Distrito 9: Olho por olho, dente por dente.

2 nov

Sim, eu sei que todos os sites relacionados ao cinema estão comentando o filme. Também sei que ele estreou no Brasil. Por isso resolvi escrever uma resenha diferente sobre o filme.

Dizer como é o filme, se é bom, ruim ou vale a pena gastar seu dinheiro pra ver isso é trabalho de outras pessoas muito mais qualificadas do que eu – e principalmente, elas são pagas pra isso. Minha idéia aqui é pegar um ponto dentro do filme que foi até bem explorado no começo dele mas que ficou meio esquecido do meio pra frente.

Para não contar a história chamarei esse elemento apenas de A Lei do Mais Forte.

Sim, eu já vi o filme pela internet antes do lançamento brasileiro e não me orgulho disso. Mas estava ansioso demais. Mea culpa, mea maxima culpa! Em respeito aos produtores e profissionais que trabalharam no longa não revelarei os meios pelos quais tive acesso ao conteúdo total da obra, muito embora todo mundo já saiba onde encontrar essas coisas. Principalmente os executivos dos estúdios.

Então vamos logo pro texto, pessoal!

Então vamos logo pro texto, pessoal!

No filme, uma nave com cerca de um milhão de alienígenas encalha sem motivo aparente em cima de Joanesburgo, na África do Sul. Digo, encalha, porque se os ETs tivessem escolhido um lugarzinho melhor pra cair seriam as Ilhas Gregas, ou qualquer outro lugar mais civilizado.

Sim, porque um povo que fica O TEMPO INTEIRO tocando uma maldita corneta durante um jogo de futebol é tudo menos civilizado. Mas deixemos os pormenores para trás e até mesmo os políticos do país que não devem ter gostado nada como seu paizinho, às vésperas de uma Copa do Mundo, é mostrado.

Imagino o estardalhaço se o filme se passasse no Rio de Janeiro…

Políticos gritando em fúria hipócrita contra a honra manchada da pátria e tudo mais. Outros idiotas seguindo a conversa, achando que com isso resolvem os problemas.

Enfim, o filme se passa onde se passa simplesmente porque o diretor nasceu e cresceu lá. Só isso. Ou seja o cara fala do que conheçe bem:

A filha da putice humana!!!

Sim, senhoras e senhores! Este é o assunto deste texto de hoje. O filme é apenas um mote para mostrar o quanto o ser humano é filho da puta.

Você, seu nerd, que fica o dia inteiro trolando os outros na internet, que está vinte quilos acima do peso, que não tem vida social tampouco sexual a não ser com sua mão, você também é um escroto humano!

Mas não precisa ficar com vergonha, existem muitos piores que você!

Exitem ditadores, torturadores, criminosos e até donas de casa que não valem um prato de miojo queimado.

O problema é que a brutal maioria dos seres humanos pode ser assim quando o tempo se faz favorável…

District 9

Que lindo, negros e brancos unidos pra sacanear os ETs!

Voltando ao filme,  o que acontece nele é que os alienígenas acabam confinados num campo, sem poder ter contato com qualquer ser humano que não porte no mínimo um fuzil apontado diretamente para a cara dele. Com o passar dos anos, o campo torna-se uma favela tão nojenta que faria qualquer morro do Rio de Janeiro parecer um condomínio de luxo de frente pro mar. Um lixão mesmo.

E o que nossos colegas de espécie fazem? Continuam achando os caras nojentos e os querem fora dali. Não importa o fato de não ajudarem picas quando os caras mais precisavam, não importa que ninguém dê bola pra eles e só os mantém por interesse militar. O que querem é ver os camarões, como eles chamam, pelas costas.

Isso tudo acontecendo num país onde teoricamente o Apartaid devia ter sido extinto e todo mundo aprendido sua lição do dia.

Mas quem disse que as pessoas aprendem alguma coisa?

E bala nos ETs!!!!

Sim, as pessoas são tão cruelmente filhas da puta que podem simplesmente esquecer todo passado de sofrimento de seu povo depois de um ganho próprio.

Isso me lembra uma parte do meu livro preferido, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Estava lá nosso herói passeando calmamente pelas ruas quando vê um negro chicoteando outro com toda força. O negro que chicoteava era obviamente o dono do escravo azarado, então, ninguém mexia um músculo.

Brás, reconheçendo no chicoteador o seu escravinho de brinquedo de infância o chama pelo nome. O qual é prontamente atendido e as chibatadas param. Mas nosso amigo Brás não foi um senhor exemplar, daqueles das novelas. Ele espezinhava o menino o tempo todo quando era criança, fazendo-o de montaria até que seus joelhos sangrassem.

Quando o cara cresceu e conseguiu a alforria, acabou conseguindo alguma coisa na vida e com isso um escravo. O qual chicoteia sem dó.

Viram? É tudo questão de posição. Não existe ninguém bonzinho no mundo como sabiamente falou Machado de Assis. Se um cara tiver oportunidade de foder com a vida de alguém ele vai.

castigo3

Cara, isso deve doer... Muito.

Essa, pra mim é a premissa do filme. O resto, como a parte de ação e como o escrotinho maior acaba se tornando o herói da bagaça é tudo uma grande perfumaria.

Não tem preço ver negros se divertindo junto com brancos matando alienígenas e suas crianças sem dó nem piedade. Como se eles fossem menos que lixo. Pois é isso que as pessoas fazem com as outras quando lhes convém.

Se você não acredita em mim, pense no que você faria com seu vizinho chato caso tivesse poder para tal.

A humanidade não tem jeito, cara. Essa é a verdade.

E é por isso que filmes como District 9 são tão necessários. Pra nos mostrar o quanto ruim nós somos. Nós mesmo. Em cada um de nós existe um tirano várias vezes pior do que o maior tirano que você pode pesquisar. Basta oportunidade para isso.

Se não acredita ainda, pense em quantas vezes foi filho da puta durante o dia de hoje ou tente amanhã. Vai se surpreender.

Ou vai procurar uma igreja qualquer, que é pra onde as pessoas gostam de ir para fingir que se purificam de sua enorme maldade enquanto só a enaltecem.

A própria idéia de um deus único fodão e colossal que faz tudo, vê tudo e pode te punir com o inferno só porque você bate uma na frente do monitor é a coisa mais maléfica que eu posso pensar no momento. Isso sem falar nas mortes envolvendo nomes de deuses idiotas ou o da moda mesmo.

Sim, sou ateu. Mordam suas mãos antes de postar qualquer asneira religiosa pois serão prazeirosamente sacaneados.

Ué? Eu também não posso ser filho da puta de vez em quando também não?

Uma resposta to “Distrito 9: Olho por olho, dente por dente.”

  1. Discordius 02/11/2009 às 19:35 #

    Assisti ao filme ontem. Quando começou tive a impressão de que estavam querendo fazer um filme sobre o Apartheid disfarçado de ficção científica. Mas nunca foi para frente o tema, como Michel disse.

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