11 jan

Então, dando uma pausa nas minhas infindáveis leituras do Cracked.com (dá uma lida lá, é bem legal o site) vou tentar escrever um post nesta benga abandonada há meses. Logo, como não tenho lá muito assunto pra discutir agora, vou falar novamente sobre algo que gosto muito. Modos de contar histórias em videgames, ou melhor em RPGs!

Sim, desde Final Fantasy a The Elder Scrolls cada jogo tem um modo diferente ao seu público. Por exemplo, nosso amigos japas de FF gostam mais de histórias bem lineares com personagens definidos e enredo fechado. Não que isso seja uma regra de ouro, normalmente não é. Mas até agora nenhum Final Fantasy me permitiu simplesmente matar a porra de um dono de lojinha e roubar todo o estoque – embora roubar armas ruins e  potions não estejam nas melhores modalidades de loot… Tá, isso não é o que você pode dizer de super interatividade. Só porque você pode matar quase qualquer um em Skyrim não significa que o jogo deixe de ter uma linha para seguir se você quer ver o final daquela porra toda.

O que eu quero dizer é: mesmo com suas semelhaças, são duas formas de contar histórias diferentes. Olhe nosso amigo Dragonborn aí em cima. Fodão, badass, pronto pra arrancar a garganta de um dragão e mijar na cabeça dele no processo.

Ao passo que a maioria dos JRPGs trazem heróis assim:

Sim, eu quero aborrecê-los com isso.

A questão não é dizer qual é o melhor. Mas os modos como as coisas são feitas.

Não vou arrotar cultura sociológica que não tenho pra dizer como pensa um japonês (pra isso deixo os otakus) nem um norte americano, francês, tonguelês ou o diabo que seja. Só posso dizer que japoneses há algum tempo basearam seus modos de contar histórias em RPGs de videogame gradativamente ligados à cultura do mangá e do anime, que por lá deveria ser bem maior do que de videogames na época. Ocidentais preferiram continuar a repetir as regras dos bons e velhos RPGs de mesa em sua maior parte.

E como isso funciona no jogo em si?

Bem, como mídia mais baseada na cultura pop japonesa anterior a eles, tempos personagens que poderíamos encontrar em qualquer mangá nas bancas de lá. Infelizmente, ninguém até agora inventou de fazer um RPG nos moldes de Hokuto no Ken… Mas um jogo assim jamais conseguiria ser terminado, então parece que é melhor que não façam…

Voltando ao tema…

Como os japoneses focam muito em seu próprio mercado – sim, eles estão pouco se fodendo pra ocidentais – claro que eles fariam jogos com histórias mais ao gosto do seu público. Nisso temos um monte de jogos nos quais o protagonista é um garoto/jovem que perdeu família/amigos/o cachorro/a virgindade e sai pelo mundo numa busca por seu eu pessoal ou vingança, ou diversão mesmo – estou olhando pra você, Justin, seu retardado! No caminho pode, ou não, topar com organizações satânicas responsáveis por toda merda que aconteceu na sua vida ou que simplesmente querem esmerdear tudo sem nenhum motivo aparente até minutos antes da última batalha. Sendo que a última batalha é travada contra o super vilão mega poderoso que por alguma arte sinistra torna-se um semi-deus antes de ter sua bunda humilhantemente chutada pelos heróis. Ah! Tem sempre um super vilão doido pra foder a porra toda só porque é malzão ou deseja algum lucro que só ele entende.

Isso tudo temperado por horas e horas de grinding enlouquecido.

Acho que descrevi mais ou menos 90% de todas as histórias de RPG japonesas criadas até hoje. Salvo algumas variações mínimas, a coisa é bem aquilo mesmo.

Então vamos aos RPGs ocidentais!!!

Esses são mais simples. Só ver qualquer campanha de Dungeos n’ Dragons, Vampiro ou sei lá qual sistema de jogo de mesa tenha por aí. Certo, temos pérolas como Mass Effect ou Fallout para mostrar, mas a maior parte é composta por jogos medievais genéricos que só se diferenciam pela história ou mesmo gameplay. Ou personagens que pareçam capazes de arrancar a cabeça de um ogro com o dedo mindinho enquanto tomam um tonel de vinho…

“Então RPGs japoneses são superiores, seu retardado! Vá voltar a jogar Skyrim e pare de escrever merda.” Grita você para mim. Mas calma! Ainda não terminei e nem estou escrevendo isso pra dizer que um é melhor que o outro, embora existam jogos de ambos os lados que sejam grandes pilhas de merda fumegante, sobre as quais falarei amanhã ou outro dia qualquer.

Acho que é hora para chegar numa conclusão nesta merda.

Enquanto RPGs de mesa continuam mais ou menos intocados em suas influnências e influenciam também criadores ocidentais de RPG de videogame os japoneses decidiram ir por outro caminho. Nisso também passam as mecânicas de jogo. Mas esse não é meu problema, quero falar de histórias e não como bater num bicho usando ou não menus. Então, da próxima vez que falar de algum jogo do gênero por aqui, será baseado no que acabei de escrever e não na preferência de qualquer nerd à toa por aí. Logo, se você ama um lado e odeia o outro, por favor, vá a merda.

Brevemente, ou não, v0ltarei com mais coisas ou algo mais interessante.

A odisséia de ler em outra língua.

19 nov

Voltamos, galera!!!

Decidi dar um tempo em Diablo 2 – do qual falarei em seguida – e na minha infinita preguiça de atualizar isto aqui. Pois vamos voltar a falar de literatura neste blogue novamente, uma vez que falei demais de videogame antes…. Poxa, eu gosto pra cacete de videogame. É basicamente o que me faz não ser um maníaco homicida, matando todo mundo que apareça na minha frente. Então, agradeça enquanto eu estou esplodindo e esmagando cabeças virtuais quando eu poderia fazer isso pra valer!…

Aham… Mas do que eu iria falar mesmo?…

Ah, sim! De ler coisas em outras líguas! Muita gente que se acha sabida em qualquer outra língua que não seja a própria gosta de fazer isso de vez em quando. Nem que seja pra ler as piadinhas infames que pululam na internet… Sim, eu sei que você é um doente que adora ver o que postam no 4chan o dia todo, preferencialmente no /b/. E quem pode julgá-lo? Praticamente a internet inteira olha o que acontece naquele lugar amaldiçoado… Nem adianda se fazer de santo dizendo que nunca entrou nenhuma vez! Se você diz que nunca fez isso só posso lhe chamar de uma coisa: Mentiroso! Ou deve ter ganho seu primeiro computador hoje. Então, considere-se apresentado à escória da internet!!!

Puta merda, perdi o fio da meada de novo! Então, afora as paginas engraçadinhas na net, algumas pessoas que fingem verniz cultural como eu também se metem a besta a ler livros que não estão em seu idioma pátrio. Isso acontece frequentemente depois que você termina aquele chatíssimo curso de inglês,  ou de qualquer outra língua, que te custou o olho da cara e um saco gigantesco. Até porque, o recém-poliglota quer por a prova seus conhecimentos linguísticos. E como não tem muitos com quem falar normalmente o jeito é apelar pra filmes, jogos ou livros mesmo. Contudo, filmes e jogos possuem linguagem bem coloquial e fácil para nossos desbravadores das letras. Quem tem coragem mesmo pega um livro bem foda e o lê de cabo a rabo!

Alguns tentam Shakespeare logo de cara… Esses estão sofrendo de sérios problemas mentais caso tenham insistido nessa loucura.

Outros, mais espertos, pegam os livros mais famosos da atualidade. Uma vez que eles têm uma linguagem moderna, fica um pouco mais fácil de ler. Já li o primeiro livro da série de Harry Potter e alguns de Stephen King e outros cujo nome esqueci só pra dar um exemplo.

Mas eu queria mais! Queria ler algo realmente foda e complicado em inglês! Queria testar minhas capacidades a nível máximo!!! Ou queria me punir inconscientemente por algo que fiz, vá lá eu saber…

Então lá fui eu me meter a ler A Song of Ice and Fire no original!!!

Podem dizer, sou doido.

No momento estou no quarto livro da série e posso dizer que consigo entender a maior parte das coisas. Tirando uma ou outra palavra estranha o resto é tudo bem apresentável.

Mas por que estou falando disso?

Simples, não tenho assunto nenhum pra falar aqui no momento e resolvi compartilhar uma de minhas humildes aventuras literárias com vocês!

Contudo, existe um problema sério para ler em outra língua, pelo menos pra mim. O gasto de energia na leitura é simplesmente muito maior do que se eu lesse em português. Sim, parece que enquanto eu leio em inglês, estou na academia, treinando para ser lutador de MMA e não lendo um romançe de fantasia comum e tranquilo. No fim de um capítulo estou totalmente morto por fora e por dentro e acabo voltando ao videogame. Acho que só acontece comigo… Sou fresco, que se pode fazer?

Creio que é somente o que tenho a dizer no momento. Outro dia voltarei com um texto decente. Provavelmente sobre videogame…

Manual prático de cultura pop.

28 jun

Vendo o crescimento da chamada cultura pop e as massas de novos aspirantes a que nela tentam entrar, elaboramos este manual simples em dez lições básicas para uma primeira ajuda. Esperamos que seja útil para todos que almejam ser pops.

1- Em primeiríssimo lugar, você tem que definir sua situação no mundo pop. Sim, porque existem diversas definições do que é ser pop: Há o pop cult, o revival anos 70 ou 80, o apenas cult, apenas pop… Enfim, uma miríade de nomes que fariam a cabeça do mais aplicado estudioso rodar. Para este manual, então, usaremos o padrão “pop apenas”, o qual parece ser o mais simples de se definir.

2- Definido o seu estilo, é mister escolher o modo de vestir-se. Ou você acha que pop que é pop sai por aí com jeans e camiseta só? Procure ser o mais colorido possível. Quase uma árvore de natal. Misturar Rosa shock com verde claro ajuda muito nessas horas… E não se esqueça dos grandes óculos escuros – bem grandes mesmo! Assim, nem um cego vai deixar de ver que pela rua caminha um pop.

3- O modo de falar de um pop deve coadunar-se aos mais recentes estilo e tendências da época. Logo, abuse de expressões estrangeiras. Mesmo que você não faça a menor idéia do que esteja falando, a maioria das pessoas vai sempre pensar que você é uma pessoa viajada e, principalmente, descolada. Alguém que não se limita a apenas um léxico verbal.

4-O gosto cultural de um pop é a questão mais espinhosa a que se deve tratar. Em primeira análise o pop que é pop acha tão lindo a bunda da Sheila Mello balançando quanto uma ária de Puccini. Pra ele tudo é cultura! E tanto melhor quando ela vem da expressão genuína popular, como eles dizem. Entende-se por expressão popular forrós, bailes funk e similares, embora poucos deles tenham coragem de frequentar os lugarem nos quais efetivamente o povo vai.

5- Ainda falando de cultura, assunto deveras complicado. Além de estar íntimo dos gostos da população, o pop que é pop deve saber tudo o que acontece na cena alternativa. Define-se “cena alternativa” como bandas que não fazem sucesso por vários motivos, o maior deles é ser ruim mesmo. Não importa se o vocalista é desafinado ou o músico não sabe tocar nem “dó, ré, mi, fá”, o negócio é ter atitude. Aliás, este é um tema que será retomado mais à frente.

6-Terminando de falar sobre os gostos culturais pops, chegamos à literatura. Na verdade essa parte é a mais complicada de se definir, visto que os pops moldam seus gostos literários ao que vêem em outros lugares, como filmes – geralmente americanos ou um iraniano de vez em quando – ou bandas de música. Mas nunca falta na estante pop um exemplar dos últimos que acabaram de se transformar em filmes ou que foram fonte de inspiração para algum grupo ou pop star nos quais ele se espelhe.

7- Nunca, jamais, em tempo algum, seja visto numa mesa de botequim enchendo os cornos de cerveja com cachaça enquanto discute a zaga do Atlético Mineiro. Não há atitude mais anti-pop! Exceto, é claro, quando isso é feito nos barzinhos pop, com seu grupo pop à tiracolo que sempre terão uma considerão pertinente sobre a situação débil do esporte brasileiro e como o padrão de cores das camisas dos times é medonho.

8- Derivação do anterior. Frequente sempre lugares pop, cheios de gente pop como você. Tais estabelecimentos geralmente têm uma decoração espalhafatosa, o que atrai pops mais que açúcar atrai formigas. E quanto mais decorado o lugar, maior será a conta a pagar, como diz a lógica. Mas não se importe com isso! Ainda que não tenha nem um tostão no bolso pop que é pop não deve nunca perder a pose! Peça uma água mineral e diga a todos que está parando de beber. Hoje em dia é pop tomar água enquanto todos bebem cerveja na sua frente. Mostra força de vontade!

9-Dedique-se a um hábito tipicamente pop. Colecione todos os filmes de um determinado ator, saiba tudo sobre um personagem de ficção famoso, seitas exotéricas… Qualquer coisa serve, desde que seja da alçada do mundo pop. Mas não invente muito que nada é mais anti-pop que parecer mais inteligente ou curioso que os outros pops.

10-O mais importante. ATITUDE. Em caixa alta mesmo. O que todo pop precisa aprender é ter atitude. Ainda não se sabe exatemente o que isso quer dizer neste tão misterioso mundo, mas ao que tudo indica, ande de maneira mais solta, fale de modo mais arrastado ou cantado. Não há uma regra para isso. Os mais bem sucedidos são os que conseguiram mesclar a maior parte de características diferentes. Se não é o seu caso, use palavrões à vontade e nunca, mas nunca mesmo, utilize em sua totalidade o o estilo que foi usado neste texto. Fazendo isso, você estará pronto para se aventurar nesse mundo cada vez mais colorido! Boa sorte!

O demônio dos videogames

8 maio

Desde que eu voltei a jogar videogame de forma sistemática começei a jogar RPGs. Isso todo mundo sabe e está cansado de saber. Nesse tempo joguei e descobri vários jogos do gênero, a maioria muito boa até. Certo, tem uma minoria execrável, mas não vamos falar deles, não é Wild Arms?

Mas no fim das contas a grande maioria só conheçe mesmo Final Fantasy e Dragon Quest, até porque são os mais famosos do ramo. Mas existem muitos, conhecidos apenas por nerds ultra-malucos que dedicam seu tempo, dinheiro e sanidade a descobrir essas coisas. Pelo menos aqui neste canto do mundo.

Quem se encaixa muito bem nessa categoria é a franquia de jogos chamanda Shin Megami Tensei, mais conhecida como megaten(não me pergunte o porque do nome, todo mundo usa isso).

Tudo começou com um romance obscuro escrito no Japão que fala sobre a invasão do mundo por demônios invocados por computador. Parece que a história era uma bagunça e nem o autor gostou muito dela. Nota-se que o livro seja obscuro então…

Enfim, lá pelo final da década de 80, a produtora de jogos Atlus devia estar meio sem idéias para seus jogos, visto que já tinham sido criados todos os encanadores e bombados com metralhadoras que os videogames precisariam até hoje. Dessa necessidade premente, algum funcionário, talvez o faxineiro esquisito e fã de bukake, apresentou o livro aos chefões, que miraculosamente gostaram da idéia. Provavelmente esse nosso faxineiro tarado deve ter encontrado o tal livro num sebo fedorento de Tokio sendo vendido por coisa equivalente a dois centavos, mas isso não interessa.

O que interessa é o que isso gerou!!!!

Um jogo podre para NES!!!!

Nem sei se o jogo era tão podre, mas a turma não gostou muito. Parece que contava basicamente a história do livro, mas não interessa agora.

O que interessa é que o troço gerou outro jogo podre para o nintendinho. Não sei se o negócio fez sucesso ou não, mas parece que a Atlus gostou da coisa.

Aliás, devo dizer que os primeiros jogos para NES se chamavam só Megami Tensei. O “shin” só passou a valer a partir do jogo para SNES até hoje. Só um pouco de cultura inútil pra vocês…

Mas o que contém esses jogos, vocês me perguntam?

O DEMÔNIO!!!!! DEMÔNIO!!!!!

Sim, garotinhos. Megaten possui temática satanista em pelo menos 95% dos jogos. Pelo menos é o que muita gente pensa. Mas vamos raciocinar: o jogo vem do Japão, japoneses são budistas, logo, não ligam pra mitologia cristã ou qualquer coisa parecida. Assim, eles brincam do jeito que quiserem com as coisas que fariam sua avó perder os cabelos.

Por isso não jogue megaten na frente de seus parentes, ouviu? Principalmente se você conseguir o Lúcifer pra invocar… Pode gerar sérios desentendimentos familiares…

Como falei em invocar o Lúcifer vou contar um pouco da mecânica. Os jogos se baseiam em seu personagem invocar demônios e usá-los como auxílio em combate. Como isso é feito varia de jogo pra jogo, mas basicamente o negócio é fazer o pacto com o demônio, usar na batalha até ele ficar forte e fundir com outro pra fazer um demônio mais forte e assim por diante. Um pokemon do inferno, pra falar a verdade.

Mas o que realmente me cativa nesses jogos são as histórias. Nos jogos principais da série sempre é usada a temática do fim do mundo e, depois que tudo vai pro saco, o herói da história tem o poder pra decidir pra onde tudo irá daí por diante. Ou seja, o protagonista pode decidir se ficará do lados dos demônios infernais e criar a terra do capiroto por todo o sempre, ser um cara bonzinho(e sem graça!!!) ou não dar bola pra nenhum dos lados e ver o que acontece depois. Com uma temática dessas não me admira que nenhum dos primeiros jogos foi traduzido oficialmente para o ocidente. Ou você acha que a mamães iriam gostar de seus filhinhos usando demônios para lutar contra YHWH? – um dos nomes de Deus para quem é inculto. Sim, esta é uma das possibilidades do jogo!

Assim, só os nerds realmente loucos já jogaram esses jogos. Até porque eles tem uma dinâmica horrorosa de gameplay, pelo menos os dois primeiros… Mas não vou falar disso aqui.

Mas megaten não são só capetas encapetados lutando contra Deus. Não senhor! Existem outros jogos paralelos que fazem parte da franquia. Entre eles está Persona, uma versão light, digestível e cheia de jovenzinhos saudáveis… Usando demônios para lutar… Mas desta vez os bichos são chamados de personas e funcionam como uma espécie de força espiritual que dá poderes aos meninos.

Persona sempre tem uma temática mais voltada para adolescentes e estudantes. Isso explica porque tem sempre uma escola envolvida no processo. Principalmente, Persona não trata de temas tão pesados quando os títulos principais. Mas lutar contra um grupo de ocultistas que pretende ressucitar Hitler – tema de Persona 2 – não é enredo de Pokemon…

Pra terminar, megaten é cheio de demônios para se ver. Desde os mais conhecidos como Lúcifer até um… bem… melhor mostrar do que descrever:

Mara (Maravilha), o demônio pintão!!!!

Fora os capetões do mal, também temos anjos, fadas e mais um monte de entidades. Mas eles não são tão legais quanto colocar Baphomet, Lilith e Lucifer no mesmo grupo…

Acho que é mais ou menos isso que eu queria dizer sobre a série. Outro dia falarei sobre cada jogo individualmente, mas não esperem muito por isso.

Por fim, fiquem com o logo altamente satânico da série.

Sonhem com os capetinhas!

Ode triunfal dos fliperamas sujos!

28 mar

Antes de começar tenho que dizer a todos vocês que sou velho. Já tinha noção de muitas coisas no começo da década de 90 quando muito moleques de hoje ainda nem tinham nascido. Porra! Tinha fantasias sexuais com a Alys de Phantasy Star! Se isso não é ser um moleque muito do safado – ou extremamente solitário – não sei o que é mais.

Então, como bom moleque lá pelos meus 9, 10 anos também era louco por videogame. Isso todo mundo sabe. Mas não contei algo que formou minha personalidade gamística e certamente e de muita gente da minha idade.

O fliperama!

Para os que nasceram depois de 1995, os fliperamas eram lugares onde a gente ia jogar coisas que nunca, jamais, iriamos poder jogar nos nossos pequenos consoles. Quer dizer, se você não era podre de rico para comprar o Neo Geo. Mas quase ninguém era, então todo mundo ia ao fliperama.

Era o lugar da socialização por excelência! Não iam somente moleques doidos pra jogar uma partida de Street Fighter 2 ou Mortal Kombat, mas toda uma fauna que poucas pessoas ligariam a videogame. Aliás, tinha sempre gente muito suspeita nesses fliperamas e eu não discordo se me disserem que nego fazia coisas ilícitas por lá quando nós, pobres crianças inocentes ficavamos entretidas em arrancar cabeças com coluna e tudo com o Sub Zero…

Os lugares que eu frequentava eram menos iluminados que esse aí...

Devo dizer que com isso o fliperama lá pelo início da década de 90 era um lugar visto com muita disconfiança e medo pelos pais. Várias vezes fui a algumas das bibocas mais sujas da minha cidade para jogar acompanhado de um amigo meu e seu pai que não nos largava de jeito nenhum.

Era uma aventura ir ao fliperama!

Mas as preocupações de nossos pais eram válidas, não posso negar isso hoje. Isso porque esses lugares eram em sua grande maioria instalados em lojinhas pouco iluminadas e sujas ou em becos debaixo de escadas mesmo. Eu mesmo conheci minha primeira máquina de Double Dragon numbeco sujíssimo e escuro onde eu nunca esperava que pudesse haver um fliperama. Só descobri o local por causa de um colega de escola meu. Hoje o lugar continua um beco sujo e escuro, mas completamente abandonado…

Lembro também que uma vez testemunhei uma batida policial dentro de um fliperama que eu tinha acabado de entrar. Estava sozinho, devo mencionar logo.  E tão logo os meganhas entraram no lugar já trataram de mandar os moleques pirracentos embora. Um deles saiu chorando como, bem, como uma criança obviamente.

Gostaria muito de dizer que fiquei e enfrentei bravamente os policiais enquanto eles esvaziavam o local para jogar suas partidas de Mortal Kombat sem serem importunados, mas não foi o que aconteceu. Tão logo vi um monte de moleques sendo escurraçados do lugar também saí eu, mas de fininho, antes que qualquer um me notasse. Eu era um nerd de uns 12 anos mais ou menos, jamais que iria peitar um adulto e ainda por cima armado!

Fora esses pequenos problemas, eram locais até pacíficos onde uma miríade de sujeitos completamente diferentes dividiam os controles. Existiam, como já disse, os moleques como eu. Mas também haviam adolescentes matando aula, adultos sem ter o que fazer, além de uma série de gente muito suspeita que vivia dentro desses lugares só pra passarem o dia ou sei lá o que… Todos eles vivendo em relativa harmonia. Isto é, até alguém resolver aporrinhar o outro enquanto estiver jogando…

Sim, eu aporrinhava muito! Verdade seja dita, eu ia ao fliperama mais para ver os outros jogarem do que para eu mesmo jogar. Em grande parte porque eu era completamente duro e meus pais não me dariam dinheiro para jogar todos os dias que eu quisessem. Em outra porque eu era uma merda mesmo. Sempre perdia na terceira luta ou coisa que o valha. Quando começava a jogar rezava pra que ninquém aparecesse querendo jogar contra comigo, senão perdia minha ficha mais cedo…

Por isso me resignei a olhar mais que jogar. E assim passava tardes inteiras!

Hoje em dia os fliperamas de outrora foram substituidos pelas lan-houses. Os tipos que frequentam o lugar não mudaram muito com o tempo, mas toda a atmosfera mudou. Talvez pelo fato de cada um ficar circunscrito ao seu próprio computador horroroso faz com que a parte socializante seja um pouco perdida… Ou não, eu posso estar terrivelmente equivocado!

Pra terminar, hoje todos os jogos tem suporte online e servidores próprios na internet. Dá pra tirar um contra em Street Fighter contra um cara no Japão em tempo real. E assim ter o prazer de ser surrado por um japonês que certamente tem mais tempo do que você para jogar.

Mas pra mim nunca será igual a jogar num local sujo e cheio de tipos suspeitos onde qualquer um poderia ficar do seu lado e te desafiar. Dava um t0m mais pessoal a coisa toda que hoje não existe. Ou você por acaso já viu a cara do seu carrasco japonês? Suponho que não.

Por hoje é só pessoal! Fiquem com uma imagem clássica dos bons e velhos fliperamas:

 

Minha chave tem o poder!

28 fev

Vamos nós falar de videogame aqui de novo. Um dos temas que mais gosto. Ultimamente estou preterindo ler A Clash of Kings – continuação de A Guerra dos Tronos – só pra jogar qualquer besteira. Sim, eu sou doido, não precisam me dizer algo que já sei…

Eu participo de algumas comunidades no orkut – sim, envergonho-me por isso – e nelas volta e meia alguém aparece pra puxar o saco de um jogo qualquer. Em boa parte dos casos o jogo em si é Xenogears, o que me obriga a tomar parte na rasgação de seda. Mas existem muitos outros os quais não conheço e que são comentados.

Um deles era Kingdom Hearts. Talvez vocês conheçam ele, provavelmente até gostem dele. Mas se tem mais de 15 anos certamente não acham a coisa mais fabulosa feita pelo homem desde a invenção da picanha acebolada. Aliás, adoro picanha acebolada… Mas não é de culinaria que falarei, mas do jogo em si.

A verdade é que até pouco tempo, ou alguns anos mesmo, não sabia sequer da existência dessa benga. Afinal, sou um jogador redimido, ou não, depois de uma adolescência e faculdade quase sem diversões eletronicas. Até porque, tinha outros meios de me entreter que não vem ao caso agora. Até pesquisei um pouco sobre o tal. Coisa que não foi muito longe, visto que descobri ser uma história baseada nos desenhos da Disney. E eu nunca fui lá muito fã deles. Tá, eu adoro os desenhos do Pateta e morro de rir dos xiliques do Donald, mas isso só não me faz um adorador dos seus produtos. Também havia o motivo de que aqueles personagens claramente infantis me afastavam do jogo. Afinal, eu sou um intelectual gramsciano e tenho que manter o nível!… Queria poder acreditar nisso… Enfim…

Depois de muito tempo, rompi o preconceito e decidi jogar essa coisa. Aproveitei o fato de lançarem Birth By Sleep para o PSP e começei por ele mesmo. Afinal, não era dito que esse seria o início de todos os jogos da franquia? Então decidi ir do começo mesmo.

Só pus esta imagem pra botar a Aqua em primeiro plano.

A impressão que tive de um modo geral foi boa. Sistema legal e divertido e gráficos bons. Também gostei dos personagens do jogo, relevando as bobagens óbvias que aparecem de vez em quando. Mas vamos falar sobre isso direito.

Kingdom Hearts Birth by Sleep conta a história de três amigos que treinam juntos com seu mestre de keyblade – a arminha básica de todos os jogos. Depois da graduação, digamos assim, de dois deles seu mestre manda o garoto mais velho, Terra,  a procura de bichos do mal. Mas o mestre era um cara estranho e pediu para que a segunda graduada, Aqua, ficasse na cola do mané para que ele não faça merda. Nesse meio termo o mais novo dos amigos, Ventus, sofrendo de uma crise brutal de boiolice resolveu seguir Terra pelo universo só porque ele não deu tchauzinho pra ele e muito menos beijinho.

Muito bem, depois disso os três acabam viajando pelos mundos do tal universo, que são mundos dos desenhos da Disney com um ou outro personagem de Final Fantasy. Em cada mundo que entram encontram mais criaturas do mal para dar com a chave-lâmina na cabeça. Devo dizer que enquanto Terra e Aqua tentam cumprir suas missões Ventus continua com sua boiolice infindável correndo atrás dos dois só porque um sujeito estranho disse que eles não seriam mais amiguinhos dele.

Lá pelo meio da história Terra fica tentado se irá para o lado negro da força ou não. Pois é, qualquer semelhança com Star Wars não é mera conhecidência. Só pra esclarecer, o mestre dos meninos é interpretado por Mark Hammil, nada menos que Luke Skywalker… Voltando a história, Terra pensa se deveria se entregar as trevas para ficar mais forte ou não.

Enquanto isso seus amigos continuam na cola dele… Gente mais sem o que fazer!

No final acontece uma luta entre os três garotos, o vilão e seus assecla de preto. Todos se ferram e fim da história.

O que mais me impressiona nisso tudo é a falta de criatividade no enredo da história. Poxa vida, tinha que ser a famosa historinha do cara indo para as trevas? E o pior, Ventus não tem a menor motivação nessa história. Simplemente sai por aí porque acha que seus amigos vão largá-lo. O que eu faria sem sombra de dúvida, dado o nível de chatice do moleque.

A despeito disso, se você esquecer que a história do jogo é ridícula dá até pra se divertir. O problema é que eu nunca esqueço…

Não bastasse eu ter jogado isso, quis ir para o primeiro jogo da série. Afinal, tinha que saber com o que estava lidando antes de falar qualquer coisa sobre ele. Então debrucei-me sobre Kingdom Hearts, de Playstation 2.

Esse aí é o Sora ao lado do "grande mago", Donald...

Como poderei começar a falar sobre Kingdom Hearts? Dizer que o jogo tem a abertura mais sem sentido que já vi na história do videogame parece pouco.Parece que a coisa toda foi tirada de um sonho do Nomura, o criador do jogo, a base de muitas drogas, desenhos da Disney e bijuterias de gosto duvidoso. Japoneses são estranhos por natureza, então nem comento muito isso.

Sora e seus amigos, Riku e a menina que não lembro o nome – pra vocês verem como ela é importante – vivem tranquilamente numa ilha paradísíaca. Certo dia eles resolvem construir uma jangada para se aventurar nos oceanos. Sozinhos… Lembrando que essa idéia só poderia ter surgido da cabeça de algum retardado, pois não há nenhum motivo para eles sairem da tal ilha que não fosse fogo no rabo. Afinal, eles vivem há muito tempo por lá, com suas famílias e tudo mais. Poderiam até construir um resort para ricos entediados quando crescessem e assim poder comprar um caminhão de camisinhas para as orgias que promoveriam… Mas não! O moleques querem construir uma jangada, meter uns cocos pra beber água nela e sair pelo mar à espera da morte por fome, desidratação ou tubarão.

Uma certa noite, quando a jangada está pronta, acontece algo não previsto: O Fim do Mundo!!!! Ou pelo menos foi assim que eu entedi aquela coisa estranha. Sora fica se cagando de medo enquanto Riku faz pose de fodão e diz que é a chance deles pra sair da ilha, seja lá como for…

Um adendo: Riku é o típico personagem metido a fodão de anime. Sempre sério e quase não interagindo com ninguém porque quer “ficar mais forte”. Resumindo, um imbecil típico que os moleques adoram. Fim do adendo.

Então, no meio do colapso gerado por sei lá o que Riku diz que é a chance deles e desaparece num turbilhão de trevas, deixando seu amiguinho Sora com cara de otário. O que não é difícil, diga-se de passagem. No momento seguinte, Sora ganha sua keyblade sabe-se lá porque e tem que lutar contra os monstrinhos de trevas que apareceram até terminar num monstrão completamente inútil.

Repararam que nisso tudo não falei da amiguinha deles? É porque ela não aparece mesmo, pra você ver como ela é importante.

Em resumo, o moleque cai num mundo habitado pelo Cid de Final Fantasy VII, Squall de Final Fantasy VIII e pelos sobrinhos do Donald além de outros que não me importa citar. Depois de uma série de eventos que podem ser resumidos na palavra “estranho”, Sora encontra seus parceiros de luta, Donald e Pateta. Eles estão procurando justamente a ele para ajudarem na busca pelo rei Mickey que resolveu dar uma fugidinha do palácio e dos mandos da Minie… Cara, a cada linha isso fica cada vez mais sem sentido! Por fim os três começam a viajar pelos mundos Disney provavelmente a procura de Mickey e dos amigos do Sora, embora não pareça muito.

Agora vamos aos comentários. Sério, eles estão numa busca desesperada por pessoas sumidas mas não parece. Em cada mundo que passam se dignam a interagir com os outros para resolver problemas alheios e até a se divertir. De que outro modo eles resolvem participar do campeonato de lutas do mundo do Hercules? Que motivo esse trio de cornos tinha pra fazer isso além da pura diversão?

E mais, no começo dizem ao Sora que ele não pode dizer pra ninguém que é de outro mundo, porque é a regra e tem que ser assim. Mas pensemos por um minuto. Você aparece do nada com dois malucos que mais parece fugidos do circo e faz aparecer uma chave gigante pra bater nas coisas sabe-se lá como. Bem, qualquer pessoa mentalmente capacitada para abrir um refrigerante estranharia esse negócio como sendo diferente demais. Mas ninguém percebe. E ainda fazem cara de surpresa quando dizem que eles são de outros lugares! Tem que ter muita paciência!

Avançando um pouco na história, Sora descobre que Riku está bem. Mas o moleque foi cooptado pelas forças do MAL e está agindo enganado por elas pois quer ajudar a amiguinha sem nome sabe-se lá como. O que o faz entrar em choque com Sora. Claro, nesse tipo de jogo tem que ter o amigo bonzinho idiota e o metido a fodão brigando por um motivo qualquer. Eles tem que brigar pois a molecada adora esse tipo de coisa, mesmo que não tenha o menor sentido.

Pra terminar, os vilões da história são todos vilões clássicos da Disney como a bruxa da Branca de Neve ou o Capitão Gancho. Não sei quanto a vocês, mas eu deixei de levar as maldades dessa turma a sério quando fiz 10 anos.

Por fim, se você quer um jogo com um gameplay até divertidinho, mas com a história totalmente descartável pode jogar Kingdom Hearts.

“Fugidinha”: uma análise semântica.

30 jan

Muito bem, antes de mais nada digo que ando com uma preguiça extraordinária de escrever aqui. Por isso ando demorando pra atualizar. Espero corrigir isso num breve momento.

Então vamos ao assunto agora:

Todos vocês devem estar familiarizados com o estrondoso sucesso de um gênero musical hoje conhecido como “sertanejo universitário”. A verdade é que qualquer porcaria hoje chamam de universitário. O que me faz pensar no tipo de ensino que vem sendo dado por aí… Mas eu sou um jornalista! Quem sou eu pra falar mal dos procedimentos pedagógicos dos outros quando eu mesmo não levei os meus a sério? Enfim… Estamos falando de música aqui, não critica ao Ministério da Educação.

Mais especificamente a “música” produzida por um xará meu: Michel Teló.

 

Se eu fizesse uma cara dessas na foto meu pai me deserdava...

Então, esse cara de corte de cabelo duvidoso, que por desgraça da sorte tem meu nome, vem fazendo muito sucesso nas festinhas com suas músicas descoladas e estilo irreverente. Ou não, não presto atenção a essas coisas mais do que o que sou obrigado a ouvir num rádio eventual a me ferir os ouvidos. Em outras palavras: só escuto essa merda porque sou obrigado por força maior.

Mas o que faz meu xará – acho que vou trocar de nome depois desse texto – ser tão popular? Sinceramente, creio que deva ser a mistura de músicas dançantes com cara de idiota-homossexual-fashion. Existem vários por aí hoje em dia e você, que ouve essas porcarias todo dia, pode citá-los.

ADENDO!

Sim, eu sei que você parou aqui depois de uma procura no Google e pensa encontrar algo sobre seu ídolo para mostrar pras amiguinhas. Mas lamento, só vai ter a verdade de mim. E como é dito, a verdade dói.

FIM DO ADENDO.

Podemos resumir suas músicas como um grande emaranhado de refrões destinados a colar na cabeça das pessoas da forma mais perniciosa possível… Uma vez instaladas na mente da vítima não podem ser retiradas, sob pena de arrancar um bom naco de inteligência da pessoa ao mesmo tempo que destroem as sinapses existentes. Em resumo, uma praga.

Mas estou enrolando muito. Vamos ao que interessa, que é analizar academicamente a peça intitulada “Fugidinha” de autoria de meu malfadado xará.

Sério, vou trocar de nome depois disso…

Fugidinha

Tô bem na parada
Ninguém consegue entender
Chego na balada
Todos param pra me ver
Tudo dando certo
Mas eu tô esperto
Não posso botar tudo a perder

Este é o primeiro verso da música. Nota-se que o eu-lírico expõe o fato de estar em sua plenitude como pessoa em seu meio social. No caso, a balada. Notadamente, todos gostam dele e o respeitam. Contudo, não há motivo explicito para isso, de modo que só podemos aceitar que é dito. Até mesmo na segunda estrofe é dito que ninguém consegue entender. Muito provavelmente nem mesmo o próprio eu-lírico. Apesar disso, nas útimas estrofes é colocado que ele não pode “botar tudo a perder”. Sendo esse “tudo” na minha opinião, explicitado no verso posterior e seguintes mesmo que de forma um tanto quanto enviesadas.
Sempre tem aquela
Pessoa especial
Que fica na dela
Sabe seu potencial
E mexe comigo
Isso é um perigo
Logo agora que eu fiquei legal

Neste segundo verso o eu-lírico fala de uma “pessoa especial”. Não se sabe mais nada dela a não ser que tem “potencial” e “mexe” com o personagem. Neste caso, como é uma letra de sertanejo universitário supõe-se que se trata de algo de conotação sexual. Muito provavelmente um objeto de desejo do eu-lírico, tal como uma musa ou algo assim. Contudo, no decorrer do texto o personagem diz que isso é um perigo. Há um impedimento para que o desejo pela pessoa se concretize. O que se pode supor que os tais amigos da balada não veriam com bons olhos essa união. E, uma vez sendo uma balada, pode-se argumentar que é uma balada gay.
No momento todos respeitam o eu-lírico gay. Mas ele nutre desejo por um ente do sexo oposto, o que pode fazer com que ele perca este respeito rapidamente, fazendo com que as coisas não deem “tão certo” pra ele. Então podemos pensar num real empecilho para a concretização do desejo. A última estrofe fala que ele “ficou legal” há pouco tempo. O que pode indicar que o eu-lírico já sofreu reveses desses outras vezes e sabe as consequências disso, preferindo por manter suas preferências em segundo plano para não ser afetado socialmente.
Uma análise de cunho hétero também pode surtir o mesmo efeito aqui.
Tô morrendo de vontade de te agarrar
Não sei quanto tempo mais vou suportar
Mas pra gente se encontrar
Ninguém pode saber
já pensei e sei o que devo fazer
O jeito é dar uma fugidinha com você
O jeito é dar uma fugida com você
Se você quer
Saber o que vai acontecer
Primeiro a gente foge
Depois a gente vê.

Este é o último e maior verso da peça e traz a conclusão do problema apresentado na anterior. Posto que não pode satisfazer seu desejo pelo sexo oposto de modo aberto e explícito a todos, seu desejo só aumenta a ponto de ficar incontrolável. O que o leva a tomar medidas mais desesperadas, como fugir dos olhos de seu círculo social a fim de escapar das críticas que virão de tal comportamento. É uma conclusão simples e o problema está teoricamente resolvido, sem que nenhuma das partes tenha que demonstrar o que é publicamente para seus congêneres de balada.

Em resumo, a música fala o tempo todo de uma bicha enrustida que tem medo de dar loucamente ou de uma bicha louca que não quer aparecer com mulher do lado. De qualquer jeito, o personagem do texto não é sexualmente bem resolvido. Fim da análise.