Como fazer alguém odiar livros

7 ago

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A coisa mais importante a fazer colocar a pessoa  numa escola de segundo grau onde prezam mais as aulas mal dadas de trigonometria – que só terá utilidade para os que fizerem exatas na faculdade – e dão um enorme dedo do meio para literatura e humanas. Notadamente o que todos os alunos irão precisar saber ao longo de suas vidas.

Quer um exemplo? Eu mesmo. Tive milhões de aulas de trigonometria e geometria analítica mais um monte de coisas desse tipo. Hoje absolutamente nada disso tem a menor utilidade pra mim. Contudo, o tempo todo sou exposto ao noticiário, filmes ou novelas que nada mais são do que histórias.

Como eu sou um nerd,  acabo conversando pela internet com um monte de crianças que tem a idade que eu tinha quando li Memórias Póstumas pela primeira vez. E sabe o que eles me dizem? Que Machado de Assis é chato, que história do Brasil é chata, o legal é ler Harry Potter e saber o que aconteceu na Inglaterra depois da saída dos romanos – essa última só os pouquíssimos curiosos procuram.

Não sou contra fenômenos pop de literatura. Até porque, se eu fosse, não sonharia em ser um escritor mundialmente conhecido. Preferiria ser famosinho na internet, onde todo mundo consegue seu público de até umas centenas de pessoas dependendo do seu bom humor. O que também não é meu caso, admito.

Nossa, como saí do tema! Pegando o troço pelo laço de novo, o que eu estava tentando dizer é que muita gente não gosta de literatura no Brasil justamente porque ela é tratada como algo de importância menor nas grades curriculares das escolas ou porque os professores nem sabem direito como passar as coisas. Longe de mim querer dizer como um professor deve fazer o seu trabalho…

A quem estou querendo enganar? É claro que eu quero meter o bedelho nisso! A verdade é que não existe coisa mais irritante do que um sujeito de meia idade, possivelmente profissional e sexualmente frustrado por ter feito Letras ao invés de qualquer coisa mais produtiva na vida, obrigar um adolescente a ler um livro qualquer e depois passar um questionário idiota que mais parece quiz de programa do Silvio Santos. Aposto que isso aconteceu várias vezes com vocês, não é? Pois é, imaginei.

Por isso que estou começando este blogue. Acredito que livros, literatura, televisão, cinemas, videogames e mais uma cacetada de coisas estão interligados num mesmo objetivo: Contar histórias. Tudo é literatura, até as pinturas dos homens das cavernas como está escrito em História do Cerco de Lisboa, de Saramago.

Não esquentem, não vou fazer muitas citações. Acho-as totalmente idiotas e sem sentido.

O que me faz voltar ao Harry Potter. Eu posso não gostar muito da história, dizer que é chata, boba e tem cara de mamão. Mas aquilo tem um mérito que todo professor meia boca de literatura já disse: Ela fez as crianças e adolescentes lerem tijolos de mais de quinhentas páginas com um sorriso colossal nos lábios.

Agora, porque Machado de Assis não provoca a mesma reação? Por que ele é um autor difícil? Conversa fiada! Autor difícil é o preciosista do Guimarães Rosa. Aquele cara sim é um pé no saco pra ler e Grande Sertão: Veredas está entre os livros dos quais não conseguir passar da metade.

O que eu vejo no caso do Machado é uma enorme preguiça mental por parte de muita de gente de situar o cara dentro da realidade das pessoas. O homem escreveu sobre pessoas e não prédios velhos. Pessoas que continuam a fazer as mesmas merdas desde que o mundo é mundo. Mas as inteligências ainda querem fazer que ele pareça um altor do século XIX… E isso não só no caso dele e nem no Brasil.

Passado o momento revolta vamos examinar porque eu, Michel, fui gostar dessas coisas enquanto a maioria das pessoas não.

Porque sou foda!!!

Não, não é por isso, claro.

Creio que fui na direção contrária da que os “educadores” preconizam. Me enfiei em livros “difíceis” bem antes dos professores me pedirem. Então descobri por mim mesmo o que era ruim e bom naquela coisa toda, sem precisar de um questionário do Silvio pra me aporrinhar.

O que me faz chegar ao final do meu primeiro texto neste blogue cheirando a novinho. O que me moveu a fazer isto aqui é tentar colocar na internet que toda literatura pode sim ser divertidíssima sem deixar de ser “profunda”. E que os textos não são chatos, e sim o modo como os apresentam às pessoas.

Aliás, costumo deixar as coisas chatas desse ramo para os manés que gostam de se exibir pra mulheres idiotas visando uma boa trepada logo em seguida.

Vai me dizer que nunca tentou usar um poema pra comer alguém?

Eu tentei várias vezes, e falhei miseravelmente…

Tá aí uma coisa para a qual a literatura não serve. Eu sou a prova viva!

2 Respostas to “Como fazer alguém odiar livros”

  1. Discordius 25/08/2009 às 15:11 #

    Imagino qual é a sua comparação de qualidade entre Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. Eu li apenas o último, e estava muito enfadonho. Eu tinha de Lê-lo a tempo de fazer uma prova sobre ele, um questionário muito chato, é claro.

  2. Lucas 26/08/2009 às 18:02 #

    eu gostei de memórias póstumas, apesar de ficar boiando em algumas partes devido a linguagem arcaica, e tbem concordo com o michel quanto a parte de que o que os jovens acham sobre literatura hoje em dia

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