To the Moon, quando videogames não precisam de monstros.

20 set

Depois de uma longa estada em Final Fantasy XI, estou de volta. Sério, aquele jogo é do capeta. Só dei uma parada porque fiquei extremamente frustrado com a dificuldade de algumas coisas lá. Mas isso é outra história.

O fato é que aproveitei a parada pra jogar coisas que meu vício não me permitiu nas últimas semanas. Uma delas, obviamente, é o jogo do qual falarei agora.

Certamente todo mundo já está familiarizado com a explosão dos jogos indies. Sim, devido ao milagre da tecnologia, pessoas comuns podem fazer jogos que as grandes empresas não tem mais colhão ou criatividade pra fazer. E aí entra To the Moon, o jogo mais simples e mais emocionante que já tive a chance de jogar até hoje.

Só pra vocês terem uma ideia, fiz força pra não chorar como um bebezinho no final dele, mas não evitei ficar com os olhos marejados.

Pois, é…

A história do negócio é a seguinte: no futuro, uma empresa desenvolve um aparelho que consegue implantar memórias artificiais nas pessoas. Mas como fazer isso em alguém saudável pode levá-lo à loucura decidiram então que seria uma boa ideia usar a invenção em pessoas à beira da morte. Assim teriam uma experiência de completude e extrema felicidade momentos antes de falecerem.

Johnny é uma dessas pessoas. Um homem idoso em suas últimas horas cujo maior desejo é ir para a Lua, mas ele não sabe por que. Cabe aos doutores Rosalene e Watts, empregados da empresa que criou o aparelho, concederem esse desejo.  Para isso, precisam entrar nas memórias dele, começando pela mais recente até a infância, modelando-as para que Johnny possa morrer pensando que realizou seu maior sonho. Assim os dois atravessam episódios da sua vida, tentando descobrir onde exatamente esse desejo de ir à Lua começou e como fazê-lo se tornar realidade nas suas lembranças.

O jogo é extremamente simples, mas com um roteiro e trilha sonora que deixa muitos grandes no chinelo. Aliás, nesta geração não vi nenhum jogo com a carga emocional do To the Moon. Ele consegue ser dramático e engraçado na medida certa. Sem apelar paras os clichês retardados cheios de dramalhão furado ou comédia forçada  que sempre aparecem por aí, principalmente em RPGs japoneses. A história toda é sobre a vida de uma pessoa que não foi nada de espetacular. Não foi famoso, rico, excêntrico nem nada. Um homem normal, com sua esposa, parentes e amigos. Suas alegrias e suas tristezas. E alguns segredos que  Johnny há muito tempo esqueceu e bloqueou em sua mente… Enfim, muito parecido que a vida de todo mundo. Conduzido com uma trilha sonora magistral que traz mais peso ainda para as cenas, sejam elas cômicas ou dramáticas. Sim, a música é realmente muito boa!

E pensar que tudo isso foi feito basicamente por uma pessoa só usando Rpg Maker XP como engine! Sim, garotos, vocês podem fazer algo que presta com isso, é só terem dedicação e um pouco de talento!

Acho bom dizer que se você quer um desafio, melhor nem chegar perto do jogo. Não há nada disso nele. O jogo inteiro foi feito claramente para se contar uma história e não para você se gabar que venceu o chefão de 100 porrilhões de HP usando um cabo de vassoura como arma. Não há a menor possibilidade de perder no jogo. O mais próximo de desafio que encontrei foram quebra-cabeças que aparecem de vez em quando, embora eles mesmos sejam bem fáceis.

Creio que esse seja o começo de um modo de contar histórias usando videogames sem ficarmos presos a essas regras de sempre precisar de lutar contra algo. Até porque, jogos eletrônicos têm um potencial muito maior de te emocionar do que um filme em muitos casos. Pelo menos essa é minha opinião. Afinal, enquanto no filme você é um espectador passivo, no videogame você está vivendo aquilo tudo.

Essa pra mim é a grande mágica de To the Moon. Você fica preso àqueles personagens por pouco mais de cinco horas – o jogo é bem curto mesmo – determinado a saber porque aquele sujeito quer tanto ir para a Lua se nem ele mesmo se lembra o porque. Você está lá, na pele dos cientistas, procurando pistas em meio às memórias de uma vida inteira no intuito de satisfazer esse desejo.

E nos seus últimos momentos o jogo te dá aquela pancada que te faz chorar!  Mesmo que você saiba desde o começo o que vai acontecer, não deixa de ser emocionante. Eu, pelo menos resisti bravamente!

No final dos créditos você descobre que esse jogo é só a primeira parte de uma série na qual os produtores já estão trabalhando os próximos capítulos.

Acho que vou parar por aqui senão vou chorar pra valer lembrando disso.

Fiquem com uma das músicas do jogo:

2 Respostas to “To the Moon, quando videogames não precisam de monstros.”

  1. Discordius Erisianus 20/09/2012 às 21:03 #

    Michel, por que você esconde que chora?

  2. Wanyo 21/07/2013 às 0:01 #

    E eu que achava que era o único que pensava assim. Todo mundo pensa que o objetivo de um jogo é matar,matar e matar. Um amigo meu me falou que zerou resident evil4(clássico) umas trocentas vezes, mas quando fui perguntar sobre a história sabe o que ele me respondeu: ´”que história? o protagonista tá no meio de um monte de zumbis(peraí não são ganados?) é matar ou morrer? o ruim é quando ele acha aquela menina” pois é, são poucos que se preocupam com roteiros, mas é bom saber que existem

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