Arquivos | março, 2011

Ode triunfal dos fliperamas sujos!

28 mar

Antes de começar tenho que dizer a todos vocês que sou velho. Já tinha noção de muitas coisas no começo da década de 90 quando muito moleques de hoje ainda nem tinham nascido. Porra! Tinha fantasias sexuais com a Alys de Phantasy Star! Se isso não é ser um moleque muito do safado – ou extremamente solitário – não sei o que é mais.

Então, como bom moleque lá pelos meus 9, 10 anos também era louco por videogame. Isso todo mundo sabe. Mas não contei algo que formou minha personalidade gamística e certamente e de muita gente da minha idade.

O fliperama!

Para os que nasceram depois de 1995, os fliperamas eram lugares onde a gente ia jogar coisas que nunca, jamais, iriamos poder jogar nos nossos pequenos consoles. Quer dizer, se você não era podre de rico para comprar o Neo Geo. Mas quase ninguém era, então todo mundo ia ao fliperama.

Era o lugar da socialização por excelência! Não iam somente moleques doidos pra jogar uma partida de Street Fighter 2 ou Mortal Kombat, mas toda uma fauna que poucas pessoas ligariam a videogame. Aliás, tinha sempre gente muito suspeita nesses fliperamas e eu não discordo se me disserem que nego fazia coisas ilícitas por lá quando nós, pobres crianças inocentes ficavamos entretidas em arrancar cabeças com coluna e tudo com o Sub Zero…

Os lugares que eu frequentava eram menos iluminados que esse aí...

Devo dizer que com isso o fliperama lá pelo início da década de 90 era um lugar visto com muita disconfiança e medo pelos pais. Várias vezes fui a algumas das bibocas mais sujas da minha cidade para jogar acompanhado de um amigo meu e seu pai que não nos largava de jeito nenhum.

Era uma aventura ir ao fliperama!

Mas as preocupações de nossos pais eram válidas, não posso negar isso hoje. Isso porque esses lugares eram em sua grande maioria instalados em lojinhas pouco iluminadas e sujas ou em becos debaixo de escadas mesmo. Eu mesmo conheci minha primeira máquina de Double Dragon numbeco sujíssimo e escuro onde eu nunca esperava que pudesse haver um fliperama. Só descobri o local por causa de um colega de escola meu. Hoje o lugar continua um beco sujo e escuro, mas completamente abandonado…

Lembro também que uma vez testemunhei uma batida policial dentro de um fliperama que eu tinha acabado de entrar. Estava sozinho, devo mencionar logo.  E tão logo os meganhas entraram no lugar já trataram de mandar os moleques pirracentos embora. Um deles saiu chorando como, bem, como uma criança obviamente.

Gostaria muito de dizer que fiquei e enfrentei bravamente os policiais enquanto eles esvaziavam o local para jogar suas partidas de Mortal Kombat sem serem importunados, mas não foi o que aconteceu. Tão logo vi um monte de moleques sendo escurraçados do lugar também saí eu, mas de fininho, antes que qualquer um me notasse. Eu era um nerd de uns 12 anos mais ou menos, jamais que iria peitar um adulto e ainda por cima armado!

Fora esses pequenos problemas, eram locais até pacíficos onde uma miríade de sujeitos completamente diferentes dividiam os controles. Existiam, como já disse, os moleques como eu. Mas também haviam adolescentes matando aula, adultos sem ter o que fazer, além de uma série de gente muito suspeita que vivia dentro desses lugares só pra passarem o dia ou sei lá o que… Todos eles vivendo em relativa harmonia. Isto é, até alguém resolver aporrinhar o outro enquanto estiver jogando…

Sim, eu aporrinhava muito! Verdade seja dita, eu ia ao fliperama mais para ver os outros jogarem do que para eu mesmo jogar. Em grande parte porque eu era completamente duro e meus pais não me dariam dinheiro para jogar todos os dias que eu quisessem. Em outra porque eu era uma merda mesmo. Sempre perdia na terceira luta ou coisa que o valha. Quando começava a jogar rezava pra que ninquém aparecesse querendo jogar contra comigo, senão perdia minha ficha mais cedo…

Por isso me resignei a olhar mais que jogar. E assim passava tardes inteiras!

Hoje em dia os fliperamas de outrora foram substituidos pelas lan-houses. Os tipos que frequentam o lugar não mudaram muito com o tempo, mas toda a atmosfera mudou. Talvez pelo fato de cada um ficar circunscrito ao seu próprio computador horroroso faz com que a parte socializante seja um pouco perdida… Ou não, eu posso estar terrivelmente equivocado!

Pra terminar, hoje todos os jogos tem suporte online e servidores próprios na internet. Dá pra tirar um contra em Street Fighter contra um cara no Japão em tempo real. E assim ter o prazer de ser surrado por um japonês que certamente tem mais tempo do que você para jogar.

Mas pra mim nunca será igual a jogar num local sujo e cheio de tipos suspeitos onde qualquer um poderia ficar do seu lado e te desafiar. Dava um t0m mais pessoal a coisa toda que hoje não existe. Ou você por acaso já viu a cara do seu carrasco japonês? Suponho que não.

Por hoje é só pessoal! Fiquem com uma imagem clássica dos bons e velhos fliperamas:

 

O alquimista dos elementos passivos

20 mar

Cá estamos de novo. E suponho que todos estão de saco cheio de me ver falar sé de videogame ultimamente. Isto é, se ainda se dão ao trabalho de ler o que eu escrevo… Enfim…

Por isso resolvi voltar aos textos sobre literatura. Até porque eu me sinto menos nerd falando sobre livros do que jogos eletrônicos. Então, para marcar esta volta, escolhi um livro muito famoso por aí:

Certo, antes que começem a me xingar vou logo dizendo… Dizer o que? Que acho o livro interessante? Ou que Paulo Coelho é o melhor escritor desde Homero? Isso eu nunca vou dizer, podem estar certos. Mas não é ruim a gente saber como essas coisas funcionam de vez em quando. E foi justamente isso que me fez ler esse troço.

Antes de mais nada digo que não tenho nada contra o Paulo Coelho, seu modo de escrever e de vida. Cacete! Se eu tivesse grana pra morar num castelo na Europa e pegar todas as mulheres que eu quisesse só com o que eu escrevo seria um cara realizado! Mas com o que eu faço provavelmente ganho uma feirinha de literatura em Itajubá do Sul e como prêmio uma melancia…

Triste vida a minha!

Só estou dizendo isso porque nosso amigo Paulo Coelho usa muito o argumento de “inveja” para os que o criticam. Logo, não tenho porra de inveja nenhuma dele, mas admiração! Afinal, é o modelo de escritor que pretendo ser se algum dia algo que eu escrever for vendido aos milhões. E assim, eu puder ter uma vida semelhante ao do Charlie Sheen. Sim, eu sei que todo mundo quer uma vida parecida com a daquele cara.

Dito isso, vamos logo ao livro.

O Alquimista conta a história de um pastor de ovelhas e suas ovelhices nas planícies do sul da Espanha. Certo dia ele estava no meio do pasto quando foi dormir – o que deve ser normal pra pastores, ou não – e sonhou com pirâmides. Acontece que o rapaz já tinha sonhado com isso antes e nesse sonhos diziam que ele encontraria um tesouro perto delas.

Até aí nada de mais. Eu sonho com naves espaciais e c0mbates de morte quase toda noite. Mas isso não quer me dizer que eu vou ser abduzido e entrar numa guerra interplanetária como o único capaz de dar um fim no conflito. Seria muito legal, mas não vai acontecer – ó tristeza!

Enfim o rapaz sonha com pirâmides de noite e fala com ovelhas de dia. O que isso tem de interessante? Basicamente, nada. Mas ele está a caminho de uma cidade no qual vai vender lã e paquerar a filha do tecelão seu freguês e por isso está feliz.

Quando chega a cidade, deixa suas ovelhas no curral de um amigo e vai para a praça do lugar ficar fazendo porra nenhuma enquanto pensa em que tipo de cantada vai passar na moça para que ela lhe dê acesso as suas calcinhas. Coisa que todos nós fazemos em diferentes momentos de nossas vidas…

Neste momento, aparece um velho! Ahá!!!!

Mas o velho é só um mendigo retardado que parece muito bem informado sobre a vida e os sonhos do nosso herói. E diz que ele deve perseguí-los. Espantado pelo fato do sujeito saber de tudo da sua vida, o rapaz acaba por seguir o seu conselho. Vende suas ovelhas, mas a mocinha filha do tecelão à merda e vai em busca das pirâmidas, mesmo ele não tendo a menor idéia de onde essa merda se localiza. Antes de ir, encontra novamente o velho que se revela um rei ou coisa que o valha e abre sua camisa. Quando você pensa que teremos uma cena explícita de homosexualidade no livro sabemos que o sujeito usa uma placa de ouro com pedras preciosas cravejadas nela. O velho tira dois cristais de lá e dá para o pastor.

Agora vamos pensar. O que raios um cara com uma placa de ouro no peito estaria fazendo ali? Aliás, o que estaria fazendo em qualquer lugar? Não consigo imaginar alguém andando por aí com um pedaço de ouro provavelmente bem pesado no peito abordando desconhecidos por nada. Mas divago…

Depois disso, nosso pastorinho pega o primeiro barco para a África. Lá fica que nem um idiota andando pra cima e pra baixo sem entender porra nenhuma da língua. Como é um cara muito crédulo, nosso amigo resolve pedir ajuda ao primeiro sujeito que fala com ele e tem seu rico dinheirinho roubado. Então, sem lenço, nem documento resolve se encolher em posição fetal num canto da rua chorar a sua burrice quando lembra das pedrinhas que o velho maluco tinha lhe dado!

Eram pedras para advinhar o futuro. E só de por as mãos nela o cara se sente melhor. No dia seguinte procura trabalho numa loja de cristais de um cara já com a vida vazia e sem sentido, esperando pela morte. Ele, como bom sujeito que segue sua Lenda Pessoal – vou explicar isso mais tarde – consegue colocar sentido naquela vida desgraçada fazendo a loja crescer.

Depois de um ano consegue dinheiro para poder comprar um novo rebanho de ovelhas e poder voltar pra casa. Mas eis que o cara, maluco como ele só, resolve embarcar numa caravana para o Egito tentar encontrar as tais pirâmides.

Bem, é mais ou menos até aqui que eu li até agora. Mas acho que já posso dizer alguma coisa sobre a história de nosso Paulo Coelho: tediosa até não poder mais.

Sério, o que ele estava pretendendo passar quando escreveu isso? Que as pessoas alcançacem paz de espírito lendo essa coisa? Que fossem buscar um sentido para suas vidas ou coisa assim? Bem, eu quando leio algo quero me surpreender. O Alquimista me surpreendeu muito pouco.

Outra coisa. Toda a linguagem do livro passa uma grande tranquilidade. Como se nada que o cara pudesse fazer realmente mudaria seu destino. Tudo está escrito, como é martelado incessantemente na história. Então, a coisa toda acaba não tendo emoção nem nada.

Por exemplo, Memórias Póstumas de Brás Cubas é sobre um cara que nunca fez nada de importante na vida falando dela, e por extensão dos outros, depois que morre. Logo, ele não tem que esquentar a cabeça com o que vão pensar dele, pois já está morto e pode descer o malho em tudo sem esquentar.

O Alquimista parece uma história feita para quem não quer ter emoções. É insosso como história. E tras uma filosofia de botequim que ninguém leva a sério.

Agora eu poderia terminar o texto, mas não vou fazer isso. Não agora. Queria dizer por fim que não tenho nada contra o livro pelo que ele se propõe. Ou seja, ser alívio para solteironas mal amadas. Esse tipo de coisa tem que existir sempre. Por isso eu parei um pouco nas críticas ali em cima porque eu sei que todo o planeta já criticou o livro com os mesmíssimos argumentos. O que eu quis fazer era só mostrar como coisa toda pode ser engraçada de certa forma se você não levar a história de um cara indo atrás de pirâmides à sério.

Acho que nem o próprio Paulo Coelho leva o livro a sério, entao não serei eu que o farei.

Pra terminar devo dizer que continuarei dando chances de Paulo Coelho me surpreender com uma história. Até porque as pessoas mudam com o tempo, espero. E quem sabe ele pare de escrever para pessoas em estado terminal que não podem ter emoções fortes.

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