Ilíada. Torce pros gregos ou pros troianos?

6 abr

Cá estou eu pra mais um mês neste blogue que ninguém lê. Agora vou falar de uma história que quase todo mundo conheçe mas que ninguém ou quase ninguém leu de fato. Eu, como boa traça gigante, já a li.

Faz uns bons anos. Estava no começo do segundo grau e era um gorducho e depressivo moleque nerd que não arrumava amigos na hora do recreio. Então eu ia me esconder todas as vezes na biblioteca. Quase ninguém ia lá e eu poderia ler meus livros e jornais em paz pelos vinte minutos seguintes até voltar ao convívio incômodo de meus colegas de classe. Sim, eu era patético. Em muitos casos ainda o sou. Mas isso não quer dizer que eu seja um chato completo…

Tá legal, eu sei que sou insuportável e você só lê o que eu escrevo pra se sentir menos perdedor do que é realmente. Afinal, um sujeito que passa sua vida toda enfurnado em clássicos da literatura não deve ter nada de interessante pra fazer da vida… É, de certa forma sim. Mas não estou aqui pra falar da minha vida nem das suas vidas vazias e sem cultura. Eu pelo menos li mais livros do que vocês em toda sua vidinha!…

Er… Acho que me empolguei…

Enfim, estava eu perdido entre as estantes da pequena biblioteca da escola quando dei de cara com A Ilíada. Quando dei de cara com o título, apareceu em minha cabeça a onipresente imagem do cavalo de Tróia, levando soldados para dentro da cidade cheia de idiotas que acharam uma boa idéia levar um cavalo de madeira de 15 metros pra dentro dos muros. Enfim, a história toda do Aquiles e da flechada no calcanhar e mais uma porrada de gente. Confesso que o que mais passou por minha cabeça foi a imagem do cavalo de madeira. Sim, o mito era conhecido por mim através dos desenhos animados e filmes mitológicos de baixo orçamento que pipocavam na televisão naquela época. Então, peguei o desgraçado para ler. Não tinha nada melhor pra fazer a não ser um chatíssimo dever de casa de matemática mesmo. E como eu sempre odiei matemática imaginem o que eu resolvi fazer de verdade…

Não, não foi bater punheta, seus pervertidos! Dediquei-me de corpo e alma a ler a história do cerco de Tróia e das batalhas sanguinolentas que faziam minha pequena carga de testosterona rosnar como um tigre enjaulado. Afinal eu era um adolescente. E adolescentes adoram cenas de matança indiscriminada sei lá porque motivo…

Falemos agora de gregos e suas maluquices.

O poema, porque é um poema seu inculto de merda, conta sobre as últimas batalhas do cerco dos gregos contra Tróia. Se me lembro bem, a guerra durou uns bons dez ou quinze anos e muita gente morreu no processo. Mas Homero é um cara que não liga pra essas coisas e ignorou totalmente estilos jornalísticos consagrados e optou por fazer um relato bem mais interessante da coisa toda.

Pensando melhor acho que ele foi mais jornalístico que muito cara por aí hoje em dia. Pelo menos ele contou as coisas com mais detalhes…

Chega de palhaçada, vamos ao poema propriamente dito.

A coisa toda começa já com Aquiles puto da vida porque Agamenon resolveu foder com o cara e pegou as presas de guerra dele, inclusive umas escravas que ele tinha descolado nos cercos que eles haviam feito no caminho até ali e que não interessam a ninguém. Enfim, o homem ficou sem suas putas. O que não significa muito pra ele como saberão mais pra frente. Isso fez com que ele se emputecece e tirasse todos os homens que ele trouxe da guerra, provocando uma bela baixa no exército grego.

Aquiles putinho por terem sacaneado com ele.

Então, pelo fato de Aquiles não querer mais mover um músculo pra ajudar na guerra dos gregos os caras foram obrigados a ter que mandar alguém pra acalmar o cara, uma vez que ele era imprescindível para a coisa toda. O fardo caiu primeiro sobre Menelau, o corno-mór e razão para aquele monte de infelizes estarem ali naquele inferno. Pra quem não sabe, a mulher dele fugiu com Páris, príncipe de Tróia, o que deu motivo à guerra. Mas ele mesmo parece não estar ligando muito pra isso. Tentando dar uma de paizão procura acalmar Aquiles, mas é inútil. O cara estava irredutível…

Assim começa a história. Não, não vou contar como ela é toda, vá procurar o livro e ler seu vagabundo. Como é um clássico universal não deve ser difícil encontrar por aí.

O que é muito legal na Ilíada é como a guerra toda é contada desde as carnificinas no campo de batalha até as tramóias dos generais de ambos os lados e até dos deuses para proteger seus favoritos. Todos os eventos tem uma grande carga dramática e são cheios de detalhes. Um bom exemplo é o filho de Heitor, que fica com medo do penacho que ele tem no capacete por parecer ameaçador.

Existem várias histórias de bravura no meio das batalhas onde de repente um cara começa a matar os inimigos a sua volta com uma ferocidade digna de um Kratos. Isso acontece o tempo todo. Mas vamos dar mais atenção ao Aquiles, uma vez que ele é um dos protagonistas dessa merda toda.

Além dele ser o primeiro grande super herói do ocidente.

Sim, ele é filho de um homem com uma ninfa do oceano, o que o torna um semideus. Fora isso, sua mãe o banhou num rio cujo nome esqueci o qual lhe deu invulnerabilidade. Ou seja o sujeito era um semideus com uma força desgraçada e ainda era invulnerável. Simplesmente uma fera no campo de batalha. Não admira que o Menelau teve que se humilhar pra tentar fazer o cara voltar. Qualquer um no lugar dele faria o mesmo.

Uma das grandes passagens da Ilíada que me lembro até hoje é quando os soldados de Troiam começam a atacar a forticação grega. Nesse momento Aquiles simplesmente sai e grita para a galera, o que os faz recuar imediatamente. Se isso não é autoridade não sei mais o que é.

Mas nem tudo é testosterona na vida de Aquiles. Como um bom grego ele gostava de dar uns pegas no amiguinho dele, Pátroclo. Contudo, seu colega de bunda resolveu que as coisas estavam muito ruins para os gregos devido à saída de Aquiles da batalha. Então ele tomou a atitude que qualquer homem no seu lugar faria! Vestiu a armadura do amigo e saiu pra briga como se fosse ele. Tá, ninguém com um cérebro faria isso… Mas ele fez, o que surtiu um certo efeito. Tanto que chegou até as muralhas de Tróia assim, para depois ser morto de maneira humilhante por Heitor… Sim, Pátroclo era uma besta.

E foi isso, e não os argumentos de reis, que fizeram Aquiles voltar para a guerra. Ele queria a cabeça de Heitor por ele ter matado seu querido amigo.

O que nos faz chegar a conclusão de que Ilíada é um grande conto de vingança. E muito mais que isso. Há amor, ódio, medo, vaidade, vilania e tantas outras coisas tão tipicamente humanas na história que valorosamente ela merece o nome de épico.

Isso sem falar nas batalhas gigantescas e sensacionais que sempre acontecem, cheia de seus próprios heróis.

Pra terminar devo dizer que Aquiles finalmente mata Heitor. Acontecem outras coisas menores na história que culminam no funeral do príncipe. Nesta parte a Ilíada acaba. Isso mesmo, não há cavalo de madeira gigante. Devo dizer que fiquei seriamente desapontado ao saber disso, quando terminei o livro. Mas se forem ler isso só por causa de um cavalo idiota é melhor nem começarem.

Acho que é o fim. Té outro dia.

2 Respostas to “Ilíada. Torce pros gregos ou pros troianos?”

  1. Daniel 09/04/2010 às 20:43 #

    “Tá legal, eu sei que sou insuportável e você só lê o que eu escrevo pra se sentir menos perdedor do que é realmente”. Hahahaha!!! Seu fanfarrão!! Como já disse o poeta: “Eu que já não quero mais ser um vencedor /
    Levo a vida devagar pra não faltar amor”.

  2. Daniel 09/04/2010 às 20:57 #

    Seu relato é incomparavelmente mais agradável do que suas imprecações, meu velho. Hehehehe!!

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