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Os mais estranhos escritores do mundo.

22 maio

Todo mundo imagina que o ofício, ou seja lá como definem, de escritor é uma coisa chata. Imaginem, não é lá muito emocionante ficar o dia inteiro sentado em frente a uma folha de papel pensando num modo de encher a desgraçada numa primeira análise. Em muitos casos é até doloroso tentar fazer algo minimamente decente. Por isso escritores em sua maioria, precisam de ambientes calmos e quietos para poderem pensar com propriedade na história que se pretende criar…

Sim, eu também preciso disso, sou uma fraude!

Contudo, existem seres que ultrapassam essa necessidade mundana e trivial de tranquilidade. Pessoas para quem uma vida comum passa longe e seria muito provavelmente uma forma de lhes estragar as habilidades artísticas.

Eles não são simplesmente escritores, são personagens de si mesmos. Gente que viveu como poucos teriam coragem de viver, inclusive eu. Vamos então dar uma olhada na vida dessas pesssoas tão diferentes dos chatos humanos comuns que todo mundo é obrigado a conviver durante a vida.

Dostoyevsky

Nosso barbudão aí é um dos mais icônicos escritores do mundo. Aos 24 anos começou a publicar uma história num jornal cujo nome esqueci, alcançando o estrelato das letras. Pena que não durou muito… Sim, pouco tempo depois todo mundo já tinha esquecido dele. É, gente, essa vida de escritor é amaldiçoada mesmo.

Mas pensam que isso fez com que nosso amigo de nome dificílimo vacilasse? … Na verdade esse fato não tem a menor importância na vida dele. Sério, só estou enchendo linguiça aqui.

O negócio é o seguinte. Certo dia Dostoyevsky estava participando de um grupo que discutia novos caminhos para a Rússia, que implicavam mesmo a saída do imperador. O tal grupo não passava de nada além de uma roda de boteco para românticos idiotas. Dali não iria sair nada além de bêbados numa noite fria. Mas a polícia não achou isso. E prendeu a galera toda numa de suas reuniões.

Todos foram condenados ao pelotão de fuzilamento por alta traição ou coisa que o valha. Contudo, o máximo que conseguiram disso, foi ficar em pé num pátio gelado servindo de piada pros soldados. Não seriam mesmo fuzilados, mas mandados para uma agradável estada de quatro anos na Sibéria, com todas as despesas pagas!

Acho que muita gente não se incomodaria em ir pra lá ao invés de morrer. Bem, dependendo das circunstâncias. Lá, nosso colega passou por agradáveis sessões de exercícios que os preguiçosos chamam de trabalhos forçados. Depois da sua pena, foi ser soldado no exército, servindo ainda na Sibéria.

Ele deve ter gostado de lá… Pelo menos ele gostava das mulheres de lá, tanto que casou com uma.

De volta à São Petersburgo, o cara voltou a escrever. Não deu muita coisa, e ele se afundou em dívidas. Pouco tempo depois a mulher e o irmão que lhe ajudava morreram também. O que o deixou pior ainda.

O homem tornou-se um jogador compulsivo. Gastando tudo que podia nos cassinos da europa e comendo as vagabundas mais caras que podia encontrar. Uma vez tentou até casar com uma delas, mas a dita deve ter rido deslavadamente na sua cara. Enfim, se ferrara na vida.

No fim, morreu com uma montanha de dívidas em cima dele. Vida ruim, não?

Dante Alighieri


Dante não era um jogador inveterado, nem mesmo um amante de prisões, embora tenha se metido em muita confusão na vida. Ele era poeta, e além de poeta, político de florença. E um cara bem safado, se me permitem.

Ele em certo momento da sua vida, apaixonou-se por uma adolescente de nome Beatriz. A menina morreu, sabe-se lá de que. Mas o cara continuou falando sobre ela nos seus poemas até não se sabe quando.

Mas voltemos as intrigas políticas. Dante participou muito da vida política de Florença, até a cidade ser ocupada por opositores e ele ser expulso de lá. Digo, o Papa estava envolvido na bagunça e foi um dos caras que mandou chutar o Dante da cidade. Pra vocês verem como ele era um poeta querido de todo mundo.

Então, Dante passou o resto da vida no exílio, nunca podendo chegar perto de Florença. Viveu sua vida fazendo servicinhos para os nobres de outras cidades e pensando no seu poema cheio de inflexões sexuais dedicadas a infante Beatriz. E assim morreu.

Luis de Camões

Camões é velho conhecido das aulas de português de todo mundo. Mesmo que ninguém tenha nunca lido uma linha dos Lusíadas – sim esse é meu pecado que não tenho a menor vontade de corrigir. Mas ele também era um sujeito interessante. Ou acham que ele ficou caolho à toa? Sim, Camões perdeu um olho caso não tenha reparado no desenho.

O olho em si, ele perdeu ao que parece, na África. Fruto de um coração partido… Sim, ele era um romântico! Mesmo sendo o boa vida mais desgraçado de Lisboa ele se apaixonou, tomou um belo não na fuça e foi pra África brigar.

Depois disso resolveu partir para as Índias – as de verdade – onde ficou um bom tempo em Goa – vá estudar pra saber onde fica. Foi lá que começou a escrever Os Lusíadas, poema o qual eu nunca li e talvez nunca lerei.

Tempos depois, foi enviado a Macau, na época um fim de mundo que não tinha uma viva alma. Enfim, era um entreposto comercial nojento de Portugal na China, não era pra ter muita coisa lá no começo. Dizem que ele  escreveu um pedaço dos Lusíadas numa gruta…

Sim, uma gruta.

Isso parece muito estranho, a pensar no fato de que grutas são lugares escuros e úmidos. Não acho que seria um lugar muito saudável pra alguém sentar e escrever. Isso se estivesse escrevendo alguma coisa. Mas parece que nosso multi-talentoso poeta conseguiu.

Na volta para Goa o navio afundou quase matanto-o e matando realmente a mulher que provavelmente ia com Camões. Diz-se à boca pequena que ele preferiu ficar agarrado ao livro do que a mulher. Não sei se foi uma atitude sábia, mas acho que uma mulher às vezes vale mais do que um monte de letrinhas no papel. Mas quem sou eu pra saber das coisas, não sou clássico da literatura mundial.

Rimbaud

Rimbaud era jovem, bonitão e supostamente um chato de galocha. Mas como era um adolescente de 16 anos as bibas que o acompanhavam não ligavam muito pra isso.

Sim, ele era gay. Viveu duranto algum tempo um caso com um sujeito chamado Paul Verlaine, simbolista francês. E como é de se saber eram duas porras loucas, enchendo a cara de absinto e haxixe todos os dias e aporrinhando os vizinhos com as orgias que certamente promoviam.

Quem não deve ter gostado muito disso foi a mulher de Verlaine. Mas ela não aparece na história então seu nome não interessa. De fato, viveram um bom tempo nessa vida desgraçada até Verlaine resolver encher os cornos de bebida e os dois começarem a brigar como cão e gato. Tanto que Verlaine chegou a dar um tiro no moleque, mas que não resultou em nada grave.

Depois dos 19 anos, eu acho. Rimbaud decidiu que a vida de poeta não dava muito futuro. Então decidiu se aventurar pelo mundo em busca de grana sendo várias coisas em várias partes do mundo.

Mas certamente a que ele deu mais certo foi a de mercador de café e armas na áfrica. Você, por acaso, teria peito de ser mercador de armas na áfrica? Claro que não, seu merdinha!

O menino tinha mais coragem na pontinha do cabelinho de emo dele do que muitos machões tem no corpo todo!

E com isso termino minha lista, que achei um tanto enfadonha, mas espero que vocês gostem um pouco.

Eu vejo novelas… Todo o tempo…

14 maio

Antes que venham me azucrinar, não não assisto mais novelas. Quando eu tinha uns 12 anos até assistia, mas depois que fiquei velho elas parecem a mim simplesmente um apanhado das mesmas situações. Sempre pensei que nos núcleos criativos das televisões do país existia um manual de como fazer uma novela, dada a grande escala de situações semelhantes em todas elas. Provavelmente essa coisa exista mesmo…

Enfim, estou com vontade de falar sobre novelas justamente porque hoje acaba mais uma novela bossa nova cheia de ricos entediados que adoram passear pelo leblon. Sério, não sei qual a graça dessa merda. Mas como não assisto nada disso além das propagandas da televisão, não me importo.

A verdade é que, o objeto que me interessa neste momento é a novela em si. E não simplesmente aquela porcaria que todos os dias lota as grades de programação da TV aberta.

Não sei se todos sabem, mas as novelas começaram muito antes do rádio e da televisão sequer pensar em existirem. Isso no Brasil, sejamos claros de uma vez. Por aqui existia o hábito dos jornais de trazerem em seus números histórias serializadas. Essas histórias também são conhecidas como novelas e faziam os jornais venderem na época, assim como acontece hoje na TV.

Imagine o seguinte fato: Você é o senhor Fulano. Todas as semanas compra seu jornal de domingo para ficar a par das fofocas da corte ou do preço do café – caso seja rico, é claro. Sabendo disso, sua amantíssima esposa também gosta de folhear o periódico. Contudo o que ela mais procura é a continuação da história que lera no domingo passado, onde a mocinha e o mocinho estavam prestes a se beijar… Sim, as coisas nunca mudam… Não me surpreederia se a mulher intimasse o homem a comprar o jornal todos os domingos a fim de não perder nenhum capítulo da trama.

Acho que a coisa acontecia mais ou menos assim. Até porque não pesquisei praticamente nada sobre o tema e não sei como se dava a periodicidade dos jornais naquela época. E nem me interessa saber. O que interessa aqui é o fato da novela já estar enraizada na cultura popular – pelo menos o popular que sabia ler. E até entre os que não sabiam, certamente as pessoas conheciam alguma coisa a partir das conversas e comentários que um ou outro soltasse na rua ou em casa.

Igualzinho é hoje… É possível saber exatamente o que se passa numa novela sem nem mesmo assistir a um só capítulo dela, apenas ouvindo conversas dos outros. Claro que isso não é um hábito que se iniciou há meros 40 anos…

Muitos autores, hoje consagrados como clássicos brasileiros, já escreveram novelas. Machado de Assis e José de Alencar são dois dos mais famosos.

Machado de Assis também era noveleiro, crianças!

De fato, as novelas de hoje devem muito ao que esses dois escreveram e aos parâmetros estabelecidos, dados hoje como se fossem a tábua de salvação de qualquer autor. De José de Alencar veio a abordagem romântica dos mocinhos que se amam loucamente ainda que todas as adversidades do mundo se oponham a eles. De Machado vem a visão mais cínica e até de certa forma humorística sobre os hábitos, conceitos e preconceitos das pessoas.  Essa base toda migrou do jornal para o rádio e depois para a televisão hoje em dia.Tá tudo lá, é só perder um pouco de tempo hoje pra descobrir no horário nobre.

Ou seja, não é a toa que no Brasil novelas façam as pessoas parar na frente de uma televisão. Eu por mim, acho todas uma chatisse sem tamanho, mas como já terminei de escrever este texto acho que vão para sempre pensar que sou um noveleiro dos mais empedernidos.

Mas fora isso, podemos dizer que a novela teve caras importantes se preocupando com ela! Ou vocês acham que Memórias Póstumas de Brás Cubas já nasceu livro pronto? Não, Machado de Assis o escreveu como uma novela e só depois o organizou como livro, assim como muitos autores fizeram na época dele. Dava uma boa visibilidade escrever uma novela na época…

Hoje em dia autores não tem tanta visibilidade, nem mesmo credibilidade por escreverem novelas. Talvez pelo fato de existir o velado manual de fazer novela… Ou talvez as pessoas não dêem mesmo muita importância pra diversão que tem todos os dias quando chegam em casa.

Deve ser por isso que a audiência dela tem diminuido ano a ano. Sim, eu sei das pesquisas de audiência, me processem, sou uma fraude nerd… Quanto a mim, continuarei jogando videogame e lendo livros quando não tiver nada pra fazer. Televisão me dá angústia.

O homem mais impressionante do mundo.

10 out

Já vou avisando que o texto de hoje será longo. E um pouco tenebroso para algumas almas mais sensíveis ou impressionáveis. Mas nada temam, estou aqui para guiá-los pela via da loucura e falta de noção humana.

Até porque, suponho que poucos de vocês conheçem o assunto sobre o qual vou falar.  Tem, como no texto anterior, a ver com fantasia. Contudo, não é aquela fantasia calculada, medida e sonolenta do senhor Tolkien. Quero falar hoje de algo bem, mas bem digamos, intenso, que a saga dos anéis queimados.

Enfim, dissertarei sobre o que torna uma pessoa absolutamente comum, e de certa forma, invisível aos outros, num sujeito espetacular. Pessoas de verdade, devo acrescentar. Que fazem coisas fantásticas e assombrosas durante todas as suas vidas sem nem mesmo darem notícia disso enquanto estão vivas. E quando elas viram pó, todos finalmente descobrem que genial, ou louca era a criatura.

Antes de mais nada quero que conheçam este simpático velhinho:
Henry_Darger

O nome dele é Henry Darger, e por toda sua vida foi zelador de um hospital católico em Chicago. Esta é uma das poucas fotos tiradas dele, talvez pouco antes de morrer, em 13 abril de 1973, aos oitenta anos, mais ou menos.

Em vida, ele praticamente não foi nada além de zelador do tal hospital e levava uma vida um tanto reclusa, com poucos amigos. Assim como os jogadores de MMORPGs, só que bem mais produtivo. Vivia num quarto alugado nos últimos quarenta anos de sua vida e, ao morrer, os senhorios dele entraram lá pra jogar a tralha do defunto fora.

E olhem o que eles encontraram:

Não sei quanto a vocês, mas essa imagem me impressiona.

Não sei quanto a vocês, mas essa imagem me impressiona.

O que eles encontraram foi o trabalho de toda uma vida. Uma história que tinha 15.145 páginas datilografadas e mais uma infinidade de gravuras de autoria dele mesmo para ilustrá-la. Simplesmente o maior livro já escrito.

O livro tem um nome enorme, que eu chamarei simplesmente de A História das Irmãs Vivian. Nela, a Terra é uma lua que orbita um grande planeta onde a maior parte da população é católica. E neste mesmo planeta ocorre uma guerra entre a nação cristã de Abbieannia contra o regime de escravidão infantil de um tal de John Manley.

Dentro dessa guerra essas irmãs Vivian são princesas da nação cristã que teriam algum tipo de poder ou qualquer coisa que desequilibraria a guerra em favor de Abbieannia. Aliás as cenas de matança e torturas, nas quais muitas vezes incluem as irmãs, são de um detalhismo e crueza impressionantes.

Uma das singelas cenas da história.

Uma das singelas cenas da história.

Continuando, as cenas de torturas são uma constante na história. Quase que para demonstrar o caráter monstruoso dos vilões. Com direito a estupros e desmembramentos. A imaginação do velho não parava um segundo!

Lembrem-se que ele passou a vida inteira dedicado a isso. Trancado em seu quarto alugado, escrevendo e pintando sobre a história dessas meninas. Ele também criou uma espécie de auto biografia e outra obra chamada “Crazy House”, que tinha cerca de 10 mil páginas datilografadas

Henry costumava catar revistas e jornais, entre outras coisas, no lixo. Ele as usava como inspiração e nas colagens e gravuras que fez durante a vida. O que o deixava sempre com um aspecto um tanto quanto esfarrapado, embora dissessem que ele tentava o máximo possível se manter alinhado.

Não é muito certo, mas parece que ele tinha predileção pela foto de Elsie Paroubek, uma menina que fora sequestrada e estrangulada. Na época o crime comoveu a população de Chicago e, claro, nosso autor. Foto essa que apareceu num jornal local e ele depois perdeu, não conseguindo encontrar nem mesmo nos arquivos do jornal, uma vez que não lembrava da data. Alguns pensam que foi a foto dessa menina uma das principais causas que o inspiraram a escrever a história. Uma vez que o insidente principal que causa a guerra é o assassinato brutal de uma menina.

A menina Elsie Paroubek, que fora morta por estrangulamento

A menina Elsie Paroubek, que fora morta por estrangulamento

Henry Darger se via como um defensor das crianças vítimas de maus tratos. Certamente por ele ter sido uma criança mal tratada que passou de orfanato em orfanato, até atingir os 16 anos, quando conseguiu o emprego no tal hospital. Algumas pessoas que conviveram com ele dizem que ele pode ter sofrido de um tipo de esquizofrenia, o que explica esse comportamento compulsivo com relação a crianças.

Não, antes que um nerd burro pergunte, ele não era pedófilo, mas tinha obssessão por salvar crianças do que ele passou. Provavelmente a infância difícil tenha moldado esse caráter recluso e paranóico.

Tanto que no túmulo dele está escrito “Protetor das Crianças”.  Está lá no cemitério de Chicago se quiserem ver!

Antes que eu termine, devo dizer que nas suas gravuras, Henry muitas vezes pintava as irmãs Viviam nuas e com pênis ao invés de vaginas. Uns doidos dizem que era porque ele nunca viu uma mulher nua. Da minha parte, acho que seja algo mais simbólico, para representar o poder das meninas. Não consigo acreditar que um cara que trabalhou a vida inteira num hospital não tenha visto corpos nus de vez em quando. Mas a cabeça de cada um é problema pessoal.

Por fim, tenho a dizer que infelizmente não há nenhuma edição do livro dele de forma integral por aí. Eu já procurei como um louco e não encontrei. Contudo, o mesmo não ocorre com as gravuras que ele criou. Estas lotam a internet e podem ser vistas com facilidade.

Desnecessário dizer que, após a morte de Henry e a descoberta de sua descomunal obra ele se tornou uma espécie de estrela do meio artístico da época. Um típico exemplo de arte intuitiva, “outsider” ou qualquer nome que os idiotas acadêmicos gostam de dar para essas coisas.

Ainda hoje ele é visto como um marco…

Mas o que eu queria era a droga do livro, mas ninguém tem coragem de publicar 15 volumes com porrilhões de páginas! Droga, publicam o Harry Potter, porque não podem publicar isso? Só porque tem cenas sangue a dar com o pau com crianças envolvidas? Povo mais idiota.

Enfim, é uma das coisas que eu achei pela internet nos últimos anos e que mais me impressionou. Espero que vocês tenham se interessado por ele também. Se quiserem saber mais é só procurar. A internet é cheia de citações a ele.

Mas infelizmente pouco ou quase nada dos textos…

darger1

Mais uma dose! Ainda não terminei de escrever!

20 set

Ah…

A dose, a birita, meiota, trago…

Quantas pessoas não gostam de se esbaldar num copo de bebida depois do expediente, ou mesmo durante ele? Eu mesmo tenho histórias escabrosas de porres tomados durante o horário de aula da faculdade e… Melhor deixar essas enterradas. Ninguém quer saber dessas coisas, não é?

Enfim, desde que a humanindade passou a dominar os segredos dos destilados e fermentados o mundo mudou. Pra que escrever poemas e odes de cara limpa quando você podia muito bem fazê-los com a cabeça calibrada?

Um bom papo literário sempre é regado a um pouco de álcool.

Um bom papo literário sempre é regado a um pouco de álcool.

Temos que admitir que, desde que o processo de produção do álcool foi criado, a literatura ganhou e muito em riqueza. Ou alguém pensa que Homero falou sobre todos aqueles deuses e batalhas malucas de cara limpa? O sujeito tava era muito “alto” – ou com o senso de humor mais mordaz que o costume – quando imaginou que um corno moveria exércitos só pra pegar de volta a mulher que deu no pé com o jovenzinho rico e na flor da potência.

Poxa, imagine-se na época um rei. Pense que motivos o levariam pro fim do mundo com seu exército por causa de um corno velho com orgulho ferido. Eu não posso encontrar nenhum. Só posso imaginar uma grande piada de bêbado.

A Ilíada é a descrição de um porre de vinho da Trácia misturado com uma ervinha das bravas, essa é a verdade!

E os exemplos não param!

Avancemos um pouco mais na história. Para ser mais exato, Idade Média. Época negra, onde os livros eram mantidos a sete chaves nos mosteiros, onde monges os copiavam a fim de que eles não desapareçam. Mas só os que lhes interessavam…

Agradeçam aos árabes por poderem ler a obra de Aristóteles hoje, seus sacripantas. Se não fosse por eles, estaria tudo perdido. Mas muçulmanos não bebem então não entra na conta.

O importante aqui é o fato de tais mosteiros, além de estarem cheios de pios monges repletos de obrigações espirituais, também estavam lotados de barris e mais barris de bebidas alcoólicas! Mais ainda, devemos aos padres a invenção da cerveja, que nos refresca em todos os dias quentes de nossas vidas.

Sempre que for ao bar, agradeça ao padre mais próximo pela bênção da sua cerveja.

Sempre que for ao bar, agradeça ao padre mais próximo pela bênção da sua cerveja.

Vamos agora para a melhor parte, ao menos pra mim.

O romantismo!!!

Nunca se cometeram tantos excessos quanto naquela época! Nunca se bebeu, jogou, trepou ou se escreveu tanto quanto naquele maravilhoso tempo!

(Sei que é mentira, mas deixem eu manter minha ilusão, tá!)

Poemas e odes criados exclusivamente para se falar de álcool, drogas e sexo descontrolado. Cheiro de vinho e revolução em qualquer beco que se pudesse virar. Uma época primorosa. Gostaria de ter vivido nela.

Muito melhor que aquela pasmaceira de paz e amor dos hipongas dos anos 60.

À merda com paz e amor, eu quero é quebrar o pau e encher a cara de vinho e de mulheres!

Este, senhoras e senhores, é o legítimo ideal romântico. Não tem nada a ver com novela das seis, pelo que podem perceber.

Meu melhor exemplo disso é um belo garoto chamado Rimbaud. Quando tinha 16 anos amancebou-se com um homem bem mais velho. Como toda história de amor da época altas doses de absinto e drogas de todo tipo estavam envolvidos na coisa. O romance do nosso menino não foi bem, o que o fez buscar mais ainda os conselhos da fada verde. E devemos admitir que os conselhos dela foram muito bons para nosso amiguinho que gosta de rapazes. Alguns de seus melhores textos, como “Uma noite no inferno”, devem ter sido feitos sob forte efeito da sininho dos copos.

No fim, com 19 anos, Rimbaud cansou-se dessa vida tediosa. Parou de escrever e foi-se para a África, ganhar a vida como um pacato traficante de armas…

Quase na mesma época e com as mesmas preferências sexuais tempo Oscar Wilde. Mas ele é mais um vaidoso do que um louco embebedado… Talvez por isso as histórias dele me deixem entediado.

A história não para! Como a produção de bebidas. E onde existir um bêbado caindo sempre haverá a semente de um grande poeta! Logo, não despreze o bêbado, o respeite como o potencial pilar da cultura humana que ele pode ser.

A história em prosa e telas.

3 set

Eu sempre gostei de história. Sim, aquela disciplina que muita gente achava um saco na escola porque tinha que decorar um monte de nomes, datas e lugares. Pra mim era o momento onde eu poderia me redimir de todas as notas baixas tiradas em matemática e do desastre que eu era em educação física. Certo, ninguém dava bola para as minhas altíssimas notas em história… Mas eu gostava de esfregar na cara dos outros o fato de saber bem mais que eles usando um centésimo do mesmo esforço dispendido por meus colegas para simplesmente não aprender nada.

Admito, sempre fui um desgraçado vaidoso. E como na época não podia ser muito vaidoso com aparência – gordinhos sofrem – eu aproveitava a minha capacidade esponjosa de absorção de conhecimentos para tal.

Não é necessário dizer que, na qualidade de comedor de livros incasciável, acabei esbarrando também no que chamam de romances históricos. Sabe, aqueles livros que contam histórias de gente que já morreu e coisas que aconteceram há muito, muito tempo, quando sua bisavó era uma garotinha virgem e inocente, brincando pelo quintal… Muitas vezes bem mais tempo que isso, é verdade.

Romances históricos também servem para filmes com bonitas atrizes!

Romances históricos também servem para filmes com bonitas atrizes!

Acho realmente interessantes essas histórias.  Principalmente as que se passam na Idade Média ou Antiguidade. Claro, onde podem ser descritas as batalhas mais fodas da humanidade. Esparta e seus 300 malucos estão nessa enorme fatia de tempo.

Creio que grande parte do sucesso desse gênero – sim, eles fazer muito sucesso, continue lendo que falarei disso – deve-se ao fato das pessoas terem uma enorme curiosidade sobre o passado. Todo mundo quer saber, mesmo em pequeno grau, o que aconteceu no lugar onde mora há sei lá quantos anos. Todos gostam de olhar fotos antigas e imaginar como era sua rua, cidade e país na época em que foram tiradas. É um brincadeira divertida!

O que os romances históricos fazem é potencializar isso de maneira a pessoa se imaginar em lugares e épocas nos quais nenhuma nenhum conhecido seu esteve antes. Afinal, não conheci ninguém por aí com mais de 10 mil anos ainda. E se conhecer, certamente serei decapitado por sua enorme e afiada espada em questão de segundos, pois só pode haver um!…

Pra este cara, romances históricos são contos de comadre.

Pra este cara, romances históricos são contos de comadre.

Não resisti a piada pronta, me processem…

Enfim, é curiso ouvir falar sobre coisas que não existem mais. As pessoas até parecem gostar mais desse filão literário em detrimento de outros. Bernard Cornwell que o diga. O velho faz um sucesso desgraçado com seus livros históricos. E parece que ninguém ainda se satisfez. Mesmo eu ando lendo umas coisas dele e devo dizer, o cara é muito bom.

Pois livros como “Stonehenge” e as “Crônica Saxônicas” tem me divertido muito nos últimos tempos.

Eu nunca fui de ler esses livros da moda e super vendidos estou achando sensacional.

Confeso meu profundo preconceito contra quem está no topo das paradas dos cadernos literários. Não tenho problema com a pessoa ganhar dinheiro, longe disso. Ainda espero algum dia conseguir escrever um best seller de fama internacional. Entretanto, muitos deles são de péssima qualidade – outro assunto no qual vou entrar outro dia…

Na minha descartável opinião, eu poria as histórias do velho em pé de iqualdade com Quo Vadis e Guerra e Paz. E olha que rivalizar com o Tolstoi e suas descrições das guerras napoleônicas não é pouca coisa!

Claro, se o sujeito levar tudo escrito no livro ao pé da letra e imaginar as coisas terem sido realmente daquele jeito precisa reaver seus conceitos sobre fontes. Ou ler um livro de história de verdade, com marco teórico, objetivo e legitimidade acadêmica e tudo mais de pede o figurino. Mas aí voltamos às chatíssimas aulas de história. Além do que, livros de história acadêmicos não trazem contos de amor, ódio, esperança, intriga e tudo adoramos!

Parece que nosso amigo vai continuar pensando que Artur era um oficial romano na Britânia e outras coisas.

Deixa o povo pensar que a Cleopatra era assim...

Deixa o povo pensar que a Cleopatra era assim...

Afinal, os filmes sempre nos presenteiam com representações de figuras históricas. Muitas delas ficam realmente impregnadas na nossa mente, como a da moça aí de cima. Certo, não é mais moça há muito tempo, porém, felizmente suas fotos da juventude – e de seus belos “atributos artísticos” – continuarão para sempre entre nós.

Salve a internet e seus gordos desocupados maravilhosos!

Já que começamos a falar de cinema…

Queria uma bárbara dessas pra mim...

Queria uma bárbara dessas pra mim...

O cinemão adora esses temas, a verdade é essa. Do mesmo modo que livros, filmes históricos também atraem público. Ainda que sejam grandes hemorróidas purulentas de fedor sempre tem muita gente querendo assistir.

Um bom exemplo recente é Arthur. Aparentemente pegaram a saga que Cornwell escreveu e resolveram filmar. O que se configurou num atentado nojento ao cinema e a inteligência dos espectadores.

No fim, o que prestou lá foi a Keira Knihtley de top de couro pelos campos britânicos!…

Sim, eu gosto dela. Algum problema?

Vão se punhetar pra Mulher Melancia!

Mas sempre existem os filmes bons! Mel Gibson dirigiu “Coração Valente”, a melhor coisa que ele fez antes de despirocar e sentir tesão por torturas extremas e nojeira sanguinolenta. A despeito disso, ele continuou com temas relativamente históricos. O que vale uma olhada em produções dele como “Jesus” e “Apocalipto”. O segundo eu não vi, mas o primeiro assisti no cinema e posso dizer que é uma aula de tortura… Quer dizer, de como as pessoas viviam na palestina dominadas pelos romanos!

Bem, por hoje é só. Tenho que deixar registrado que hoje foi extremamente difícil escrever este texto. Preguiça e dispersividade altas estão entre meus motivos. Então, até mais!