Putaria de Papel

13 ago

Tava aqui procurando alguma coisa interessante pra escrever e até pensei em coisas legais, como falar da criação de personagens em desenhos japoneses ou roteiros de videogames…

Mas cheguei à conclusão de que ninguém quer saber disso. Sério, quem tem paciência pra aguentar minhas nerdices quando nem começei direito o blogue?

Então, sem mais delongas, vamos anunciar o assunto da semana:

SEXO!

Podem comemorar!

Podem comemorar!

Pois é galera, vamos falar mesmo de putaria. Mas como este é um blogue pop-literário – nossa, criei um conceito! – escreverei sobre sexo na literatura, usando alguns livros bem famosos como objeto.

Queriam o quê? As páginas da Playboy do mês? Lamento mas estão no lugar errado.

Kama Sutra

A figura mais levinha que achei. Isso é blogue de família, tá!

A figura mais levinha que achei. Isso é blogue de família, tá!

Vou ser sincero, não conheço praticamente nada desse livro. Já procurei algumas vezes sem encontrar, outras vezes não quis por pura preguiça. Então, de acordo com a poderosa wikipédia, o livro trata de práticas sexuais diversas transcritas em sânscrito por um sujeito chamado Mallanãga Vatsyãyana há muitos milênios atrás.

Certamente ele dispunha de muito tempo livre, um belo gosto por perversões e a completa falta de qualquer senso de discrição.

Mas sejamos justos. O livro não era simplesmente um guia de putaria antiga do tipo que um indiano qualquer poderia comprar no mercado e ficar batendo uma com as figurinhas no banheiro.

Não senhor! Era um guia para relacionamentos conjugais, seus putos! Não para putaria genérica.

Tá certo que os caras capazes de ler a obra também tinham grana pra sustentar exércitos de esposas, amantes, consortes e qualquer outra coisa no qual o cara poderia colocar o pinto dele…

Pensando bem, é um guia de putaria extrema mesmo. O mais velho do mundo.

Decamerão

Eu particularmente gostei dessa imagem.

Eu particularmente gostei dessa imagem.

Decamerão, ou Príncipe Galioto, está entre os livros que eu jamais consegui passar da metade por motivos diversos. Um dia escreverei sobre esses livros, se tiver leitores que tenham essa curiosidade. Mas no caso do Decamerão em si é porque o livro fica muito chato e repetitivo depois de um certo ponto.

Explico:

A história começa com alguns jovens fugindo de Florença e indo se refugiar no campo devido à peste negra. Na minha opinião a melhor parte do livro, uma vez que descreve o estado da cidade, completamente arrasada pela doença e cheia de corpos empilhados na rua, apodrecendo e alastrando ainda mais o mal…

Então a turminha vai pro campo. E todo o drama dá lugar a castelos magníficos, jardins, jantares e histórias temáticas onde o erotismo está sempre presente. Uma chateação, se querem minha humilde opinião.

Os personagens então passam os dias a contar essas histórias uns para os outros enquanto seus empregados limpam, cozinham e cuidam do conforto dos senhores que adoram falar de putaria, mas nunca promovem uma orgia decente como manda o figurino.

Mas nem tudo é chato no livro. Eu particularmente gosto de uma sobre uma princesa que fora sequestrada por um sultão a fim de ser sua esposa. Depois de um breve período a moça cede. Rapidamente a coitada é jogada num turbilhão de acontecimentos onde passa de mão em mão até conhecidentemente voltar ao noivo que o pai escolhera para ela.

Claro que ela se divertiu bastante no processo…

E para os desinformados, Decamerão não tem nada a ver com aquele programa que a Globo anda passando ultimamente.

O Cortiço

A história do sexo grupal carioca.

A história do sexo grupal carioca.

Ah, o Naturalismo Luso-brasileiro! Corrente artística do século XIX que teve grandes escritores como Eça de Queirós e até o próprio Aloízio de Azevedo, autor de O Cortiço.

Fundamentado nas idéias científicas da época, colocavam o homem como mero produto do meio e seus desejos. Rendeu muitas boas obras e toneladas de bombas com A Carne, de um cara cujo nome esqueci. Mas isso não importa, até porque creio eu que fui apresentado apenas a coisa boa produzida na época.

Ainda que eu não ache O Cortiço nenhum primor estilístico… Nem O Senhor dos Anéis, Decamerão  ou Harry Potter… Mas já que ninguém se importa com minha opinião sobre o assunto, continuemos.

A história simplesmente trata do tal cortiço e seus moradores. Estes compostos por uma fauna altamente interessante como pequenos comerciantes, imigrantes, malandros, prostitutas e sei lá mais o que. Praticamente um bacanal de proporções épicas na minha opinião.

O quantidade de troca de casais e exaltação da putaria dentro dessa história, não encontrei em mais nenhum livro que tenha lido até hoje.

Sério, a putaria rola solta. Um imigrande português todo sério e sistemático em pouco tempo vira um frequentador de rodas de samba e das morenas do meio. Uma prostituta famosa é endeusada por todos uma vez que tem uma casa noturna e, de certa forma, ascendeu socialmente de uma forma que ninguém ali pôde.

No final da história todo mundo continua se pegando adoidado e a tal prostituta agora tomou uma menina de mais ou menos dez anos como sua protegida. Claramente percebe-se que a criança será a nova deusa do cortiço quando crescer. Um final um tanto quanto triste se querem saber. Contudo, totalmente condizente com o naturalismo.

O Cântico dos Cânticos

Também conhecido como "As putarias de Salomão"

Também conhecido como "As putarias de Salomão"

Não que essa parte da Bíblia seja mais pesada do que qualquer outra. Na verdade existem inúmeras passagens do livro onde práticas sexuais bem reprováveis tem o aval de Iavé, o Todo Poderoso Overpower do universo.

O que eu acho legal nos Cânticos são as descrições que o homem e a mulher fazem entre si. Não consigo tirar da cabeça que estão no meio de uma trepada monumental enquanto dizem aquelas coisas.

“Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs.”

Se ninguém conseguir ver o mais puro erotismo num verso desses devo considerar que a pessoa em questão tem menos de 10 anos. Ou pode ser um caso raro de ingenuidade.

Ou, por fim, pode ter estudado literatura com um professor podre e não é capaz de interpretar um texto.

Eu iria dizer que eu posso muito bem ser um pervertido sem tamanho ao pensar essas coisas e escrever um artigo inteiro sobre o assunto. Mas o texto ficou grande e não tenho vontade de me auto-detonar mais do que faço ultimamente.

Então, até semana que vem!

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