O alquimista dos elementos passivos

20 mar

Cá estamos de novo. E suponho que todos estão de saco cheio de me ver falar sé de videogame ultimamente. Isto é, se ainda se dão ao trabalho de ler o que eu escrevo… Enfim…

Por isso resolvi voltar aos textos sobre literatura. Até porque eu me sinto menos nerd falando sobre livros do que jogos eletrônicos. Então, para marcar esta volta, escolhi um livro muito famoso por aí:

Certo, antes que começem a me xingar vou logo dizendo… Dizer o que? Que acho o livro interessante? Ou que Paulo Coelho é o melhor escritor desde Homero? Isso eu nunca vou dizer, podem estar certos. Mas não é ruim a gente saber como essas coisas funcionam de vez em quando. E foi justamente isso que me fez ler esse troço.

Antes de mais nada digo que não tenho nada contra o Paulo Coelho, seu modo de escrever e de vida. Cacete! Se eu tivesse grana pra morar num castelo na Europa e pegar todas as mulheres que eu quisesse só com o que eu escrevo seria um cara realizado! Mas com o que eu faço provavelmente ganho uma feirinha de literatura em Itajubá do Sul e como prêmio uma melancia…

Triste vida a minha!

Só estou dizendo isso porque nosso amigo Paulo Coelho usa muito o argumento de “inveja” para os que o criticam. Logo, não tenho porra de inveja nenhuma dele, mas admiração! Afinal, é o modelo de escritor que pretendo ser se algum dia algo que eu escrever for vendido aos milhões. E assim, eu puder ter uma vida semelhante ao do Charlie Sheen. Sim, eu sei que todo mundo quer uma vida parecida com a daquele cara.

Dito isso, vamos logo ao livro.

O Alquimista conta a história de um pastor de ovelhas e suas ovelhices nas planícies do sul da Espanha. Certo dia ele estava no meio do pasto quando foi dormir – o que deve ser normal pra pastores, ou não – e sonhou com pirâmides. Acontece que o rapaz já tinha sonhado com isso antes e nesse sonhos diziam que ele encontraria um tesouro perto delas.

Até aí nada de mais. Eu sonho com naves espaciais e c0mbates de morte quase toda noite. Mas isso não quer me dizer que eu vou ser abduzido e entrar numa guerra interplanetária como o único capaz de dar um fim no conflito. Seria muito legal, mas não vai acontecer – ó tristeza!

Enfim o rapaz sonha com pirâmides de noite e fala com ovelhas de dia. O que isso tem de interessante? Basicamente, nada. Mas ele está a caminho de uma cidade no qual vai vender lã e paquerar a filha do tecelão seu freguês e por isso está feliz.

Quando chega a cidade, deixa suas ovelhas no curral de um amigo e vai para a praça do lugar ficar fazendo porra nenhuma enquanto pensa em que tipo de cantada vai passar na moça para que ela lhe dê acesso as suas calcinhas. Coisa que todos nós fazemos em diferentes momentos de nossas vidas…

Neste momento, aparece um velho! Ahá!!!!

Mas o velho é só um mendigo retardado que parece muito bem informado sobre a vida e os sonhos do nosso herói. E diz que ele deve perseguí-los. Espantado pelo fato do sujeito saber de tudo da sua vida, o rapaz acaba por seguir o seu conselho. Vende suas ovelhas, mas a mocinha filha do tecelão à merda e vai em busca das pirâmidas, mesmo ele não tendo a menor idéia de onde essa merda se localiza. Antes de ir, encontra novamente o velho que se revela um rei ou coisa que o valha e abre sua camisa. Quando você pensa que teremos uma cena explícita de homosexualidade no livro sabemos que o sujeito usa uma placa de ouro com pedras preciosas cravejadas nela. O velho tira dois cristais de lá e dá para o pastor.

Agora vamos pensar. O que raios um cara com uma placa de ouro no peito estaria fazendo ali? Aliás, o que estaria fazendo em qualquer lugar? Não consigo imaginar alguém andando por aí com um pedaço de ouro provavelmente bem pesado no peito abordando desconhecidos por nada. Mas divago…

Depois disso, nosso pastorinho pega o primeiro barco para a África. Lá fica que nem um idiota andando pra cima e pra baixo sem entender porra nenhuma da língua. Como é um cara muito crédulo, nosso amigo resolve pedir ajuda ao primeiro sujeito que fala com ele e tem seu rico dinheirinho roubado. Então, sem lenço, nem documento resolve se encolher em posição fetal num canto da rua chorar a sua burrice quando lembra das pedrinhas que o velho maluco tinha lhe dado!

Eram pedras para advinhar o futuro. E só de por as mãos nela o cara se sente melhor. No dia seguinte procura trabalho numa loja de cristais de um cara já com a vida vazia e sem sentido, esperando pela morte. Ele, como bom sujeito que segue sua Lenda Pessoal – vou explicar isso mais tarde – consegue colocar sentido naquela vida desgraçada fazendo a loja crescer.

Depois de um ano consegue dinheiro para poder comprar um novo rebanho de ovelhas e poder voltar pra casa. Mas eis que o cara, maluco como ele só, resolve embarcar numa caravana para o Egito tentar encontrar as tais pirâmides.

Bem, é mais ou menos até aqui que eu li até agora. Mas acho que já posso dizer alguma coisa sobre a história de nosso Paulo Coelho: tediosa até não poder mais.

Sério, o que ele estava pretendendo passar quando escreveu isso? Que as pessoas alcançacem paz de espírito lendo essa coisa? Que fossem buscar um sentido para suas vidas ou coisa assim? Bem, eu quando leio algo quero me surpreender. O Alquimista me surpreendeu muito pouco.

Outra coisa. Toda a linguagem do livro passa uma grande tranquilidade. Como se nada que o cara pudesse fazer realmente mudaria seu destino. Tudo está escrito, como é martelado incessantemente na história. Então, a coisa toda acaba não tendo emoção nem nada.

Por exemplo, Memórias Póstumas de Brás Cubas é sobre um cara que nunca fez nada de importante na vida falando dela, e por extensão dos outros, depois que morre. Logo, ele não tem que esquentar a cabeça com o que vão pensar dele, pois já está morto e pode descer o malho em tudo sem esquentar.

O Alquimista parece uma história feita para quem não quer ter emoções. É insosso como história. E tras uma filosofia de botequim que ninguém leva a sério.

Agora eu poderia terminar o texto, mas não vou fazer isso. Não agora. Queria dizer por fim que não tenho nada contra o livro pelo que ele se propõe. Ou seja, ser alívio para solteironas mal amadas. Esse tipo de coisa tem que existir sempre. Por isso eu parei um pouco nas críticas ali em cima porque eu sei que todo o planeta já criticou o livro com os mesmíssimos argumentos. O que eu quis fazer era só mostrar como coisa toda pode ser engraçada de certa forma se você não levar a história de um cara indo atrás de pirâmides à sério.

Acho que nem o próprio Paulo Coelho leva o livro a sério, entao não serei eu que o farei.

Pra terminar devo dizer que continuarei dando chances de Paulo Coelho me surpreender com uma história. Até porque as pessoas mudam com o tempo, espero. E quem sabe ele pare de escrever para pessoas em estado terminal que não podem ter emoções fortes.

3 Respostas to “O alquimista dos elementos passivos”

  1. Erisianus 21/03/2011 às 0:07 #

    Eu tive uma experiência parecida com o livro Brida do mesmo autor. Não sei se o título está correto. Minha tia-avó é adepta da leitura de cabeceira e tem alguns livros do Paulo Coelho. Quando visito, tento ler alguns dos livros.

    O que acontece é que é raro esse homem começar um livro com qualquer premissa que me atraia, o que me assusta dado o assunto sobre o qual ele escreve. Ele devia tentar começar algo in medias res para ver se ao menos alguma ação os livros dele podem conter desde o início.

    Nunca li qualuer livro seu inteiro, mas imagino que nenhuma ação eles contém.

  2. Daniel 21/03/2011 às 2:30 #

    Falou bem, Maicou. O Paulo Coelho consegue encontrar o grande público com o estilão dele, e é sucesso total no mundo inteiro. Mas…
    Estou no time que gosta do Machadão, da ironia mordaz, das provocações, dos convites à loucura, e das narrativas espirituosas. Também gosto de grandes histórias, de pequenos contos urbanos, e afins. Não tenho interesse nos livros de Paul Rabbit, o bruxo carioca.

  3. Rogério Moura ' 25/11/2011 às 20:11 #

    Tem gente que vê mas não enxerga, que le mas não entende.O Alquimista relata sobre uma pessoa que vive para realizar o seu sonho, uma pessoa dinamica, que corre atras,que tem objetivo, em vez de ficar alienado com as futilidades da vida.O problema é que o livro fala em linguagem simbolica, por isso muitos não entendem, pois estão acostumados com a giria da mídia.É como os quadros famosos de arte,muitos não entendem porque são caríssimos, dizem: é apenas uma pintura.Não tem olho para enxergar as nuances, o estilo do autor.O mesmo é o Alquimista é preciso coração, sentimento, alma, vivencia e um pouquinho de cultura.Por que se não é melhor não perder tempo com livros como o Alquimista, e sim ler gibis e folhear catalogos.

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