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To the Moon, quando videogames não precisam de monstros.

20 set

Depois de uma longa estada em Final Fantasy XI, estou de volta. Sério, aquele jogo é do capeta. Só dei uma parada porque fiquei extremamente frustrado com a dificuldade de algumas coisas lá. Mas isso é outra história.

O fato é que aproveitei a parada pra jogar coisas que meu vício não me permitiu nas últimas semanas. Uma delas, obviamente, é o jogo do qual falarei agora.

Certamente todo mundo já está familiarizado com a explosão dos jogos indies. Sim, devido ao milagre da tecnologia, pessoas comuns podem fazer jogos que as grandes empresas não tem mais colhão ou criatividade pra fazer. E aí entra To the Moon, o jogo mais simples e mais emocionante que já tive a chance de jogar até hoje.

Só pra vocês terem uma ideia, fiz força pra não chorar como um bebezinho no final dele, mas não evitei ficar com os olhos marejados.

Pois, é…

A história do negócio é a seguinte: no futuro, uma empresa desenvolve um aparelho que consegue implantar memórias artificiais nas pessoas. Mas como fazer isso em alguém saudável pode levá-lo à loucura decidiram então que seria uma boa ideia usar a invenção em pessoas à beira da morte. Assim teriam uma experiência de completude e extrema felicidade momentos antes de falecerem.

Johnny é uma dessas pessoas. Um homem idoso em suas últimas horas cujo maior desejo é ir para a Lua, mas ele não sabe por que. Cabe aos doutores Rosalene e Watts, empregados da empresa que criou o aparelho, concederem esse desejo.  Para isso, precisam entrar nas memórias dele, começando pela mais recente até a infância, modelando-as para que Johnny possa morrer pensando que realizou seu maior sonho. Assim os dois atravessam episódios da sua vida, tentando descobrir onde exatamente esse desejo de ir à Lua começou e como fazê-lo se tornar realidade nas suas lembranças.

O jogo é extremamente simples, mas com um roteiro e trilha sonora que deixa muitos grandes no chinelo. Aliás, nesta geração não vi nenhum jogo com a carga emocional do To the Moon. Ele consegue ser dramático e engraçado na medida certa. Sem apelar paras os clichês retardados cheios de dramalhão furado ou comédia forçada  que sempre aparecem por aí, principalmente em RPGs japoneses. A história toda é sobre a vida de uma pessoa que não foi nada de espetacular. Não foi famoso, rico, excêntrico nem nada. Um homem normal, com sua esposa, parentes e amigos. Suas alegrias e suas tristezas. E alguns segredos que  Johnny há muito tempo esqueceu e bloqueou em sua mente… Enfim, muito parecido que a vida de todo mundo. Conduzido com uma trilha sonora magistral que traz mais peso ainda para as cenas, sejam elas cômicas ou dramáticas. Sim, a música é realmente muito boa!

E pensar que tudo isso foi feito basicamente por uma pessoa só usando Rpg Maker XP como engine! Sim, garotos, vocês podem fazer algo que presta com isso, é só terem dedicação e um pouco de talento!

Acho bom dizer que se você quer um desafio, melhor nem chegar perto do jogo. Não há nada disso nele. O jogo inteiro foi feito claramente para se contar uma história e não para você se gabar que venceu o chefão de 100 porrilhões de HP usando um cabo de vassoura como arma. Não há a menor possibilidade de perder no jogo. O mais próximo de desafio que encontrei foram quebra-cabeças que aparecem de vez em quando, embora eles mesmos sejam bem fáceis.

Creio que esse seja o começo de um modo de contar histórias usando videogames sem ficarmos presos a essas regras de sempre precisar de lutar contra algo. Até porque, jogos eletrônicos têm um potencial muito maior de te emocionar do que um filme em muitos casos. Pelo menos essa é minha opinião. Afinal, enquanto no filme você é um espectador passivo, no videogame você está vivendo aquilo tudo.

Essa pra mim é a grande mágica de To the Moon. Você fica preso àqueles personagens por pouco mais de cinco horas – o jogo é bem curto mesmo – determinado a saber porque aquele sujeito quer tanto ir para a Lua se nem ele mesmo se lembra o porque. Você está lá, na pele dos cientistas, procurando pistas em meio às memórias de uma vida inteira no intuito de satisfazer esse desejo.

E nos seus últimos momentos o jogo te dá aquela pancada que te faz chorar!  Mesmo que você saiba desde o começo o que vai acontecer, não deixa de ser emocionante. Eu, pelo menos resisti bravamente!

No final dos créditos você descobre que esse jogo é só a primeira parte de uma série na qual os produtores já estão trabalhando os próximos capítulos.

Acho que vou parar por aqui senão vou chorar pra valer lembrando disso.

Fiquem com uma das músicas do jogo:

Final Fantasy, os primeiros jogos. Uma resenha idiota.

17 jul

Sim, eu sei, não escrevo mais sobre literatura no blogue. Mas tenho um bom motivo: Não tenho lido nada ultimamente e não me sinto mais seguro em escrever textos teóricos – ou seja, estou sóbrio. Logo, vou falar sobre Final Fantasy pela milionésima vez. Contudo, detendo-me nos três primeiros jogos.  Mas antes que perguntem, não, eu não vou falar das versões antigas pra NES. Aquelas coisas são injogáveis até mesmo pra um fóssil da era mesozoica como eu.  Contudo, se você é um nerd adorador de velharias e acha que nunca deveriam ter tirado seu amado mega-drive do mercado, aconselho a parar de ler isto imediatamente. Até porque falarei das verões de Final Fantasy I e II para PSP e o remake de Final Fantasy III para DS. Chega de enrolação, então!

Final Fantasy I e II

Acredito que boa parte de vocês ao menos tenha ouvido falar dos dois primeiros jogos da série. E também imagino que conhecem a velha história de que o primeiro jogo salvou a Square da falência colossal – algo que nem mesmo Sakaguchi poderia prever, tenho certeza. Pois bem, o jogo tirou a empresa da lista dos candidatos à bancarrota e ao harakiri de seus membros ao mesmo tempo que tornava-se um clássico entre os desocupados do mundo inteiro!

Imaginem então, nosso Sakaguchi, ter ouvido numa tarde dos longínquos anos 80 a ordem de seu chefe de criar um jogo que prestasse, senão o jeito era botar todo mundo no olho da rua e fechar as portas. Pensem na tensão que esse pobre homem sofreu naquela noite, ao som de Prince e Madonna… Junte a isso uma garrafa de uísque e pronto! A receita para se criar um clássico!

Assim ele adormeceu e sonhou… E no sonho viu quatro guerreiros da luz escolhidos pelos cristais para salvar o mundo das trevas. Claro que isso não é nem um pouco original. Então seu cérebro alcoolizado elaborou as mais diversas criaturas, lugares e situações, até chegar no que temos hoje: Final Fantasy I.

O jogo em si não é grande coisa, mas sabe-se lá por que vendeu horrores no Japão e reabasteceu o caixa da moribunda Square. Você pode escolher entre classes básicas como mago negro, guerreiro ou ladrão e vai de cidade em cidade resolver os problemas das pessoas até dar de cara com o vilão final. Nerds do mundo todo babam o ovo desse jogo por sua versão original ser tão somente difícil. Bem, eu não acho que nível de dificuldade faz um jogo bom ou ruim, O problema é que FFI não é só difícil em sua versão para NES, é frustrante. Se você nunca jogou, experimente e verá hordas de goblins avançando em cima de seu grupo de guerreiros bostas, numa derrota estupenda, para você. Enfim, nerdice e masoquismo volta e meia andam juntas

A certa altura do jogo, seus personagens podem melhorar as classes. Seu guerreiro torna-se cavaleiro, o mago ganha magias que podem eliminar um exército inteiro, etc – embora eles sempre precisem de uma mísera chave enferrujada para abrir uma porta caindo aos pedaços.

Bem, acho que é isso que posso falar de FFI. Não sei se satisfez a vocês, então, estou preparado para as pauladas dos fanboys sem vida sexual e os pedidos encarecidos das moças por uma demonstração ao vivo de como brandir uma espada! Agora o próximo!

Em FFII as coisas mudam um pouco de figura. Devido ao enorme sucesso do primeiro, a Square achou por bem deixar Sakaguchi devidamente abastecido de músicas pop e psicotrópicos. Sabe-se lá quando o homem vai ter outra viagem daquelas… Mas ele teve. Uma viagem com quatro garotos que tiveram sua cidade destruída por um imperador maluco e com sérias tendências homossexuais – coisa que, daqui pra frente, aparece muito durante a série.

Admito que ainda não joguei muito desse jogo por vários motivos, sendo um deles desinteresse total. Mas pelo que fiz deu pra perceber que o sistema de batalha mudou radicalmente, não há classes e eu até agora não sei direito como funciona aquilo pra falar a verdade. Ah, sim! Os personagens têm alguma personalidade neste jogo, Não são apenas bonecos como os do anterior. Talvez as doses de uísque com Madonna tenham sido maiores dessa vez, vá se saber. Contudo, esse jogo demorou ainda muitos anos para chegar ao ocidente, ficando apenas disponível através de traduções livres de desocupa, digo, fãs da série.

E pela primeira vez na franquia temos um jogo com uma história que não foi escrita por um moleque de primeira série! Mas sim por um moleque da quinta série! E isso foi um grande avanço, podem ter certeza. O jogo começa com os respectivos garotos tentando fugir da cidade em chamas, mas logo são interceptados por soldados inimigos e tomam um tremenda coça que deixa todos à beira da morte. Pelas leis da conveniência universal eles são resgatados pela Resistência – não a do John Connor – e passam a lutar ao seu lado contra o império. Ao mesmo tempo esses garotos procuram o amigo deles, que também estava fugindo, mas desapareceu sem deixar rastros. Até legal pra um jogo de NES. No fim eles enfrentam o imperador Clóvis Bornay e todos são felizes para sempre!

Próximo!

Final Fantasy III

Prepare-se. Estamos entrando agora em território demoníaco. Vendo que Madonna já não era a mesma coisa e que a bebida já não lhe fazia efeito, Sakaguchi fez um pacto com todas as entidades demoníacas e youkays que a cultura japonesa pode conceber. Ali em cima disse que FFI é difícil? Sim, ele é mesmo. Mas FFIII ultrapassa o humanamente possível em dificuldade. Você começa como Luneth – já disse que falarei da versão de DS –, um sujeito idiota que cai num buraco porque vive com a cabeça nas nuvens. Lá dentro toma imediato contado com seres meigos, chamados goblins – sim, eles mesmo! Armado apenas de umas pedrinhas ele os enfrenta e vence. No decorrer de sua aventura para sair do buraco onde se meteu acaba, encontrando o Cristal que o escolhe como um dos guerreiros da luz – acho que Sacaguchi andou lendo muito Paulo Coelho naquela época… Daí consegue voltar para sua vila, de onde parte em sua jornada para salvar o mundo, acompanhado de seu amiguinho medroso e cagão. Também no grupo entrarão Refia, a filha do armeiro da vila mais próxima e Ingus, um cavaleiro metido a fodão

É de se falar também que neste jogo que o sistema de jobs de Final Fantasy atingiu quase a plenitude – embora trocentos nerds discordem de mim, mas eu não me importo. São dezenas deles cada vez que você encontra um cristal e milhares de oportunidades de estratégia. Quanto a história, não é nada interessante. Apenas encontre os cristais e mate o vilão no final – como serão os outros jogos da série até FFVI. Mas a grande característica do jogo é sua extrema dificuldade. Nada é conseguido de forma fácil nele. Há passagens nas quais é necessário apenas usar magias, pois você está miniaturizado e seu cavaleiro cheio de força não vale absolutamente nada nelas. Os chefes do jogo parecem ter tanto HP que dá pra pensar que a memória do jogo foi gasta quase toda com isso. Fora os monstros apelões…

Pra terminar falarei de duas coisas. Primeiro, dos personagens que aparecem para ajudar o grupo ao longo da trama. Não sei se eles aparecem na versão de NES, mas nesta eles ficaram muito bem bolados. Com destaque para Desch, um sujeito que perdeu a memória e apenas sabe que precisa chegar numa torre o mais rápido possível. O que não faz ele deixar de ser um idiota completo, passeando pelo ninho do Bahamut sem nenhum motivo… A segunda coisa chama-se Cloud of Darkness, o inimigo final do jogo – que, na verdade não passa de uma puta praticamente nua. Daquele tipo de chefe imortal, ao menos que você despache os quatro chefes quase imortais que a circundam. Mesmo assim ela não deixa de ser extremamente apelona. Um prato cheio para os nerds com sede de desafio e toneladas de tempo livre.

Por enquanto é só. Se gostarem, quem sabe eu fale dos outros jogos da série. Ou posso escrever sobre literatura e tentar parecer um pouco mais intelectual… Vocês escolhem.

11 jan

Então, dando uma pausa nas minhas infindáveis leituras do Cracked.com (dá uma lida lá, é bem legal o site) vou tentar escrever um post nesta benga abandonada há meses. Logo, como não tenho lá muito assunto pra discutir agora, vou falar novamente sobre algo que gosto muito. Modos de contar histórias em videgames, ou melhor em RPGs!

Sim, desde Final Fantasy a The Elder Scrolls cada jogo tem um modo diferente ao seu público. Por exemplo, nosso amigos japas de FF gostam mais de histórias bem lineares com personagens definidos e enredo fechado. Não que isso seja uma regra de ouro, normalmente não é. Mas até agora nenhum Final Fantasy me permitiu simplesmente matar a porra de um dono de lojinha e roubar todo o estoque – embora roubar armas ruins e  potions não estejam nas melhores modalidades de loot… Tá, isso não é o que você pode dizer de super interatividade. Só porque você pode matar quase qualquer um em Skyrim não significa que o jogo deixe de ter uma linha para seguir se você quer ver o final daquela porra toda.

O que eu quero dizer é: mesmo com suas semelhaças, são duas formas de contar histórias diferentes. Olhe nosso amigo Dragonborn aí em cima. Fodão, badass, pronto pra arrancar a garganta de um dragão e mijar na cabeça dele no processo.

Ao passo que a maioria dos JRPGs trazem heróis assim:

Sim, eu quero aborrecê-los com isso.

A questão não é dizer qual é o melhor. Mas os modos como as coisas são feitas.

Não vou arrotar cultura sociológica que não tenho pra dizer como pensa um japonês (pra isso deixo os otakus) nem um norte americano, francês, tonguelês ou o diabo que seja. Só posso dizer que japoneses há algum tempo basearam seus modos de contar histórias em RPGs de videogame gradativamente ligados à cultura do mangá e do anime, que por lá deveria ser bem maior do que de videogames na época. Ocidentais preferiram continuar a repetir as regras dos bons e velhos RPGs de mesa em sua maior parte.

E como isso funciona no jogo em si?

Bem, como mídia mais baseada na cultura pop japonesa anterior a eles, tempos personagens que poderíamos encontrar em qualquer mangá nas bancas de lá. Infelizmente, ninguém até agora inventou de fazer um RPG nos moldes de Hokuto no Ken… Mas um jogo assim jamais conseguiria ser terminado, então parece que é melhor que não façam…

Voltando ao tema…

Como os japoneses focam muito em seu próprio mercado – sim, eles estão pouco se fodendo pra ocidentais – claro que eles fariam jogos com histórias mais ao gosto do seu público. Nisso temos um monte de jogos nos quais o protagonista é um garoto/jovem que perdeu família/amigos/o cachorro/a virgindade e sai pelo mundo numa busca por seu eu pessoal ou vingança, ou diversão mesmo – estou olhando pra você, Justin, seu retardado! No caminho pode, ou não, topar com organizações satânicas responsáveis por toda merda que aconteceu na sua vida ou que simplesmente querem esmerdear tudo sem nenhum motivo aparente até minutos antes da última batalha. Sendo que a última batalha é travada contra o super vilão mega poderoso que por alguma arte sinistra torna-se um semi-deus antes de ter sua bunda humilhantemente chutada pelos heróis. Ah! Tem sempre um super vilão doido pra foder a porra toda só porque é malzão ou deseja algum lucro que só ele entende.

Isso tudo temperado por horas e horas de grinding enlouquecido.

Acho que descrevi mais ou menos 90% de todas as histórias de RPG japonesas criadas até hoje. Salvo algumas variações mínimas, a coisa é bem aquilo mesmo.

Então vamos aos RPGs ocidentais!!!

Esses são mais simples. Só ver qualquer campanha de Dungeos n’ Dragons, Vampiro ou sei lá qual sistema de jogo de mesa tenha por aí. Certo, temos pérolas como Mass Effect ou Fallout para mostrar, mas a maior parte é composta por jogos medievais genéricos que só se diferenciam pela história ou mesmo gameplay. Ou personagens que pareçam capazes de arrancar a cabeça de um ogro com o dedo mindinho enquanto tomam um tonel de vinho…

“Então RPGs japoneses são superiores, seu retardado! Vá voltar a jogar Skyrim e pare de escrever merda.” Grita você para mim. Mas calma! Ainda não terminei e nem estou escrevendo isso pra dizer que um é melhor que o outro, embora existam jogos de ambos os lados que sejam grandes pilhas de merda fumegante, sobre as quais falarei amanhã ou outro dia qualquer.

Acho que é hora para chegar numa conclusão nesta merda.

Enquanto RPGs de mesa continuam mais ou menos intocados em suas influnências e influenciam também criadores ocidentais de RPG de videogame os japoneses decidiram ir por outro caminho. Nisso também passam as mecânicas de jogo. Mas esse não é meu problema, quero falar de histórias e não como bater num bicho usando ou não menus. Então, da próxima vez que falar de algum jogo do gênero por aqui, será baseado no que acabei de escrever e não na preferência de qualquer nerd à toa por aí. Logo, se você ama um lado e odeia o outro, por favor, vá a merda.

Brevemente, ou não, v0ltarei com mais coisas ou algo mais interessante.

O demônio dos videogames

8 maio

Desde que eu voltei a jogar videogame de forma sistemática começei a jogar RPGs. Isso todo mundo sabe e está cansado de saber. Nesse tempo joguei e descobri vários jogos do gênero, a maioria muito boa até. Certo, tem uma minoria execrável, mas não vamos falar deles, não é Wild Arms?

Mas no fim das contas a grande maioria só conheçe mesmo Final Fantasy e Dragon Quest, até porque são os mais famosos do ramo. Mas existem muitos, conhecidos apenas por nerds ultra-malucos que dedicam seu tempo, dinheiro e sanidade a descobrir essas coisas. Pelo menos aqui neste canto do mundo.

Quem se encaixa muito bem nessa categoria é a franquia de jogos chamanda Shin Megami Tensei, mais conhecida como megaten(não me pergunte o porque do nome, todo mundo usa isso).

Tudo começou com um romance obscuro escrito no Japão que fala sobre a invasão do mundo por demônios invocados por computador. Parece que a história era uma bagunça e nem o autor gostou muito dela. Nota-se que o livro seja obscuro então…

Enfim, lá pelo final da década de 80, a produtora de jogos Atlus devia estar meio sem idéias para seus jogos, visto que já tinham sido criados todos os encanadores e bombados com metralhadoras que os videogames precisariam até hoje. Dessa necessidade premente, algum funcionário, talvez o faxineiro esquisito e fã de bukake, apresentou o livro aos chefões, que miraculosamente gostaram da idéia. Provavelmente esse nosso faxineiro tarado deve ter encontrado o tal livro num sebo fedorento de Tokio sendo vendido por coisa equivalente a dois centavos, mas isso não interessa.

O que interessa é o que isso gerou!!!!

Um jogo podre para NES!!!!

Nem sei se o jogo era tão podre, mas a turma não gostou muito. Parece que contava basicamente a história do livro, mas não interessa agora.

O que interessa é que o troço gerou outro jogo podre para o nintendinho. Não sei se o negócio fez sucesso ou não, mas parece que a Atlus gostou da coisa.

Aliás, devo dizer que os primeiros jogos para NES se chamavam só Megami Tensei. O “shin” só passou a valer a partir do jogo para SNES até hoje. Só um pouco de cultura inútil pra vocês…

Mas o que contém esses jogos, vocês me perguntam?

O DEMÔNIO!!!!! DEMÔNIO!!!!!

Sim, garotinhos. Megaten possui temática satanista em pelo menos 95% dos jogos. Pelo menos é o que muita gente pensa. Mas vamos raciocinar: o jogo vem do Japão, japoneses são budistas, logo, não ligam pra mitologia cristã ou qualquer coisa parecida. Assim, eles brincam do jeito que quiserem com as coisas que fariam sua avó perder os cabelos.

Por isso não jogue megaten na frente de seus parentes, ouviu? Principalmente se você conseguir o Lúcifer pra invocar… Pode gerar sérios desentendimentos familiares…

Como falei em invocar o Lúcifer vou contar um pouco da mecânica. Os jogos se baseiam em seu personagem invocar demônios e usá-los como auxílio em combate. Como isso é feito varia de jogo pra jogo, mas basicamente o negócio é fazer o pacto com o demônio, usar na batalha até ele ficar forte e fundir com outro pra fazer um demônio mais forte e assim por diante. Um pokemon do inferno, pra falar a verdade.

Mas o que realmente me cativa nesses jogos são as histórias. Nos jogos principais da série sempre é usada a temática do fim do mundo e, depois que tudo vai pro saco, o herói da história tem o poder pra decidir pra onde tudo irá daí por diante. Ou seja, o protagonista pode decidir se ficará do lados dos demônios infernais e criar a terra do capiroto por todo o sempre, ser um cara bonzinho(e sem graça!!!) ou não dar bola pra nenhum dos lados e ver o que acontece depois. Com uma temática dessas não me admira que nenhum dos primeiros jogos foi traduzido oficialmente para o ocidente. Ou você acha que a mamães iriam gostar de seus filhinhos usando demônios para lutar contra YHWH? – um dos nomes de Deus para quem é inculto. Sim, esta é uma das possibilidades do jogo!

Assim, só os nerds realmente loucos já jogaram esses jogos. Até porque eles tem uma dinâmica horrorosa de gameplay, pelo menos os dois primeiros… Mas não vou falar disso aqui.

Mas megaten não são só capetas encapetados lutando contra Deus. Não senhor! Existem outros jogos paralelos que fazem parte da franquia. Entre eles está Persona, uma versão light, digestível e cheia de jovenzinhos saudáveis… Usando demônios para lutar… Mas desta vez os bichos são chamados de personas e funcionam como uma espécie de força espiritual que dá poderes aos meninos.

Persona sempre tem uma temática mais voltada para adolescentes e estudantes. Isso explica porque tem sempre uma escola envolvida no processo. Principalmente, Persona não trata de temas tão pesados quando os títulos principais. Mas lutar contra um grupo de ocultistas que pretende ressucitar Hitler – tema de Persona 2 – não é enredo de Pokemon…

Pra terminar, megaten é cheio de demônios para se ver. Desde os mais conhecidos como Lúcifer até um… bem… melhor mostrar do que descrever:

Mara (Maravilha), o demônio pintão!!!!

Fora os capetões do mal, também temos anjos, fadas e mais um monte de entidades. Mas eles não são tão legais quanto colocar Baphomet, Lilith e Lucifer no mesmo grupo…

Acho que é mais ou menos isso que eu queria dizer sobre a série. Outro dia falarei sobre cada jogo individualmente, mas não esperem muito por isso.

Por fim, fiquem com o logo altamente satânico da série.

Sonhem com os capetinhas!

O jogo mais injustiçado do mundo

27 ago

Muito bem, esta semana parece que estou um pouco mais produtivo que o usual. Então vou escrever mais umas coisinhas pro blogue ainda sobre o tema videogame. Sim, estou meio sem livros aqui e os filmes são chatos, então sou obrigado a falar de um dos meus passatempos preferidos, depois de escrever merda no twitter, é claro.

Certamente vocês não conhecem um jogo chamado Rudora no Hihou. Também eu não conhecia há algumas semanas. Aliás, quase ninguém, além dos japoneses, conhecia tal jogo. O máximo que ele teve de reconhecimento por aqui nas terras do sol poente foi por parte de nerds absurdamente loucos, que conheciam japonês o suficiente para jogá-lo e babar em cima. Ou seja, uns quatro ou cinco caras que devem ter 30 anos hoje e nunca treparam na vida… Contudo, para sorte das pessoas normais, um desses nerds assexuados resolveu fazer algo de útil e traduziu totalmente a belezinha para nós!

Isso foi há uns poucos anos já… Mas o jogo continua conhecido apenas por nerds virgens cheios de espinhas e tempo livre para postarem em trocentos fóruns diferentes na internet. Bem, eu vou tentar mudar um pouco isso agora.

Sigam-me os bons!

Muito bem, Rudora no Hihou – ou sua tradução Treasures of the Rudras – é um RPG para Super Nintendo. Um dos últimos jogos a serem feitos para o videogame e o último jogo da Square para o bichinho também. O jogo em si usa praticamente os mesmo gráficos de Final Fantasy VI mas tem um sistema um pouco diferente. Pra começar as magias, ou mantras como são chamados, não são aprendidos, comprados ou qualquer coisa parecida. Simplesmente você escreve um nome no lugar indicado e ele pode se tornar uma magia. Pode parecer legal no começo, mas eu achei um inferno encontrar os poderes mais fortes sem um bom guia me ajudando. Fora isso é o típico RPG japonês de sempre: Viaje pelo mapa do mundo passando por cidades, florestas, templos, etc, enfrente inimigos e no final salve o mundo da ameça da escuridão escura e malvada. Verdade, JRPGs nunca foram lá modelos de criatividade, mas têm seu charme.

Mas suponho que vocês queiram que eu fale da história, até porque isto aqui é pra falar de histórias e não perder tempo com aspectos técnicos das coisas!

Enfim…

O mote de Treasures of the Rudras está no conceito de morte e ressureição ao que parece das religiões indus. Digo isso porque o jogo tem uma porrada de nomes indus e não porque sou um profundo conhecedor do troço. No começo diz que o mundo a cada 4 mil anos, é destruído por uma entidade super poderosa – os Rudras – que depois de terminado o serviço estabelece outras formas de vida no lugar.

Assim, vária raças já foram quase extintas no momento que a história começa.

Desnecessário dizer que o jogo acontece justamente faltando 15 dias para o próximo Rudra aparecer e quebrar geral…

E às vésperas desse fim de mundo acompanhamos de início três jornadas diferentes! Sim, o jogo se divide em três histórias paralelas, onde os personagens se cruzam de vez em quando. Ao que parece, no final os protagonistas juntam-se para a última e descisiva batalha contra as forças do mal e da escuridão! Mas não cheguei nessa parte ainda, então tenho que esperar pra ver.

O mais interessante contudo que eu acho nesse jogo é como a história foi dividida. Enquanto se joga com um grupo, por exemplo, o guerreiro idiota que quer ser o mais forte, ao avançar coisas vão acontecendo ao mundo e o mudando. E você só saberá o que aconteceu exatamente quando ver a jornada de outro personagem. Acho interessante o modo como se divide a narrativa.

Normalmente num jogo a coisa toda é dada de uma vez e, mesmo que existam grupos diferentes fazendo coisas diferentes ao mesmo tempo, parece que ambos estão praticamente fazendo a mesma coisa. Em Treasure of the Rudras não. Todos os personagens tem uma motivação distinta do outro e a coisa só avança para o “vamos salvar o mundo” só pelo meio do jogo – em algum momento isso tinha que acontecer, né?

Enfim, é um jogo que eu considerei muito bom e que vale a pena ser jogado por quem gosta do gênero e tem paciência pra ver uma história complicada. Até porque, se alguém que nunca jogou nem mesmo um Final Fantasy na vida, vai achar o troço a coisa mais irritante e nonsense do mundo. Embora pareça mesmo.

Apesar de todas essas qualidades, Treasure of the Rudras é um jogo pouco conhecido, até mesmo no Japão. Talvez porque foi um dos últimos jogos do já moribundo Super Nintendo. Ou talzez foi ofuscado pelo sucesso brutal de Chrono Trigger e outros jogos do gênero na mesma época. Mas é bom saber que a Square fez outra coisa legal para o console a despeito da histeria coletiva que existe até sobre Final Fantasy VI e Chrono Trigger. Não é um jogo perfeito, mas é perfeito pra perder tempo num domingo chato.

Pra quem quiser jogar, hoje qualquer torradeira emula um SNES, não precisa ter um super computador. Só é mais difícil achar o jogo em si, já que é uma coisa meio underground. Nada que o oráculo não possa resolver.

Acharam mesmo que eu iria passar o link aqui? Quem sabe no twitter…

Vampiros, o terror da literatura.

22 nov

Então, hoje falaremos de um assunto terrível. Terrível e dentuço… Não, não é da Mônica, caso sua mente infantil e besta tenha pensado nisso. Vamos conversar sobre outro tipo de dentuço, que não usam vestido vermelho nem tem um coelho de pelúcia azul.

Vampiros!…

Parece que todo mundo gosta de histórias de vampiros. O que muito me surpreende porque até hoje eu nunca li um livro decente sobre o assunto. Sério, o Drácula de Bram Stoker é o troço mais chato e anticlimático que já li em toda minha vida. Drácula não faz nada de interessante a história toda e morre do jeito mais idiota possível no final.

Tem também os romances de Anne Ricce, que eu acho extremamente sem graça também. Mas são até melhores que o clássico.

Agora estamos vivento a febre dos vampirinhos emos que brilham(!?) ao sol e tem crises existenciais sobre morder ou não a menina chata que se joga em cima deles… Que história sensacional!… Isso se você for uma adolescente vinte quilos acima do peso e com  sérios problemas emocionais e de relacionamento. Qualquer ser humano normal dá risada dessa história. Mas quem disse que adolescentes, e ainda mais nesse estado, são seres humanos normais?

Mas não, meus queridos. Não ficarei o texto inteiro falando mal das historinhas insossas de Crepúsculo e afins.

Minha questão é um pouco mais profunda:

Como um tipo de personagem que só tem gerado as maiores bombas literárias da história traz tanto fascínio?

Já pensaram nisso?

Cara, NENHUMA HISTÓRIA SOBRE VAMPIROS É BOA! Absolutamente nenhuma. São todas um saco.

É claro que os fanzocas de Anne Ricce e dessa safra nova de chupadores(?) de sangue irão discordar de mim. Contudo, eu não dou a mínima pra eles e podem gritar à vontade. Se quiserem podem até comentar que ficarei feliz em falar mais mal das coisas que vocês tanto amam, manés!

Mas será que algum de vocês pode encontrar a resposta? Por que esse fenômeno estranho?

Eu penso que a resposta reside no fato de que livros ruins acabaram ganhando boas adaptações cinematográficas e em jogos de RPG. Pergunte ao seu amigo que leu Drácula e depois viu o filme qual ele acha melhor. Eu voto no segundo sem pestanejar.

Foi simplesmente o cinema de terror que criou o que é o vampiro hoje. Depois embalou num pacote pra todo mundo comprar e a galera vai engolindo.

Não que eu desgoste disso. Bons filmes serão sempre bons filmes. Mas é estranho ver que vampiros só se dão bem na telona do que em páginas. Novamente, não falo dos “novos” filmes de vampiros, não me comprometam.

Nem adianta olhar assim, você sabe que é verdade.

Então, vampiros só seriam bons personagens para filmes, certo?

Ao que eu respondo, não sei. Até porque, eu realmente não li nenhuma história em que um vampiro seja realmente interessante. São sempre os mesmos clichês de sempre. O cara atrai a vítima, geralmente uma mulher, a seduz, bebe seu sangue e eventualmente a transforma numa vampira que irá repetir o processo. Como um ciclo de reprodução.

Sim, vampiros são meros animais cujo interesse é ficar mais forte e se reproduzir. Não se engane, essa sempre foi a premissa básica da coisa. Logo, não vejo como personagens interessantes podem ser criados embaixo disso. Minto, até vejo, mas creio que nem se pode chamá-los de vampiros…

É uma coisa complicada. Até jogos de RPG e videogames usam a mesma premissa, com grande sucesso devo acrescentar.

Vampiro, A máscara é um dos RPGs mais conhecidos do mundo depois de Dungeons and Dragons. A série Castlevania é uma das mais lucrativas dos videogames.

E irritantes também, devido a sua dificuldade insana.

Até hoje eu não passei da maldita fase da montanha de Castlevania: Order of Ecclesia do Nintendo DS. Jogo desgraçado que só me faz raiva!…

….

Enfim, a coisa não muda drasticamente de um mídia pra outra.

O jogo pode até ser bom, mas é sempre mais do mesmo.

Finalizando, no fim, vampiros são apenas animais selvagens que precisam ser caçados para que não matem as pessoas. É isso e ponto. Qualquer abstração do conceito gera coisas chatas como os livros da Anne Ricce ou mesmo os vampirinhos adolescentes emos.

Isso é certo e não se pode mexer? Não sei, ninguém fez nada melhor até hoje, já disse. Mas caso alguém, nos próximos anos, venha a ter uma grande idéia estarei pronto para ouvir. Afinal, eu também gosto de histórias de vampiros, apesar de a grande maioria ser horrorosa!