Saramago, o criador incriavel.

3 jan

Sim, senhoras e senhores. Vamos falar de literatura novamente. E como havia prometido antes, de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura – se bem que hoje em dia isso não signifique muita coisa – e um dos escritores que mais respeito no mundo. Sim, eu o continuo respeitando apesar das verdadeiras bombas atômicas que ele vem escrevendo nos últimos anos. Mas falaremos disso mais pra frente. Vamos começar falando só bem do velho.

Saramago é o que eu chamo de expoente atual a literatura em língua portuguesa. Afinal, você conheçe alguém que escreveu coisas mais fodas do que ele em português e que ainda esteja vivo? Eu não. Por isso Saramago merece um grande status.

O velho é o bicho mesmo!

O homem é, antes de tudo, um político. Ele sempre vai tentar te convencer das suas idéias no decorrer da história. Seja da sua crença política ou do seu ateísmo. Saramago não é um autor que simplesmente quer contar uma historinha e acabou. Ele quer te convençer de algo. No que ele é muito bem sucedido na minha opinião.

Por exemplo, em O Evangelho Segundo Jesus Cristo ele sempre destila sua ironia contra o cristianismo. Chega até a estabelecer uma relação de contrato entre o diabo e Jesus. O que deve ter feito as carolas ficarem com todos os cabelos do corpo em pé… Não me admira os padrecos detestarem o cara.

Em Ensaio Sobre a Cegueira ele criou uma situação de confusão social generalizada por uma doença para dizer o quanto o ser humano é ruim e nojento quando se trata de sobreviver. Nada que não seja real. Mas é real demais para a pobre imaginação dos leitores.

Não sei quanto a vocês, mas ler Ensaio Sobre a Cegueira me deixou com um leve desconforto estomacal, pra dizer o mínimo.

Por isso e muito mais, José Saramago mereceu o Prêmio Nobel que ganhou.

Mas há um porém, sempre há. Depois disso a produção do cara tem caído vertiginosamente de qualidade. A ponto de fazer livros chatos de ler e sem a menor criatividade e até repetição de temas. Caim, o seu livro mais recente, é assim. Simplesmente reciclou o que foi dito em outros livros numa história sem pé nem cabeça que desafia a lógica do leitor.

Quem não é acostumado a ler nada dele certamente vai detestar de primeira a obra…

Mas aí penso, o cara ganhou a porra no Nobel. Depois dessa ele pode simplesmente mandar meio mundo à merda e escrever do jeito que mais lhe aprouver, ou não. Talvez eu mesmo faria algo assim caso um dia ganhe o tal prêmio – sonha!… Afinal, deve ser legal ser foda, ganhar reconhecimento por isso e depois dar uma sonora banana para tudo e todos depois.

Por isso Saramago ainda continua foda, mesmo que tenha caído de produção.

Uma resposta to “Saramago, o criador incriavel.”

  1. Daniel 27/01/2010 às 22:36 #

    Não li nada dele, depois de “Ensaio sobre a cegueira”. Tenho que ver o que o gajo anda escrevendo. Falou, bagunceiro!

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