreu.

Luis de Camões

Camões é velho conhecido das aulas de português de todo mundo. Mesmo que ninguém tenha nunca lido uma linha dos Lusíadas – sim esse é meu pecado que não tenho a menor vontade de corrigir. Mas ele também era um sujeito interessante. Ou acham que ele ficou caolho à toa? Sim, Camões perdeu um olho caso não tenha reparado no desenho.

O olho em si, ele perdeu ao que parece, na África. Fruto de um coração partido… Sim, ele era um romântico! Mesmo sendo o boa vida mais desgraçado de Lisboa ele se apaixonou, tomou um belo não na fuça e foi pra África brigar.

Depois disso resolveu partir para as Índias – as de verdade – onde ficou um bom tempo em Goa – vá estudar pra saber onde fica. Foi lá que começou a escrever Os Lusíadas, poema o qual eu nunca li e talvez nunca lerei.

Tempos depois, foi enviado a Macau, na época um fim de mundo que não tinha uma viva alma. Enfim, era um entreposto comercial nojento de Portugal na China, não era pra ter muita coisa lá no começo. Dizem que ele  escreveu um pedaço dos Lusíadas numa gruta…

Sim, uma gruta.

Isso parece muito estranho, a pensar no fato de que grutas são lugares escuros e úmidos. Não acho que seria um lugar muito saudável pra alguém sentar e escrever. Isso se estivesse escrevendo alguma coisa. Mas parece que nosso multi-talentoso poeta conseguiu.

Na volta para Goa o navio afundou quase matanto-o e matando realmente a mulher que provavelmente ia com Camões. Diz-se à boca pequena que ele preferiu ficar agarrado ao livro do que a mulher. Não sei se foi uma atitude sábia, mas acho que uma mulher às vezes vale mais do que um monte de letrinhas no papel. Mas quem sou eu pra saber das coisas, não sou clássico da literatura mundial.

Rimbaud

Rimbaud era jovem, bonitão e supostamente um chato de galocha. Mas como era um adolescente de 16 anos as bibas que o acompanhavam não ligavam muito pra isso.

Sim, ele era gay. Viveu duranto algum tempo um caso com um sujeito chamado Paul Verlaine, simbolista francês. E como é de se saber eram duas porras loucas, enchendo a cara de absinto e haxixe todos os dias e aporrinhando os vizinhos com as orgias que certamente promoviam.

Quem não deve ter gostado muito disso foi a mulher de Verlaine. Mas ela não aparece na história então seu nome não interessa. De fato, viveram um bom tempo nessa vida desgraçada até Verlaine resolver encher os cornos de bebida e os dois começarem a brigar como cão e gato. Tanto que Verlaine chegou a dar um tiro no moleque, mas que não resultou em nada grave.

Depois dos 19 anos, eu acho. Rimbaud decidiu que a vida de poeta não dava muito futuro. Então decidiu se aventurar pelo mundo em busca de grana sendo várias coisas em várias partes do mundo.

Mas certamente a que ele deu mais certo foi a de mercador de café e armas na áfrica. Você, por acaso, teria peito de ser mercador de armas na áfrica? Claro que não, seu merdinha!

O menino tinha mais coragem na pontinha do cabelinho de emo dele do que muitos machões tem no corpo todo!

E com isso termino minha lista, que achei um tanto enfadonha, mas espero que vocês gostem um pouco.

Tolkien e seus anéis ardentes.

6 out

Vou ser bem franco. Quando ouvi pela primeira vez falar o nome de Tolkien, Senhor dos Anéis e o escambau foi quando eu tinha acabado de entrar na faculdade. Na época estava-se na espectativa do tal filme a ser produzido e lançado sabe-se lá quando. Mesmo assim, só soube dessas coisas por meio de colegas viciados em RPG que, por motivos misteriosos, conheciam a saga dos hobbits e dos anéis.

Mas como um troço que era praticamente uma relíquia de sociedade secreta virou a febre de então? Se querem saber, eu não sei. Palavra, quando li O Senhor dos Anéis pela primeira vez, atiçado pelos meus amigos RPGistas, fiquei completamente decepcionado.

Sim, me decepcionei com quase tudo ali. A história, os personagens, o mundo em si. Não que a coisa toda fosse ruim. Achei realmente bem construída e tal. O problema é que o livro não me oferecia nada de novo, nada que eu já não esperasse. Era como estar vendo a mesma história só que com personagens e situações ligeiramente diferentes.

Vamos falar sério, o livro é uma montanha de clichês sobre outra. O fato do personagem fracote e medroso ter a obrigação de queimar o Anel do Poder na Montanha da Perdição – só eu que vejo alguma putaria nisso? – já é um tremendo de um lugar comum. Todo mundo já fez isso,  ora bolas!

Então os fãs vem com essa: O mundo é contruido nos mínimos detalhes, até nas línguas, seu nerd gordo de videogame!

Ao que eu respondo prontamente: E daí? Qualquer panaca pode construir um mundo de fantasia e encher de persoangens clichê. Não precisa ser mestre em linguística como o Tolkien pra fazer isso.

Eu posso fazer isso! Provavelmente até você, que está lendo isto agora! Tudo que é preciso é tempo e saco infinitos para tal…

Coisa que nem eu nem você certamente temos… Nem todos são sustentados por universidades como nosso autor de anéis. Sim, Tolkien era professor universitário e não escritor, nerd e fundador de sociedades secretas criadas com pactos em sindarin. Era um cara bem normal e prosaico.

Uma coisa ao menos deve ser dita. Liv Tailer é o máximo de elfa!

Uma coisa ao menos deve ser dita. Liv Tailer é o máximo de elfa!

Mas eu não começei este texto para falar mal da obra do homem. Não senhor! Caso pensem que sou um sujeito ranzinza sem amor no coração.

Primeiro queria expressar os primeiros sentimentos que tive ao ler O Senhor dos Anéis. Agora, mais velho e mais chato, resolvi ler O Hobbit e O Silmarillion, graças à promoçaozinha bacana que o Submarino aprontou esses dias – pena que não vou ganhar nada com essa propaganda!

O Hobbit é bem o que se vê no livro que o vai suceder. Um hobbit metido numa guerra maluca por motivos estapafúrdios. Pelo menos o livro tem o mérito de não ser tão maniqueísta quanto o posterior, embora o seja em grande medida. Não temos a batalha do bem supremo contra o mal supremo no final. O que pra mim é ótimo.

Sem falar no aspecto humano que Bilbo Bolseiro, o hobbit do título, dá a tudo. Todos os personagens são guerreiros com sangue nos olhos e querem se matar apenas pelo prazer da carnificina. Nosso amiguinho de pés peludos só quer fumar seu cachimbo em paz na varanda de casa. Não é um desejo ruim, não mesmo.

Bilbo é gente como a gente! Mais ou menos...

Bilbo é gente como a gente! Mais ou menos...

Então terminei O Hobbit com a mesma sensação de já ter visto aquilo antes. Mas pelo menos não era mais novidade…

Eis que começo O Silmarillion!!

O Relato dos Dias Antigos, ou seja lá como a turma chame aquilo.

Só sei que o cara resolve escrever como se fosse uma bíblia.

O que torna o livro chato…

Muito chato…

Tão chato que foi capaz de me fazer cabeçear enquanto leio. E eu nunca faço isso.

Não posso dizer muita coisa sobre ele. Apenas que é uma descrição do começo do mundo que o Tolkien inventou. É cheio de elfos e deuses em batalhas mais que épicas de tremer as montanhas.

Provavelmente vai terminar numa super batalha do bem contra o mal que vai estraçalhar metade do continente e destruir nações. No fim o mal será punido e o bem recompensado.

Nada de muito diferente do que estou acostumado…

A diferença é que já nao espero uma super história como quando começei a ler O Senhor dos Anéis, há anos atrás. Só uma história interessante que me distraia.

No fim das contas acho que era o que Tolkien também queria. E não posso culpá-lo por isso.

Mais uma dose! Ainda não terminei de escrever!

20 set

Ah…

A dose, a birita, meiota, trago…

Quantas pessoas não gostam de se esbaldar num copo de bebida depois do expediente, ou mesmo durante ele? Eu mesmo tenho histórias escabrosas de porres tomados durante o horário de aula da faculdade e… Melhor deixar essas enterradas. Ninguém quer saber dessas coisas, não é?

Enfim, desde que a humanindade passou a dominar os segredos dos destilados e fermentados o mundo mudou. Pra que escrever poemas e odes de cara limpa quando você podia muito bem fazê-los com a cabeça calibrada?

Um bom papo literário sempre é regado a um pouco de álcool.

Um bom papo literário sempre é regado a um pouco de álcool.

Temos que admitir que, desde que o processo de produção do álcool foi criado, a literatura ganhou e muito em riqueza. Ou alguém pensa que Homero falou sobre todos aqueles deuses e batalhas malucas de cara limpa? O sujeito tava era muito “alto” – ou com o senso de humor mais mordaz que o costume – quando imaginou que um corno moveria exércitos só pra pegar de volta a mulher que deu no pé com o jovenzinho rico e na flor da potência.

Poxa, imagine-se na época um rei. Pense que motivos o levariam pro fim do mundo com seu exército por causa de um corno velho com orgulho ferido. Eu não posso encontrar nenhum. Só posso imaginar uma grande piada de bêbado.

A Ilíada é a descrição de um porre de vinho da Trácia misturado com uma ervinha das bravas, essa é a verdade!

E os exemplos não param!

Avancemos um pouco mais na história. Para ser mais exato, Idade Média. Época negra, onde os livros eram mantidos a sete chaves nos mosteiros, onde monges os copiavam a fim de que eles não desapareçam. Mas só os que lhes interessavam…

Agradeçam aos árabes por poderem ler a obra de Aristóteles hoje, seus sacripantas. Se não fosse por eles, estaria tudo perdido. Mas muçulmanos não bebem então não entra na conta.

O importante aqui é o fato de tais mosteiros, além de estarem cheios de pios monges repletos de obrigações espirituais, também estavam lotados de barris e mais barris de bebidas alcoólicas! Mais ainda, devemos aos padres a invenção da cerveja, que nos refresca em todos os dias quentes de nossas vidas.

Sempre que for ao bar, agradeça ao padre mais próximo pela bênção da sua cerveja.

Sempre que for ao bar, agradeça ao padre mais próximo pela bênção da sua cerveja.

Vamos agora para a melhor parte, ao menos pra mim.

O romantismo!!!

Nunca se cometeram tantos excessos quanto naquela época! Nunca se bebeu, jogou, trepou ou se escreveu tanto quanto naquele maravilhoso tempo!

(Sei que é mentira, mas deixem eu manter minha ilusão, tá!)

Poemas e odes criados exclusivamente para se falar de álcool, drogas e sexo descontrolado. Cheiro de vinho e revolução em qualquer beco que se pudesse virar. Uma época primorosa. Gostaria de ter vivido nela.

Muito melhor que aquela pasmaceira de paz e amor dos hipongas dos anos 60.

À merda com paz e amor, eu quero é quebrar o pau e encher a cara de vinho e de mulheres!

Este, senhoras e senhores, é o legítimo ideal romântico. Não tem nada a ver com novela das seis, pelo que podem perceber.

Meu melhor exemplo disso é um belo garoto chamado Rimbaud. Quando tinha 16 anos amancebou-se com um homem bem mais velho. Como toda história de amor da época altas doses de absinto e drogas de todo tipo estavam envolvidos na coisa. O romance do nosso menino não foi bem, o que o fez buscar mais ainda os conselhos da fada verde. E devemos admitir que os conselhos dela foram muito bons para nosso amiguinho que gosta de rapazes. Alguns de seus melhores textos, como “Uma noite no inferno”, devem ter sido feitos sob forte efeito da sininho dos copos.

No fim, com 19 anos, Rimbaud cansou-se dessa vida tediosa. Parou de escrever e foi-se para a África, ganhar a vida como um pacato traficante de armas…

Quase na mesma época e com as mesmas preferências sexuais tempo Oscar Wilde. Mas ele é mais um vaidoso do que um louco embebedado… Talvez por isso as histórias dele me deixem entediado.

A história não para! Como a produção de bebidas. E onde existir um bêbado caindo sempre haverá a semente de um grande poeta! Logo, não despreze o bêbado, o respeite como o potencial pilar da cultura humana que ele pode ser.