O mundo maravilhoso – e violento – dos FPSs! Segunda parte – Half Life

1 jul

Vamos falar de um jogo que pra mim é simplesmente o melhor FPS que já joguei até hoje.

Mas antes, um adendo: Se vai começar a xilicar por causa de Duke Nukem melhor parar agora. Tenho um bom motivo pra não falar dele que se resume numa só palavra: vertigem. Não consigo jogar aquela benga sem que tenha vontade de vomitar a cada cinco segundos enquanto me seguro pra não ter um ataque epilético. Pode me chamar de fracote, mas não posso fazer  nada se um jogo faz isso com meu cerebelo.

Dito isto, continuemos.

Half Life foi lançado em 1998. Época em que muitos dos moleques que dizem amar FPS e enchem o saco nos multiplayers de Call of Duty ainda engatinhavam ou nem eram nascidos. A grande sacada do jogo em relação aos seus concorrentes como Doom e Quake é que ele, ao contrário desses, tinha uma história decente. Sim, não era só um troço no qual você tinha que atirar indiscriminadamente em tudo que se move. A coisa toda tinha uma lógica muito bem trabalhada.

Então falemos sobre ela.

O protagonista do jogo é Gordon Freeman, Phd em Física Teórica pelo M.I.T – Instituto de Tecnologia de Massachusetts, pra quem não sabe, e uma instituição bem real e reconhecida mundialmente. Ele trabalha para uma empresa de pesquisa tecnológica avançada chamada Black Mesa, no departamento de Materiais Anômalos. Ah, o tal laboratório se localiza numa antiga base de lançamento de foguetes e tem vários níveis subterrâneos. Mas o que tudo isso tem a ver com atirar, seu desgraçado, você já começa a perguntar. Eu digo que fique quieto e me deixe terminar…

Gordon Freeman, com seus ultra científicos aparelhos de pesquisa de campo.

Enfim, nosso amigo Gordon, por uma fatalidade não explicada do destino, chega atrasado para seu dia de trabalho quando o jogo começa. Provavelmente tomou todas no boteco na noite anterior e acordou tarde no dia seguinte com uma bruta ressaca. Pelo menos eu gosto de pensar que ele fez isso, o que adiciona um pouco mais de dramaticidade ao negócio. Continuando, neste mesmo dia, Gordon estava escalado para fazer parte de um experimento com um material novo dentro da Câmara de Testes do laboratório. Então, ele chega, toma um esporro de um colega por ter estado na esbórnia até tarde na noite passada, e vai colocar sua roupa de proteção para o tal experimento. Quando chega no lugar, a equipe responsável parece um tanto preocupada com o fato do material ser instável ou coisa assim. Preocupações logo dirimidas pelo cientista mais velho que manda todo mundo ir trabalhar e Gordon entrar logo na porra da câmara, senão vai pessoalmente pedir pro supervisor cortar o salário deles! Bem parecido com o que fazem com você no seu emprego, não?

Dentro da câmara, nosso amigo de ressaca realiza procedimentos de rotina para ativação dos equipamentos enquanto espera pela amostra a ser analisada. Imagino que, enquanto Gordon faz isso, vai pensando “puta que pariu, porque eu não disse que tava doente hoje e não podia vir trabalhar?” Admita, todo mundo já teve um dia assim, não?…

Então, a tal amostra chega e quando ele vai colocá-la dentro do aparelho de teste A COISA TODA EXPLODE NA CARA DELE!

Não consigo pensar num início de expediente pior que esse.  Se você consegue, por favor, me atualize.

No instante seguinte ele parece ser transportado para lugares estranhos cheios de monstros. O que certamente Gordon deve creditar à ressaca, já que essa merda não existe, né? Quando volta a si, vê que a câmara foi pro saco junto com todo o laboratório, aparentemente. Ele mesmo só não morreu por causa da roupa de proteção, obviamente. Tentando sair do lugar percebe que a merda foi bem maior do que imaginou e pensa novamente como tudo teria sido melhor se tivesse ficado em casa neste dia… O lugar inteiro parece que vai desmoronar a qualquer momento, e tem gente morta por toda parte. Os sobreviventes dizem que você tem que ir até a superfície buscar ajuda, já que suas chances são maiores por estar com equipamento de proteção.

Agora vamos dar uma pausa pra explicações. A tal explosão abriu buracos no espaço/tempo de onde estão saindo os monstros que Gordon viu. E essas criaturas estão atacando e matando as pessoas do lugar sem motivo aparente ainda no começo do jogo. Mas sem isso não teria no que atirar, não é?

No caminho até a superfície, nosso amigo tem que enfrentar esses bichos hostis. No começo com um pé de cabra. Mas não demora até você conseguir uma pistola de um dos guardas mortos do lugar. Daí pra frente seu arsenal só aumenta em tamanho e poder.

Aqui começo meu singelo questionamento. É o seguinte: Gordon Freeman nos é apresentado como um cientista com um título de respeito dada por uma das mais respeitadas instituições acadêmicas do mundo. De uma hora pra outra ele se vê numa situação limite onde é obrigado a lutar pra sobreviver. E como faz isso? Vira uma versão nerd do Rambo!!! Pior, mais pra frente no jogo, o exército dos EUA aparece pra matar todo mundo na base, numa tentativa de queima de arquivo. E Gordon enfrenta esses soldados altamente treinados como se fosse a coisa mais normal do mundo! Sei que videogame não é um troço necessariamente verossímil, mas sei lá, me incomoda um pouco isso. Mas acho que só eu me incomodo, então tá valendo…

Vamos para o jogo em si, pra acabar com essa merda! Ao contrário dos jogos do gênero na época, Half Life não é dividido em fases ou objetivos claros. Na verdade, toda ação se passa num ambiente contínuo e quase sem pausas. Bem diferente de Doom e derivados da época.  As pessoas ao longo do jogo dizem o que está acontecendo e o que pode ser feito pra concertar as coisas. Aliás, elas vão aparecer sempre. São os únicos elementos que te colocam por dentro do que está acontecendo na base.

Enfim, Half Life tem também duas expansões – se é que se pode chamar assim. Opposing Force e Blue Shift. O primeiro conta a história do ponto de vista de um dos militares enviados para dar cabo da situação em Black Mesa. O segundo segue um segurança comum da base, chamado Barney que passa por diversas situações acontecidas em HL e Opposing Force, no intuito de salvar o próprio couro daquela merda toda. E no processo acaba ajudando Gordon.

A alguns anos foi lançado Half Life 2, que conta os desdobramentos do acidente no mundo inteiro. Já vou dar spoiler: todo mundo se fodeu e Gordon terá que salvar o dia novamente, ou não. Parece que o Episode 2 acaba de um modo meio abrupto e sem explicação. O que fez os fãs enlouquecerem pela continuação até hoje. Não posso falar mais sobre pois ainda estou jogando o Episode 1. Talvez no futuro..

Bem, é isso. Queria falar de mais outro jogo do gênero, mas a preguiça me toma. Quem sabe outro dia. Semana que vem quero falar de outro assunto que não seja atirar nas cabeças dos outros.

Mas atirar na cabeça desses bichos é legal!

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