As Fronteiras do Desinteresse.

20 nov

Ultimamente ando lendo muito pouco, o que é uma lástima. Até porque, a grana anda curta pra isso e eu acabo gastando o que não devo em videogame… Pensando nisso, forcei-me a fazer uma ficha na biblioteca local a alguns meses atrás. O lugar tem menos livros que a minha estante, é verdade, mas pelo menos tem alguns que eu não li até hoje. Entre eles está a famosa trilogia As Fronteiras do Universo.

Bem, se é realmente famosa ou não, não tenho como dizer. O fato é que fizeram um filme do primeiro livro que eu assisti com tanto interesse anos atrás que a única coisa dele que lembro é a Nicole Kidman. Talvez tenha sido melhor assim, uma vez que os fãs dizem que o filme é uma bosta fedorenta e não tem quase nada a ver com a história.

Então, os livros contam a história de uma menina de 12 anos chamada Lyra. Ela gosta de pular nos telhados e arrumar confusão com os meninos da rua como toda criança saudável. A diferença é que ela tem um dimon, um bichinho que a segue o tempo todo como uma consciência. Tá, todos no mundo dela têm um dimon, Ela não é especial por causa disso. Acontece que, por motivos de roteiro, ela é destinada a mudar a realidade. Mas pra fazer isso ninguém pode contar a ela que a menina é predestinada. Sacou?

É, também achei meio besta. Mas funciona dentro do mundo da história, então não vejo problema. Só não gosto muito de personagens presos a destinos grandiosos. Isso sempre me soa meio forçado quando não feito muito bem…

Continuando. Lyra, a menina esperta é presa a esse destino e acaba viajando para o Polo Norte, onde encontra uma turminha da pesada para viver grandes aventuras. No final da história ela atravessa um portal para outro mundo.

Vamos agora falar da história como um todo, os três livros. Eu gostei bastante do primeiro, pois Lyra é muito esperta e consegue levar todo mundo no bico. Gosto de personagens assim. O final também é uma das coisas que me deixou bem impressionado e louco de vontade de pular logo pro segundo livro.

Mas aí veio o segundo livro…

O gatinho já está com cara de desconfiado...

O gatinho já está com cara de desconfiado…

O segundo livro não começa imediatamente onde o primeiro terminou. Ao contrário, apresenta um protagonista totalmente novo. E chato, na minha opinião. É um moleque do nosso mundo que tem uma mãe esquizofrênica e tenta esconder a coitada dos agentes de saúde ou coisa assim. Ele deixa a pobre mulher com a professora de piano e some pra outra cidade fazer não me lembro o que. Detalhe: a partir desse livro não lembro muito bem das coisas porque, bem, tudo vai ficando muito chato. Depois de páginas intermináveis, o garoto encontra um portal para outro mundo e nele a Lyra, que está mais perdida que cego em tiroteio.

Enfim, não vejo nada muito digno de muita nota a não ser dizer que o segundo livro não passa de uma ponte para o terceiro.

O gato já está visivelmente aborrecido.

O gato já está visivelmente aborrecido.

Não é que o livro seja ruim. É que nos dois anteriores criam uma expectativa de que algo gigantesco vai acontecer, e quando acontece eu pensei “só isso?”. Acabei me sentindo um pouco enganado pela coisa toda. Nem vou falar nada sobre o que acontece pra não dar spoiler em quem ainda queira ler. Mas pra mim ficou com algo a desejar. Pensei que no final veria algo que me fizesse gritar PORRA e jogar o livro contra a parede do mesmo modo que fiz no final de 1984 ou quando leio algum livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Contudo, as coisas se dão de modo bem suave e tranquilo. Não diria previsível, porque senão seria impactante para mim…

Acho que tá aí! O livro é imprevisível de um jeito ruim. Você espera uma picanha sangrando no espeto e acaba recebendo amendoins salgadinhos. É bom ainda, mas parece que podia ser melhor.

É isso que eu gostaria de dizer sem dar spoiler. Não foi muito, pelo que dá pra ver.

Então, até semana que vem, quando tentarei escrever outra coisa e voltar com a periodicidade desta benga. Até porque, agora que tenho um PC decente, vou ter muito jogo pra poder falar!

Ruas Estranhas… Estranhas demais pra mim.

5 maio

Ô preguiça de postar aqui! Infelizmente não fui abduzido por uma nave alienígena para ser a última esperança daquela raça numa guerra milenar…

Então volto a postar aqui pra dizer minhas asneiras de sempre. Estava pensando em escrever algo sobre Halo. Sim, gosto pra caramba da série, mas vou deixar pra outro dia quando estiver mais inspirado. Por agora, penso que seja melhor voltar a falar de livros.

Pena que não li quase anda ano passado. A grana impede… Mas então vamos falar de um livro que peguei há pouco tempo.

Imagem

A capa pelo menos é muito bonita!

Comprei esse livro por dois motivos básicos: Primeiro, o nome de George Martin – também conhecido como velho maldito – em letras garrafais. Segundo, porque sempre achei o tema de fantasia contemporânea urbana bem interessante e a capa traz justamente a imagem que vem à minha cabeça quando penso nisso.

Mas tudo começa a se desfazer logo na introdução! O velho desgraçado não tem nenhum conto no livro. Ele é apenas o organizador. Por um segundo meu sangue ferveu de raiva e me senti o sujeito mais idiota do mundo por ter comprado aquilo. Depois me acalmei, imaginando que poderiam haver boas histórias ali.

A coletânia foi criada usando como base histórias de detetives particulares. Logo, todos os contos tem mais ou menos o mesmo enfoque ao mesmo tempo que usam temas fantásticos.

Creio que já seja a hora de irmos direto ao ponto.

O negócio é o seguinte. Quando penso em fantasia urbana imagino anões traficantes de armas e elfos mafiosos vivendo numa grande e escura cidade cheia de arranha-céus. Enfim, uma mistura de Blade Runner com O Senhor dos Anéis. Algo que até a introdução do livro me fez pensar que encontraria! Mas infelizmente só um conto se aproximou, ainda que bem pouco, do que eu esperava. Além do tema central dos detetives não me agradar muito.

O primeiro conto é sobre vampiros. Mas os vampiros sexies e integrados à sociedade de True Blood. Que não se banham em sangue pra não sujar as roupas caríssimas de grife… Sério, tenho preguiça de coisas assim. A história toda não passa da velha fórmula de procurar quem é o assassino e tem a conclusão mais tediosa do mundo.

No segundo temos um sujeito procurando o irmão da mulher que ele gosta. O sujeito desapareceu do nada e no meio da história você descobre que ele se meteu com uma sombra comedora de almas…

Todos os contos não saem muito desse esquema, na verdade. Pra mim não é muito melhor do que um episódio de Amazing Stories que passava de madrugada na televisão quando eu era criança – nem lembro o canal que isso passava, só lembro da abertura. Ou seja, totalmente o oposto do que eu esperava.

Pode ser que o problema esteja em mim. Talvez, pelo organizador ser o George Martin. Mas no fim não encontrei nada do que esperava.

Pra quem quiser ler, é até um bom passatempo, se você não se importar em alternar contos que não passam de interessantes para outros terrivelmente ruins e mal escritos – Ladrões de Sombra, estou olhando pra você.

Só não espere mais do que isso, senão vai se decepcionar como eu.

To the Moon, quando videogames não precisam de monstros.

20 set

Depois de uma longa estada em Final Fantasy XI, estou de volta. Sério, aquele jogo é do capeta. Só dei uma parada porque fiquei extremamente frustrado com a dificuldade de algumas coisas lá. Mas isso é outra história.

O fato é que aproveitei a parada pra jogar coisas que meu vício não me permitiu nas últimas semanas. Uma delas, obviamente, é o jogo do qual falarei agora.

Certamente todo mundo já está familiarizado com a explosão dos jogos indies. Sim, devido ao milagre da tecnologia, pessoas comuns podem fazer jogos que as grandes empresas não tem mais colhão ou criatividade pra fazer. E aí entra To the Moon, o jogo mais simples e mais emocionante que já tive a chance de jogar até hoje.

Só pra vocês terem uma ideia, fiz força pra não chorar como um bebezinho no final dele, mas não evitei ficar com os olhos marejados.

Pois, é…

A história do negócio é a seguinte: no futuro, uma empresa desenvolve um aparelho que consegue implantar memórias artificiais nas pessoas. Mas como fazer isso em alguém saudável pode levá-lo à loucura decidiram então que seria uma boa ideia usar a invenção em pessoas à beira da morte. Assim teriam uma experiência de completude e extrema felicidade momentos antes de falecerem.

Johnny é uma dessas pessoas. Um homem idoso em suas últimas horas cujo maior desejo é ir para a Lua, mas ele não sabe por que. Cabe aos doutores Rosalene e Watts, empregados da empresa que criou o aparelho, concederem esse desejo.  Para isso, precisam entrar nas memórias dele, começando pela mais recente até a infância, modelando-as para que Johnny possa morrer pensando que realizou seu maior sonho. Assim os dois atravessam episódios da sua vida, tentando descobrir onde exatamente esse desejo de ir à Lua começou e como fazê-lo se tornar realidade nas suas lembranças.

O jogo é extremamente simples, mas com um roteiro e trilha sonora que deixa muitos grandes no chinelo. Aliás, nesta geração não vi nenhum jogo com a carga emocional do To the Moon. Ele consegue ser dramático e engraçado na medida certa. Sem apelar paras os clichês retardados cheios de dramalhão furado ou comédia forçada  que sempre aparecem por aí, principalmente em RPGs japoneses. A história toda é sobre a vida de uma pessoa que não foi nada de espetacular. Não foi famoso, rico, excêntrico nem nada. Um homem normal, com sua esposa, parentes e amigos. Suas alegrias e suas tristezas. E alguns segredos que  Johnny há muito tempo esqueceu e bloqueou em sua mente… Enfim, muito parecido que a vida de todo mundo. Conduzido com uma trilha sonora magistral que traz mais peso ainda para as cenas, sejam elas cômicas ou dramáticas. Sim, a música é realmente muito boa!

E pensar que tudo isso foi feito basicamente por uma pessoa só usando Rpg Maker XP como engine! Sim, garotos, vocês podem fazer algo que presta com isso, é só terem dedicação e um pouco de talento!

Acho bom dizer que se você quer um desafio, melhor nem chegar perto do jogo. Não há nada disso nele. O jogo inteiro foi feito claramente para se contar uma história e não para você se gabar que venceu o chefão de 100 porrilhões de HP usando um cabo de vassoura como arma. Não há a menor possibilidade de perder no jogo. O mais próximo de desafio que encontrei foram quebra-cabeças que aparecem de vez em quando, embora eles mesmos sejam bem fáceis.

Creio que esse seja o começo de um modo de contar histórias usando videogames sem ficarmos presos a essas regras de sempre precisar de lutar contra algo. Até porque, jogos eletrônicos têm um potencial muito maior de te emocionar do que um filme em muitos casos. Pelo menos essa é minha opinião. Afinal, enquanto no filme você é um espectador passivo, no videogame você está vivendo aquilo tudo.

Essa pra mim é a grande mágica de To the Moon. Você fica preso àqueles personagens por pouco mais de cinco horas – o jogo é bem curto mesmo – determinado a saber porque aquele sujeito quer tanto ir para a Lua se nem ele mesmo se lembra o porque. Você está lá, na pele dos cientistas, procurando pistas em meio às memórias de uma vida inteira no intuito de satisfazer esse desejo.

E nos seus últimos momentos o jogo te dá aquela pancada que te faz chorar!  Mesmo que você saiba desde o começo o que vai acontecer, não deixa de ser emocionante. Eu, pelo menos resisti bravamente!

No final dos créditos você descobre que esse jogo é só a primeira parte de uma série na qual os produtores já estão trabalhando os próximos capítulos.

Acho que vou parar por aqui senão vou chorar pra valer lembrando disso.

Fiquem com uma das músicas do jogo:

Paulo Coelho critica James Joyce e seus seguidores. Ou, como promover um barraco chique.

9 ago

Um terremoto abalou o mundo literário esta semana!

Tá, nem foi tanto assim. Mas não deixou de ser divertido.

Pra quem tem mais o que fazer do que acompanhar treta na internet o negócio foi mais ou menos assim: Paulo Coelho disse que James Joyce só é forma e não conteúdo. Nas suas próprias palavras:

“Os autores hoje querem impressionar seus pares. Um dos livros que fez esse mal à humanidade foi ‘Ulysses’, que é só estilo. Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”. 

Dá pra sacar que o pessoal do meio ficou muito putinho com ele. Ameaçando xingar muito no twitter e tudo  mais. Um crítico do Guardian, cujo nome não lembro, chamou sua obra de “nauseabunda” e outras gracinhas do gênero. Além de outras pessoas ao redor do mundo que ficaram com raivinha dele. Pra terminar Seu Paulo soltou os cachorros no twitter, subindo mensagens em apoio a ele e detonando quem o criticava. Reclamou que disseram que ele insultou os leitores de James Joyce, embora os leitores dele sejam sempre insultados.

Tadinho dele, né gente?

Fuck the police! Vou falar mal de um clássico da literatura mundial sim e ninguém pode me impedir!!!

Um minuto para um pausa de reflexão…

Fim da pausa!

É óbvio que ele disse isso pra gerar essa confusão toda e assim conseguir publicidade grátis pro novo livro dele, cujo título também não sei. Não se pode negar que Paulo Coelho é um gênio do marketing quando se trata de vender seus produtos. Afinal, ele está nesse negócio há quanto tempo? Vinte, trinta anos? Não importa. O que importa é que ele sabe o que está fazendo e seus seguidores e odiadores só estão indo na onda que ele criou. Bom pra ele! Sinceramente, quero que seu livro venda bastante, como sempre. Afinal, já passei da idade de ficar de birrinha com o cara como esse povo que xilicou violentamente na internet.

Acho que me distanciei do assunto, não é? Então voltemos!

Como eu adoro esse tipo de treta, fico lendo os comentários das reportagens e tal. Estava pensando e pegar uns comentários do site da Folha de S. Paulo, mas acho que traria estupidez demais para seus sensíveis corações. Então vamos com os comentários da Carta Capital, aquela revista petralha cheia de intelectuais orgânicos do partido.

Ebano disse:

Peguei um livro do Paulo Coelho para ler e quase joguei-o na parede. Defendo que o que salva este escritor horrível é a tradução e o marketing. Aqui no Brasil, claro, é a burrice do brasileiro mediano, que é analfabeto funcional. Não dá pra ler um escritor que nem consegue articular um parágrafo com o outro e espanca o português de Camões e Machado sem nenhuma cerimônia….

Ao menos não temos os terríveis erros de pontuação e gramática do site da Folha… Enfim!…

Nosso amigo Ebano começa discorrendo que, ao tentar ler um livro de Paulo Coelho, o jogou contra a parede. Disse também que ele é horrível e se salva pela tradução. Tudo bem… Mas a pérola vem em seguida: A culpa de nosso mago ser famoso e vender muito se deve “a burrice do brasileiro mediano, que é analfabeto funcional”. Agora a culpa do cara ganhar rios de dinheiro é porque o povo é burro e não intelectualizado como o comentarista… Esse, meus amigos, é o nível de um típico odiador de Paulo Coelho! O cara simplesmente diz que o que ele escreve é uma merda porque sim e ainda culpa a suposta ignorância do povo por sua fama! Sendo esse o tipo de gente que adora falar mal de novela mas não perde um capítulo da sua série americana preferida(alô, True Blood!). É por isso que eu larguei esse osso de falar mal do cara! Não pega bem pra mim juntar-me a esse tipo de gente, né? Afinal, sou altamente culto!(cof , cof, cof)

Claro que eu sou culto, gente! Eu leio As Crônicas de Gelo e Fogo no original!!! Tá, que fiquei sem entender muita coisa, mas não importa! Eu li aquela benga e, sendo assim, sou um primor intelectual!!!

Quê, mãe? Meu remédio?… Não tomei ainda?… Sim, mamãe…

Err… continuando…

Vendo isso dá pra imaginar porque Paulo Coelho é tão bem sucedido em suas ações de marketing. Os seus detratores fazem toda a propaganda por ele! Parecem ratinhos de laboratório condicionados que, ao menor movimento dele, já se põem a gritar como possessos.
Da minha parte, não tenho nada contra ele. Até concordo com certos pontos da sua argumentação, quando ele diz que Ulisses gerou uma multidão de imitadores e críticos que só sabem medir as coisas pelo seu prisma. Isso é verdade e não se pode negar. Principalmente na crítica literária brasileira, que é a que eu conheço. Parece que tudo que não for experimentalismo e altamente viajado não vale a pena. Ou talvez a editora não tenha pago um jabá legal… Do meso modo, essa histeria em crucificar o sujeito por todos os males do mundo só faz mal à literatura brasileira, esta entidade estranha. Isso desestimula fortemente quem quer escrever apenas para entreter as pessoas, e não ser o próximo Guimarães Rosa ou James Joyce.
Quanto ao Ulisses, só li até a metade. Logo, não posso falar nada sobre ele, a não ser que fiquei sem entender muitas partes.

Por isso, desta vez, dou meu apoio a Paulo Coelho! Veja bem, apoio em parte, antes que vocês queiram me tacar milhões de pedras! Até porque, qualquer dia desses, quero terminar Ulisses…

Bolsa de criação literária da funarte e minhas humildes questões quanto a isso.

27 jul

Esta semana saiu o novo edital de Bolsa de Criação Literária da Funarte. Acho que todo mundo que trabalha com isso já deve estar sabendo. Eu mesmo já participei de alguns editais do governo –  no caso, com roteiros de cinema nos quais medalhões do mercado venceram, mas isso é um detalhe. Creio que todo mundo neste país que tenta trabalhar com cultura já participou de algum. Também imagino que todos saibam como é complicado o mercado de literatura num país onde, principalmente na escola, faz-se de absolutamente tudo para que as pessoas odeiem livros como se fossem objetos do capeta. Então, qualquer ajuda neste ambiente totalmente hostil à literatura nacional é muito bem vinda.

O problema é quando o governo começa com suas governices. Vamos ao parágrafo 1.2 do edital:

1.2. Os projetos concorrentes não sofrerão quaisquer restrições
quanto à temática abordada dentro da sua categoria, desde que
não caracterizem:
a) promoção política de candidatos e/ou partidos;
b) dano à honra, a moral e aos bons costumes de terceiros e
da sociedade;
c) pornografia;
d) pedofilia;
e) discriminação de raças e/ou credos;
f) tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
g) terrorismo;
h) tráfico de animais.

Já li um texto num blog – que infelizmente esqueci qual é, se souberem, me lembrem – sobre esse item exatamente. A pessoa que o escreveu teve argumentos muito mais interessantes, então eu vou só escrever umas poucas coisas sobre isso.

Primeiro, o tal tópico “b” que dispõe que os concorrentes não podem escrever algo que “caracterize dano à honra, a moral e aos bons costumes de terceiros e da sociedade”. Sério, quem foi o agente do SNI que escreveu isso? Qualquer obra literária séria ofende alguém de algum modo. Até a Bíblia ofende muita gente e atenta para a “moral e os bons costumes” – o que tem de incesto, estupro, assassinato, pornografia, etc  ali é algo impressionante para um livro “sagrado”. Faz qualquer escritor de pornografia hoje parecer um pináculo da moral. No entanto, temos esse item de censura… Eu fico imaginando que se, por acaso, George R. R. Martin fosse brasileiro e dependesse de bolsas do governo para escrever ele nunca publicaria As Crônicas de Gelo e Fogo, onde um dos temas centrais é o relacionamento incestuoso de dois irmãos gêmeos. Relacionamento esse que foi um dos motivos do início de uma guerra civil.

“Matei meu marido, o rei, para ficar com meu irmão e dividi o país no processo. A Funarte nunca aprovaria tal abominação à moral!”

Acho que o único tópico mais ou menos aceitável é o primeiro, que fala de propaganda a políticos ou partidos. Mas se eu escrever um romance histórico onde tenha o Brizola como um dos personagens centrais? Ou mesmo o Ernesto Geisel? Isso é fazer propaganda de político ou partido? Bem, vamos ter que depender da cabeça do jurado do negócio…

Mas deixemos isso pra lá por enquanto.

Por fim, eu tive a curiosidade de dar uma olhada nos vencedores do edital do ano passado. Bem, acho que essa lista já diz tudo. Das cinco obras a serem publicadas somente uma me pareceu algo que uma pessoa normal leria. No caso, o romance policial. O resto todo tem jeito de masturbação intelectual sem sentido. Querem ver?

“Documentário’ – Romance – Escrito em cinco partes o texto retrata a história de um escritor que faz psicanálise, para enfrentar seus escrúpulos em relação à escrita e tratar seus conflitos com a esposa. Cada parte da obra corresponde a um tipo de discurso literário: da narrativa clássica ao cinema, da crítica literária ao ensaio. Uma parte do livro é um filme, que será incluído na obra em um encarte na parte interna da edição. Outra parte é um livro de citações, próprias e de terceiros. Outra parte é a crítica do romance ao próprio romance. O projeto propõe um hibridismo entre diferentes linguagens de arte e gêneros de literatura.”

Sério, isso pra mim não passa de uma maçaroca sem sentido que serve simplesmente ao ego do autor. Fico pensando quais os critérios utilizados pela premiação… Só pra acrescentar, não tenho nada contra obras “experimentais”, caso elas sejam realmente boas. Mas esse negócio pode até ser que fique bom, caso o autor realmente seja espetacular. O que raramente acontece… Não aparecem muitos James Joyce ou Guimarães Rosa por aí, essa é a verdade. Embora apareçam centenas de lambe-sacos deles tentando fazer a mesma coisa, e falhando miseravelmente no processo. E nem falei no romance que não é romance porcaria nenhuma, mas um apanhado de crônicas sobre repressão na ditadura!

Esse pessoal parece que esqueceu de coisas básicas sobre produção narrativa. Uma delas sendo… a história! Se não tem uma história inteligível, porque cargas d’água a pessoa acha que encher o troço de figuras de estilo vai resolver? Uso como exemplo novamente o tal romance “Documentário”. O troço seria sobre um escritor fazendo psicanálise e tentando resolver a vida com a esposa. E daí? Cadê a porra do conflito da história? Porque ele está fazendo tudo isso? O que o move? Tratar “escrúpulos em relação à escrita”? Só isso? Mas na cabeça do autor, ele é um gênio! Foda-se a história! Crio um conceito retardado e encho a coisa toda de masturbação literária e serei o próximo Guimarães Rosa!

Essa é a literatura brasileira que o governo quer incentivar? É isso que queremos pra nós mesmos?

No fim, isso tudo é um problema muito complicado que começa na apresentação terrível que é feita às crianças na escola do que é literatura brasileira. Professores, enfiar Dom Casmurro na cara de um garoto de 13 anos é pedir pra ele odiar livros, aprendam isso de uma vez! Depois as editoras não publicam quase nada de literatura nacional porque a maioria das pessoas foi condicionada na escola a odiar tudo relacionado a isso, e também porque tem muita porcaria no mercado mesmo. No fim do processo, temos os editais do governo, com suas regras estranhas e premiados que, na brutal maioria das vezes, não contribuem em nada para a tal literatura brasileira, mas apenas para seus próprios egos.

Pra terminar, talvez eu até mande um projeto pro tal edital. Mas duvido muito que uma fantasia baseada na América do Sul do século XV agradaria aos doutos julgadores. Até porque, eu não pretendo encher o troço de figuras de estilo vazias, mas da boa e velha narrativa que todos amam e conhecem. Provavelmente ela estará cheia de coisas que atentam à moral e os bons costumes também…  Se vai ficar bom, é outra história.

Ah, e desculpem o texto sem graça. Não consegui pensar em nenhuma piada interessante sobre o assunto. Fica pra próxima!

Videogames, ontem e hoje na visão de um velho.

26 jul

O tempo passa e as coisas que você pensava que eram legais já não te parecem tão legais, ou o contrário. Isso acontece com todo mundo que tem uma mente saudável, creio eu. Claro, menos pros malucos de 40 anos que adoram dizer que nos anos 80 tudo era bom e que hoje é uma merda… Essa gente não merece respeito. Até porque, nos anos 80 tivemos a lambada, esse mal que foi lançado contra o mundo e chorando se foi para sempre sem aviar, amém!

Mas eu não estou aqui pra saudosismo oitentista. Pra isso tem a internet brasileira. Estou aqui pra falar de uma coisa que me veio a cabeça atualmente. Como eu via videogames quando era um adolescente retardado nos anos 90 e como os vejo hoje. Claro, minha percepção deles mudou muito ao longo dos anos! Principalmente nos tópicos a seguir:

Suspense/terror

Orgulhosamente sempre disse que sou um cagão, principalmente no que concerne a videogame. Posso assistir a um filme de terror sem me assustar com quase nada e rir da história. Curiosamente, o mesmo não acontece com jogos. Toda vez que tentei jogar algo do gênero eu não passava de dois minutos e já estava me cagando todo de medo, desligando tudo e correndo pra debaixo da cama.

Isso acontece até hoje…

Mas meu primeiro contato com o medo num videogame nem foi com jogos como Resident Evil ou Silent Hill. Essas merdas saíram bem depois! Meu primeiro cagaço gamístico foi mesmo com DOOM!

Sério, eu morria de medo desses capetas!

Não lembro onde nem quando foi a primeira vez que joguei DOOM, mas lembro perfeitamente o medo que me deu. Os gritos dos bichos, o ambiente estranho, até a visão em primeira pessoa – que eu nunca tinha experimentado num jogo antes – me faziam ficar receoso.  E quando um bicho do inferno aparecia do nada e pulava em cima de você? Cacete, nem sei como não tive pesadelos por conta disso!

Hoje todo mundo dá risada de DOOM, mas na época era o mais próximo de um filme de terror que se tinha num videogame. Pelo menos pra mim…

Agora temos história altamente perturbadoras sobre irmãs gêmeas estranhas lidando com fantasmas. DOOM é merda perto disso.

Violência

Esse é o ponto mais tocado pela turma que adora falar mal dos videogames. Vivem gritando por aí que os jogos são extremamente violentos e tornam as pessoas assim também!

Baseando-se nesse raciocínio uma criança pode ser propensa a pular violentamente em tartaruguinhas porque jogou muito Super Mario Bros… Ou seja, esse povo é profundamente idiota.

Mas o que era violência num jogo? Bem, pelo menos violência para um Michel lá nos anos 90. Em primeiro lugar, era DOOM e as poças de sangue de pixels que se formavam em volta dos bichos mortos. Aquilo realmente era algo chamativo no passado. Tão chamativo, que os paladinos da moral, justiça e falta do que fazer logo proclamaram o jogo o próprio capeta!!! Mas depois de um tempo o jogo saiu de moda e essa turma foi logo atrás de outro pra destilar sofismas…

Acho que estou me desviando. Enfim, o  jogo que eu achei mais violento na minha tenra juventude foi este:

Nessa eu nem vou ser criativo.

Sim, turminha! O primeiro Mortal Kombat. Hoje não é nada, mas para um moleque de 12 entrar um fliperama no início dos anos 90 e dar de cara com essa cena é quase um choque. Tudo bem que depois os moleques de 12 anos enchem o saco pra ser o primeiro a jogar, mas a primeira impressão é a que fica. Mortal Kombat causou, e ainda causa em certa medida, furor na galera moralista que não queria ver as criancinhas inocentes expostas a esse tipo de violência! Mesmo que ela fosse basicamente sangue de ketchup… Mas isso não impediu que milhões de pré-adolescentes pelo mundo se divertissem arrancando as cabeças de seus adversários com a coluna e tudo.

Se os moralistas daquela época soubessem o que o futuro traria…

História

Agora a parte mais complicada. Bem, jogos antigos não eram muito conhecidos por terem histórias muito complicadas. Pelo menos os que eu podia jogar, uma vez que não sabia nada de inglês. A maioria das coisas que eu pegava na época se resumia a Sonic e Street Fighter. Então, dá pra imaginar que eu nunca liguei muito pra história num jogo até pouco tempo. Contudo, tenho um jogo que gostei particularmente e que até saquei uma outra parte da trama.

É esse aqui!

Joguei Blackthorne quando era adolescente e tudo que eu saquei da história era que o sujeito com pinta de metaleiro e portador de uma escopeta era o herdeiro de um reino mágico há muito tempo tomado por um exército do mal. Para que ele não fosse pego, mandaram o cara ainda moleque para a Terra, de onde ele foi tirado logo que teve idade suficiente pra carregar sua própria arma. O resto do jogo é sobre a sua batalha para retomar o reino. Não tem muito mais que isso, pelo que me lembro. Até tentei jogar no emulador atualmente, mas a paciência me impede. Além desse jogo ser difícil pra cacete.

Era uma história boa pra época, mas hoje acho que nem as crianças teriam saco.

Hoje temos coisas muito mais maduras em complexas, não é mesmo?… Não é?…

Final Fantasy, os primeiros jogos. Uma resenha idiota.

17 jul

Sim, eu sei, não escrevo mais sobre literatura no blogue. Mas tenho um bom motivo: Não tenho lido nada ultimamente e não me sinto mais seguro em escrever textos teóricos – ou seja, estou sóbrio. Logo, vou falar sobre Final Fantasy pela milionésima vez. Contudo, detendo-me nos três primeiros jogos.  Mas antes que perguntem, não, eu não vou falar das versões antigas pra NES. Aquelas coisas são injogáveis até mesmo pra um fóssil da era mesozoica como eu.  Contudo, se você é um nerd adorador de velharias e acha que nunca deveriam ter tirado seu amado mega-drive do mercado, aconselho a parar de ler isto imediatamente. Até porque falarei das verões de Final Fantasy I e II para PSP e o remake de Final Fantasy III para DS. Chega de enrolação, então!

Final Fantasy I e II

Acredito que boa parte de vocês ao menos tenha ouvido falar dos dois primeiros jogos da série. E também imagino que conhecem a velha história de que o primeiro jogo salvou a Square da falência colossal – algo que nem mesmo Sakaguchi poderia prever, tenho certeza. Pois bem, o jogo tirou a empresa da lista dos candidatos à bancarrota e ao harakiri de seus membros ao mesmo tempo que tornava-se um clássico entre os desocupados do mundo inteiro!

Imaginem então, nosso Sakaguchi, ter ouvido numa tarde dos longínquos anos 80 a ordem de seu chefe de criar um jogo que prestasse, senão o jeito era botar todo mundo no olho da rua e fechar as portas. Pensem na tensão que esse pobre homem sofreu naquela noite, ao som de Prince e Madonna… Junte a isso uma garrafa de uísque e pronto! A receita para se criar um clássico!

Assim ele adormeceu e sonhou… E no sonho viu quatro guerreiros da luz escolhidos pelos cristais para salvar o mundo das trevas. Claro que isso não é nem um pouco original. Então seu cérebro alcoolizado elaborou as mais diversas criaturas, lugares e situações, até chegar no que temos hoje: Final Fantasy I.

O jogo em si não é grande coisa, mas sabe-se lá por que vendeu horrores no Japão e reabasteceu o caixa da moribunda Square. Você pode escolher entre classes básicas como mago negro, guerreiro ou ladrão e vai de cidade em cidade resolver os problemas das pessoas até dar de cara com o vilão final. Nerds do mundo todo babam o ovo desse jogo por sua versão original ser tão somente difícil. Bem, eu não acho que nível de dificuldade faz um jogo bom ou ruim, O problema é que FFI não é só difícil em sua versão para NES, é frustrante. Se você nunca jogou, experimente e verá hordas de goblins avançando em cima de seu grupo de guerreiros bostas, numa derrota estupenda, para você. Enfim, nerdice e masoquismo volta e meia andam juntas

A certa altura do jogo, seus personagens podem melhorar as classes. Seu guerreiro torna-se cavaleiro, o mago ganha magias que podem eliminar um exército inteiro, etc – embora eles sempre precisem de uma mísera chave enferrujada para abrir uma porta caindo aos pedaços.

Bem, acho que é isso que posso falar de FFI. Não sei se satisfez a vocês, então, estou preparado para as pauladas dos fanboys sem vida sexual e os pedidos encarecidos das moças por uma demonstração ao vivo de como brandir uma espada! Agora o próximo!

Em FFII as coisas mudam um pouco de figura. Devido ao enorme sucesso do primeiro, a Square achou por bem deixar Sakaguchi devidamente abastecido de músicas pop e psicotrópicos. Sabe-se lá quando o homem vai ter outra viagem daquelas… Mas ele teve. Uma viagem com quatro garotos que tiveram sua cidade destruída por um imperador maluco e com sérias tendências homossexuais – coisa que, daqui pra frente, aparece muito durante a série.

Admito que ainda não joguei muito desse jogo por vários motivos, sendo um deles desinteresse total. Mas pelo que fiz deu pra perceber que o sistema de batalha mudou radicalmente, não há classes e eu até agora não sei direito como funciona aquilo pra falar a verdade. Ah, sim! Os personagens têm alguma personalidade neste jogo, Não são apenas bonecos como os do anterior. Talvez as doses de uísque com Madonna tenham sido maiores dessa vez, vá se saber. Contudo, esse jogo demorou ainda muitos anos para chegar ao ocidente, ficando apenas disponível através de traduções livres de desocupa, digo, fãs da série.

E pela primeira vez na franquia temos um jogo com uma história que não foi escrita por um moleque de primeira série! Mas sim por um moleque da quinta série! E isso foi um grande avanço, podem ter certeza. O jogo começa com os respectivos garotos tentando fugir da cidade em chamas, mas logo são interceptados por soldados inimigos e tomam um tremenda coça que deixa todos à beira da morte. Pelas leis da conveniência universal eles são resgatados pela Resistência – não a do John Connor – e passam a lutar ao seu lado contra o império. Ao mesmo tempo esses garotos procuram o amigo deles, que também estava fugindo, mas desapareceu sem deixar rastros. Até legal pra um jogo de NES. No fim eles enfrentam o imperador Clóvis Bornay e todos são felizes para sempre!

Próximo!

Final Fantasy III

Prepare-se. Estamos entrando agora em território demoníaco. Vendo que Madonna já não era a mesma coisa e que a bebida já não lhe fazia efeito, Sakaguchi fez um pacto com todas as entidades demoníacas e youkays que a cultura japonesa pode conceber. Ali em cima disse que FFI é difícil? Sim, ele é mesmo. Mas FFIII ultrapassa o humanamente possível em dificuldade. Você começa como Luneth – já disse que falarei da versão de DS –, um sujeito idiota que cai num buraco porque vive com a cabeça nas nuvens. Lá dentro toma imediato contado com seres meigos, chamados goblins – sim, eles mesmo! Armado apenas de umas pedrinhas ele os enfrenta e vence. No decorrer de sua aventura para sair do buraco onde se meteu acaba, encontrando o Cristal que o escolhe como um dos guerreiros da luz – acho que Sacaguchi andou lendo muito Paulo Coelho naquela época… Daí consegue voltar para sua vila, de onde parte em sua jornada para salvar o mundo, acompanhado de seu amiguinho medroso e cagão. Também no grupo entrarão Refia, a filha do armeiro da vila mais próxima e Ingus, um cavaleiro metido a fodão

É de se falar também que neste jogo que o sistema de jobs de Final Fantasy atingiu quase a plenitude – embora trocentos nerds discordem de mim, mas eu não me importo. São dezenas deles cada vez que você encontra um cristal e milhares de oportunidades de estratégia. Quanto a história, não é nada interessante. Apenas encontre os cristais e mate o vilão no final – como serão os outros jogos da série até FFVI. Mas a grande característica do jogo é sua extrema dificuldade. Nada é conseguido de forma fácil nele. Há passagens nas quais é necessário apenas usar magias, pois você está miniaturizado e seu cavaleiro cheio de força não vale absolutamente nada nelas. Os chefes do jogo parecem ter tanto HP que dá pra pensar que a memória do jogo foi gasta quase toda com isso. Fora os monstros apelões…

Pra terminar falarei de duas coisas. Primeiro, dos personagens que aparecem para ajudar o grupo ao longo da trama. Não sei se eles aparecem na versão de NES, mas nesta eles ficaram muito bem bolados. Com destaque para Desch, um sujeito que perdeu a memória e apenas sabe que precisa chegar numa torre o mais rápido possível. O que não faz ele deixar de ser um idiota completo, passeando pelo ninho do Bahamut sem nenhum motivo… A segunda coisa chama-se Cloud of Darkness, o inimigo final do jogo – que, na verdade não passa de uma puta praticamente nua. Daquele tipo de chefe imortal, ao menos que você despache os quatro chefes quase imortais que a circundam. Mesmo assim ela não deixa de ser extremamente apelona. Um prato cheio para os nerds com sede de desafio e toneladas de tempo livre.

Por enquanto é só. Se gostarem, quem sabe eu fale dos outros jogos da série. Ou posso escrever sobre literatura e tentar parecer um pouco mais intelectual… Vocês escolhem.