Contar uma história eletrônica

21 ago

Outro dia estava conversando na internet sobre o conceito de uma Quest num MMORPG para um trabalho acadêmico. O trabalho não é meu, mas da pessoa com quem eu estava tendo a conversa, claro. E vejam só, o professor mandou os alunos pesquisarem sobre uma quest existente em Ragnarok, simplesmente o pior MMORPG já criado na face da Terra, mas isso não vem ao caso. Nem o fato da missão em si ser a coisa mais nonsense que eu ja vi, até para o jogo.

Então, esses dias pensei o seguinte, falo tanto como se conta uma história em filmes e livros mas quase nunca falo isso sobre videogames…

Aviso para quem vive nos tempos da pedra lascada: Sim, videogames contam histórias muito melhores do que aquelas coisas horrendas que a maioria de vocês assiste a noite e chama de novela. Cara, eu fico pensando quem perde tempo vendo novela! É tudo igual! Um bando de heróis estúpidos e um vilão mais estúpido ainda que passa o dia inteiro planejando intriguinhas retardadas. E só não é pego porque os heróis são tão retardados, mas tão retardados, que é capaz de uma tábua ser mais esperta que eles. Enfim, novela é um saco.

Mas onde estávamos?…

Ah, sim! Videogames.

Como em livros e filmes, há muitas formas de se contar histórias através dos videogames, dependendo do estilo de jogo empregado. Alguns utilizam-se de “cutscenes”, que nada mais são do que cenas intercaladas entre os intervalos da ação. Isso acontece muito num RPG. Existem outras formas, tantas quanto a criatividade das pessoas possa permitir. Ultimamente a moda tem sido contar uma história corrida, junto com a ação do jogo. Assim o enredo se desenvolve junto com o jogo e não há pausas para contar a história como geralmente existem com as cutscenes.

Mas tudo isso não significa nada se você não tem uma boa história para contar. Sim, porque você pode ter um jogo com a mecânica muito boa mas uma história sem a menor graça. A isso eu chamo de complexo de Valkyrie Profile. Explico:

Eis o jogo muito bom se de jogar mas sem grande história

Enfim, pra quem não conheçe, Valkyrie Profile é um jogo sobre mitologia nórdica. É interessante porque não segue os padrões dos RPGs japoneses de sempre, o que é um alívio. O problema é que sua história é muito solta. Você simplesmente anda pelos cenários e pode, ou não ver cenas. O mais provável é que não veja se não estiver usando um guia bem detalhado…

Mesmo se estiver a história não é lá essas coisas.

Isso é um exemplo de um bom jogo com uma história mais ou menos. Acontece muito, essa é a verdade. Contudo, o mais comum é que aconteça um jogo ruim com história péssima. Esse acontece quase sempre.

Isso se dá quando os desenvolvedores não sabem muito bem o que fazer com a história ou como direcionar o jogo em si. Lembrem-se, videogames não são filmes interativos, embora exista gente hoje em dia que pense assim. Você precisa ter uma certa dose de desafio, e esse desafio tem que estar dentro da narrativa para se tornar verossímel. É de se esperar que o herói que salva o mundo tenha que enfrentar muitos inimigos até o final da história, por exemplo. Mas fica estranho se um jogo te dá um desafio que não corresponde à história.

Hack//Gu, um jogo que tinha tudo pra ser interessante e não foi.

Um jogo que eu gosto muito de exemplificar é Hack/Gu ou sei lá como se escreve o nome dessa merda. Ele tem umas conexões com desenhos animados que eu não assisti, mas mesmo assim a história não se salvou muito pra mim. O negócio era o seguinte: você é um cara que joga um MMORPG mundialmente famoso chamado The World, e de uns tempos pra cá os nerds tetudos estão ficando muito doentes depois de algumas partidas. Lembro que é mais ou menos isso, mas não importa muito.

O que importa é que o jogo inteiro se passa dentro do tal MMORPG e ponto. E a história inteira é sobre uns caras que tentam consertar o jogo… Sim, é idiota. Tem até o protagonista chato que quer ser o guerreiro mais fodão, típico de historinhas ruins. Além do mais, o jogo tem muito poucos cenários, que se repetem o tempo todo. O que destrói muito a idéia de que você está jogando um troço online… Ainda que a maioria dos jogos assim seja uma merda fumegante de qualquer jeito.

O que acontece é que você tem um desafio e uma história que não se combinam. Certo, o jogo é um MMORPG. Mas não se preocuparam em criar uma parte fora com o mundo “real”, onde as ações dentro do jogo influenciam os jogadores. E cacete! Eu poderia pensar num plot muito melhor do que o colocado no jogo simplesmente dizendo que um hacker maluco quer tomar todos os sistemas essenciais de um país através do jogo, que é tão popular. Isso já é uma história muito melhor do que consertar erros internos.

O resultado é que você não se identifica com os personagens, que a bem da verdade são apenas bonequinhos controlados por suas partes “reais”, as quais nunca aparecem. Ou seja, eliminaram um elemento importantíssimo do jogo, sem o qual a narrativa fica quebrada. Depois de um tempo você cansa de andar por todos aqueles cenários repetidos e situações idiotas pois não se vê relação disso com o jogo em si.

Enfim, Hack é uma merda!

Mas ainda falta falar sobre um jogo que tem história e jogo equilibrados e dosados de forma harmônica. Então lá vai!

Você pode não gostar, mas God of War tem tudo que é preciso.

E o escolhido é… God of War!!! Certo, muita gente fresca metida a esperta diz que não gosta do jogo. Tudo porque o Kratos – o rapaz calmo e sensível ali do desenho – é um idiota de marca maior. Ou porque eles destroem a mitologia grega. Mas eu aprendi uma coisa jogando esse troço: Os caras realmente souberam fazer um bom jogo.

Pra quem não sabe, God of War é descendente direto de beat’em ups – jogos de porrada – como Double Dragon e Final Figth. A diferença é que o troço tem uma narrativa que segue o jogo e não simplesmente soque todo mundo que vê pela frente e tá tudo certo.

Enquanto se avança no jogo a ação vai transcorrendo e mudando o ambiente da coisa toda. Num momento Kratos pode estar espancando soldados persas quando de repente um monstro mitológico arrebenta a parede matando quase todo mundo, fazendo nosso dedicado herói enfrentá-lo numa batalha de vida ou morte. Isso entre outras coisas como ajuda divina e diálogos.

Até porque o jogo foi feito quase que como um filme interativo. Eu disse quase!!!

Só não o considero assim porque o jogo oferece um desafio decente para o jogador e não o faz simplesmente sentar no sofá e assistir a tudo sem fazer nada. Pra você progredir na ação precisa jogar, mesmo que o jogo em si não seja lá muito difícil. Mas isso não importa.

Acho que falei de quase tudo que queria aqui. Quem sabe agora possa ler um bom livro e destilar minha arrogância literária por aqui outro dia!

Uma resposta to “Contar uma história eletrônica”

  1. Mellydiadol 28/10/2013 às 21:03 #

    veja a ideia de .hack//limited ou coisa parecida

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